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Josh Rouse no Santiago Alquimista

Noites de Verão.

O turista (pelo menos segundo o seu último disco…) regressou novamente a Lisboa, perto do Verão, para um concerto de ar tropical, alegre, com uns quantos momentos de uma beleza pujante pelo meio. E o público, que fez um Santiago Alquimista bem composto no passado 15 de Maio, não podia ter saído mais satisfeito.

É difícil não simpatizar com Josh Rouse. Em palco é simpático q.b., vai interagindo e falando, sempre com um sorriso, olhando frequentemente tanto para o público que tem à sua frente como para o que tem no andar de cima, e aquela camisa e aquele chapéu criam uma figura com ar light que está ali para o mesmo que nós: diversão. Acompanhado por mais três músicos (além do próprio Rouse que toca guitarra e harmónica, havia mais um guitarrista, um baixista e um excelente e impressionante baterista), as canções conseguem soar sempre agradáveis e nunca demasiado “cheias”, não deixando ainda assim de haver momentos que são, diga-se, pura apoteose. Começou por «I Will Live On Islands», logo num espírito de Verão que viria a pautar regularmente o concerto, e foi consistente e sempre mais que competente do início ao fim.

Passou pelo passado, presente e futuro, apresentando até duas novas músicas que sairão num novo disco a editar em Setembro, não esquecendo alguns clássicos. Começou com uma rápida passagem por “El Turista”, o seu último disco que saiu no ano passado, começando então com «I Will Live On Islands», continuando com a belíssima «Lemon Tree», e chegando logo de seguida à bonita «Sweet Elaine». O público conhecia o disco, como seria de esperar, e recebeu com um sorriso, e no final com aplausos, cada canção deste novo trabalho, repleto de maracas e por vezes até com letra em espanhol, como foi a canção que veio logo a seguir: «Las Voces», energética e alegre, cantada num espanhol impressionante. À quinta canção veio uma nova música: «Lazy Days». Soou um pouco menos tropical que as canções de turista, mais reminiscente a discos anteriores; mas a qualidade, claro, é sempre a mesma. O público recebeu todas as canções de igual forma: com devoção e descontracção. Corpos a balançar, de sorriso no rosto, numa noite quente e agradável. Pelo meio, Rouse conta o quão doente esteve na sua última passagem por cá, vítima de algo que comeu em Espanha. “Mal saí do concerto, fui logo para o hospital. Mas mesmo assim, dei o concerto, porque vos adoro”. Onda de aplausos, claro.

Foi com «Sunshine» que regressou ao passado, essa bela música de “1972”, provavelmente o disco favorito dos fãs do músico. Canção bonita e simples, sem maracas nem espírito tropical, recebida com entusiasmo logo aos primeiros acordes. De seguida, mais regressos ao passado, passando por temas como «Hollywood Bass Player» (tão energética e divertida) e «Flight Attendant» (mais calma e meditativa, a criar um bonito momento mais intimo). Curiosamente, não houve tanta diferente na recepção que as canções novas tiveram em relação às antigas; fã que é fã adora tudo, e neste caso justifica-se. «Oh Look What The Sun did», a segunda canção nova tocada, deixou no ar a promessa de um belo novo disco.

«Valencia», de “El Turista”, foi um dos momentos de apoteose, energética e rápida, com cada instrumento a interligar-se na perfeição. «It’s The Night Time» encerrou na perfeição o corpo principal, com o público a gritar por mais, e o início do encore traria uma belíssima surpresa: Rouse a solo a tocar «1972», uma das suas mais belas canções, num momento de tocante intimismo. Um dos melhores momentos da noite, sem dúvida. Os outros músicos rapidamente regressam, e chegam mais duas do passado: «Summertime» e, claro, a grande «Love Vibration», com uma energia contagiante, já com o público em cima do degrau do palco, a pedido do músico. Sorrisos de satisfação, muitos corpos a balançar, e uma vénia no final da música dada por Rouse e a sua banda.

Não havia mais nenhum encore planeado, mas o público queria mais. E Rouse, sozinho, voltou para mais uma, após já excelente hora e meia de música.

“Quero acabar com uma pequena e simples música que não toco muito. Acho que tem uma bela mensagem”. Seguiu-se aquele que foi, talvez, na sua beleza e intimismo, o grande momento da noite: «Life». Letra lindíssima, com aquela harmónica e guitarra a encaixar tão bem, e todo o público em silêncio em perfeita comunhão. No final despede-se, e melhor final teria sido completamente impossível.

Turistas assim fazem falta. Noite agradável, por vezes surpreendentemente bela, sempre light e sempre alegre. Sai-se com um sorriso na face e aquele sentimento de satisfação que apenas um bom concerto sabe dar. Não foi a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que Rouse cá veio; e com recepções e concertos destes, não será, esperemos, a última.. Mesmo se tivesse sido no Inverno, ter-se-ia vivido uma noite de sentimentos quentes e divertimento agradável. Com Josh Rouse, é sempre Verão. E só lhe podemos agradecer por isso.



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