OIG2 (4)

Ler é o melhor remédio

Do poder da diversão à ação terapêutica dos psicadélicos

O hábito da diversão
de Mike Rucker
Planeta (planetadelivros.pt)

E se a diversão, levada a sério, pode elevar o nosso bem-estar? Mais. E se, num mundo onde o valor intrínseco de uma pessoa é frequentemente medido pela sua produtividade, o segredo do sucesso, pessoa e profissional, possa ser lutar pelo direito de se divertir?

É a partir dessas perguntas em tom de provocação que Mike Rucker, psicólogo organizacional e especialista em bem-estar, apresenta e propõe uma abordagem transformadora: cultivar a diversão como prática diária e essencial à saúde mental, emocional e até física. E ainda que longe de promover uma vida hedonista ou leviana, constrói O hábito da diversão enquanto uma narrativa sólida, baseada em dados científicos, citando estudos em áreas como a neurociência, a psicologia positiva e o comportamento humano, refletindo como o prazer pode ser parte de uma vida equilibrada, produtiva, significativa e saudável.

Paralelamente, e partindo desse suporte científico, Rucker desmonta mitos, como, por exemplo, a ideia de que apenas pessoas com muito tempo ou dinheiro podem se permitir “divertir-se”, mostrando que até pequenos momentos de lazer intencional podem ter impacto profundo.A estrutura prática e direta deste livro, cujos capítulos exploram temas como a diversão como antídoto contra as malhas das obrigações laborais, o poder da amizade e do momento presente, os desafios da parentalidade ao longo da vida ou a “ousadia” de se divertir durante o expediente, possibilitam ao leitor aprender estratégias práticas  que incluem exercícios, checklists e ferramentas que permitem auto diagnosticar o “índice de diversão” e redefinir a rotina.

O tom é sempre motivacional, nunca perdendo a noção da realidade, até porque Rucker não cai no erro de prometer uma felicidade imediata, mas sim apostar e investir numa vida mais leve e sustentável com base em escolhas conscientes, onde a diversão pode ser a força para atingir mudanças positivas.


Tome nota
«O trabalho torna-se mais divertido quando nos tornamos melhores observadores e gestores da nossa própria excitação. Primeiro, tornamo-nos mais produtivos ao trabalhar de forma mais inteligente (…) E, em segundo lugar, terminamos o dia de trabalho com mais vitalidade, tanto porque nos sentimos mais capazes como porque tirámos alguma da nossa preciosa energia da mesa para nós próprios.»  

Revelar a mente
de Pedro Castro Rodrigues
Oficina do Livro (leya.com)

O tratamento de problemas de saúde mental com recurso ao uso de substâncias psicadélicas, como LSD, psilocibina ou MDMA, tem, nos últimos anos, sido prática cada vez mais comum e, graças a uma exaustiva investigação sobre o tema, a comprovação da sua eficácia tem crescido de forma favorável.

Pedro Castro Rodrigues, psiquiatra e investigador no Imperial College London, tem sido um dos maiores entusiastas deste tipo de intervenção, tendo inclusivamente implementado no Serviço Nacional de Saúde uma das primeiras unidades onde se realizam tratamentos com psicadélicos utilizando a cetamina em combinação com psicoterapia.

Revelar a mente é por isso fruto dessa experiência e propõe uma leitura acessível sobre a consciência humana, com a ambição de explicar tudo o que precisa de saber sobre substâncias psicadélicas e saúde mental, apresentando, de forma simples e numa linguagem para leigos, os mecanismos cerebrais que moldam a nossa experiência do mundo, da emoção e de nós próprios. Isto porque, defende o especialista, «apesar de complexo, o cérebro humano, pode (e deve) ser entendido de forma acessível por todos».

Estruturado a partir de explicações claras, valendo-se de exemplos do quotidiano e reflexões que vagueiam entre a neurologia, a psicologia e a filosofia da mente, este livro transporta-nos por uma viagem pelo funcionamento cerebral, abordando os processos básicos de perceção, assim como os mistérios da consciência e da subjetividade.

Pelo caminho, encontramos respostas sobre o que é o pensamento, como se forma uma emoção ou até que ponto as nossas decisões estão ausentes de condicionamentos. Há ainda espaço para abordar temas como a Inteligência Artificial e dar os primeiros passos no campo da neuroética e a plasticidade cerebral num contexto social e humano, reforçando a ideia de que compreender o cérebro é compreender melhor a nossa condição.

Mais do que uma simples introdução à neurociência, estamos perante um convite à auto exploração consciente, mas também um ensaio que, além de informar, desafia a olhar para a mente não como algo inatingível, mas como uma realidade a explorar e desvendar.


Tome nota
«Vários estudos demonstram que os psicadélicos podem proporcionar benefícios significativos em indivíduos que sofrem de condições como depressão, PTSD e adicções (…) e que, quando administrados em conjunto com suporte terapêutico, podem levar a reduções substanciais e duradouras nos sintomas.»



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