Entrevista a Josh Rouse

Hasta luego!

De visita a Portugal, para actuar na Aula Magna de Lisboa, a 23 de Junho, conversámos com o músico norte-americano Josh Rouse cujo último álbum, “Subtítulo”, transpira a tranquilidade que alcançou no Sul de Espanha. Também Josh Rouse transporta e transmite a disponibilidade e serenidade de quem parece estar de bem com a vida.

A viver em Altea, uma pequena cidade perto da vizinha Valência, o músico aproveita a calmaria do momento que vive, mas já tem os olhos postos num futuro mais cosmopolita. Gravador desligado, refere o Mundial de Futebol, fala em espanhol e fica emocionado com uma fotografia sua tirada o ano passado durante o Festival do Sudoeste… E na despedida sai-lhe um “Hasta luego”! E a nós: Came back soon!

O que tens ouvido ultimamente?

Tenho andando a ouvir um tipo chamado Sam Prekop, que é cantor numa banda chamada Sea and Cake, de Chicago. Ele também tem alguns albúns a solo e um ritmo meio brasileiro. Tenho ouvido algum jazz etíope, que descobri no último filme de Jim Jarmusch, em que quase todas as músicas do filme têm um pouco de jazz etíope…

Efectivamente, algumas das tuas músicas assemelham-se a canções de embalar africanas, agora com o ritmo das ondas da costa de Espanha…

Sim, é verdade, algumas das minhas músicas parecem-se com baladas.

O ano passado durante o Festival do Sudoeste vi-te a caminhar serenamente entre o público. Ainda o consegues fazer?

Sim. Bem… depende do sítio onde estou. Em Inglaterra se quiser dar uma volta depois de um concerto sou incomodado muitas vezes. Muita gente quer falar comigo e por vezes ficam um pouco loucas. Na realidade depende do local onde estou…

Apesar do sucesso que alcançaste, continuas a ser um simples rapaz de Nashville, que gosta de música e que, por agora, quer viver numa pequena cidade…

Sim…

Mas muita coisa mudou?

Bem, eu gosto da situação em que estou agora. Tenho a oportunidade de fazer discos e fazer disso a minha profissão. Aliás, esta é a única profissão que tenho e consigo viver dela. Depois tenho a oportunidade de ir a sítios bonitos, como Portugal, e fazer concertos. Isso é muito bom, mesmo.

Quando não estás em tournée ou a compor, o que fazes nos teus tempos livres? Gostas muito de cinema, não é?

Sim, gosto muito. E vou ao cinema, quando posso. Passo tempo na internet, e por vezes vou à praia. Passeio muito pela cidade de Valência. E agora estou a fazer um pequeno estúdio na minha casa.

Mas também cozinho e vou pôr o lixo à rua, coisas normais como qualquer outra pessoa… também tenho de pagar as contas.

O que de mais importante te tem ensinado Altea?

Bem, eu nasci numa pequena cidade e vivi lá muito tempo. Acho que viver num local pequeno te ajuda a aperceber de todas as coisas de que não precisas.

Mas também me ajudou a perceber que estou muito habituado a ter salas de cinema e coisas para me entreter… Se me ensinou alguma coisa, foi, certamente, que provavelmente sou uma pessoa moderna.

Gosto de estar numa cidade pequena porque toda a gente é muito simpática e se conhece. Mas depois tens saudades das coisas que as cidades te oferecem.

Quando cantas parece que estás a fazê-lo individualmente para cada uma das pessoas que te ouve… Como consegues chegar às pessoas tão profundamente?

(Risos) Não chego, não… Não sei. Eu não canto muito alto, talvez te pareça que estou a sussurrar ou a falar. Na realidade eu “canto-falo”. Sabes, eu não sou um grande cantor por isso tenho de falar as letras, talvez seja por isso…

Como será o concerto da Aula Magna?

Serei só eu e a guitarra, e um quarteto de cordas. Será um concerto mais calmo que o do Sudoeste que teve mais rock.

No teu website encontrei o Bedroom Classics, de que se trata?

Todos os meses, ou sempre que posso, se ando a ouvir alguma coisa que eu acho que os meus fãs gostariam de ouvir eu deixo uma mensagem a dizer: “Oiçam este ou aquele músico que não conhecem e se calhar vão gostar.”

É que há muita gente boa por aí, que eu conheço, que ainda não teve oportunidade de expor a sua música a um grande público e eu gosto de expô-los, pelo menos, ao meu público.

Assim vou sugerindo algumas bandas novas ou pessoas com quem eu já trabalhei e que fazem trabalhos a solo, mas não têm os seus discos em todas as lojas. Por outro lado, os meus fãs também têm a oportunidade de conhecer música nova.

Já escolheste a próxima pequena cidade onde vais viver?

Talvez no Alentejo…

E Nova Iorque?

Nova Iorque! Não, ainda não. Mas acho que no próximo ano vou para Nova Iorque.

E vais lançar um álbum sobre Nova Iorque?

Sim, talvez o faça…



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