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Level

Um oásis no deserto

Se algumas profecias políticas se aplicassem a outros campos, uma destacada figura pública poderia ser apanhada em flagrante a dizer coisa sábia como: “discoteca com boa onda a sul do Tejo, jamais!”. Felizmente, um aeroporto no meio de uma zona ecologicamente sensível é um assunto muito diferente de um clube nocturno inovador, cuja ideia não tem precedentes na zona onde está instalado.

Encaremos já de frente a um problema ontológico: o redactor desta peça (ora… neste caso, euzinho) poderá ser acusado de tráfico de influência – por utilizar um veículo de divulgação público, com o qual colabora mensalmente, para dar a conhecer um espaço no qual integra uma equipa criativa. Pois, caros leitores, é com toda a vossa razão que aceito a crítica, tendo em minha defesa apenas o seguinte argumento: o projecto que tenho para vos descrever é de tal forma importante, a meu ver, que merece ser trazido aos vossos olhos, seja pela minha “pena” ou por outra qualquer, o impacto potencial que o Level pode fazer junto da cultura nocturna a Sul do Tejo pode mudar a maneira como muitas coisas estão equilibradas e quiçá, fazer da nossa, uma noite menos insuportável para quem gosta de música.

No passado dia vinte e sete de Fevereiro, na zona ribeirinha de Alcochete, em pleno empreendimento Alfoz, a noite viveu-se, pela primeira vez, como nunca antes. Um espaço reabilitado, redesenhado e reconfigurado de raíz, abriu as portas pela primeira vez para uma festa de pré-abertura. Um género de preâmbulo, a fim de mostrar aos presentes, como a banda iria tocar dali para frente… e se a coisa caíu bem! Numa zona dominada por mega-espaços nocturnos, controlada por dj’s milionários a cobrarem cachets absurdos para darem a ouvir música que passa na rádio, um espaço de dimensões consideráveis abriu, onde a filosofia é diametralmente oposta: a música não é um hábito de consumo, mas um prazer. O sistema de som, que separa caixas de graves Cerwin Vega de tops Turbo Sound, afinados pelos residentes, esteve durante sete horas a debitar quase exclusivamente discos de vinil para um público que, de outra forma, estaria a ouvir – algures nos arredores – um formato sonoro comprimido num sistema de som desenhado para berrar, mais do que para ser confortável e definido. Com uma decoração discreta e acolhedora, uma pista de dança íntima – não gigantesca – e um terraço com uma vista deslumbrante para o estuário do Tejo, de onde se vê tanto a ponte Vasco da Gama, como a linha de horizonte da bela Lisboa.

Dada a inovação do espaço, e a promessa que coloca na mesa, de elevar a bitola para toda a zona que rodeia Lisboa, decidi colocar algumas perguntas a Pedro Rito, um dos sócios gerentes do projecto, que, juntamente com Cadu Granja, investiu coração, alma e poupanças nesta ideia.

Quando surgiu a ideia de criar o projecto?

A ideia deste projecto surgiu devido à nossa paixao pela música. Entendemos que seria um desafio aliciante e até uma provocação, considerando o contexto geográfico em que o imaginámos. Tanto eu como o Cadu somos do Montijo, mas eu fui viver (e vivo) em Lisboa desde os 18 anos, e sabemos bem que a margem Sul do Tejo não é só o que pintam!

No passado não havia simplesmente oferta que agradasse aos nossos gostos, nem aos dos nossos amigos desta zona, e por víamo-nos obrigados a ir para Lisboa todos os fins de semana para nos divertirmos. Assim, a nossa ideia foi a de nos posicionarmos imediatamente como o clube alternativo deste lado do rio, uma vez que imaginámos que não iria demorar muito até que aparecesse gente a sentir-se em casa. Dessa forma estaríamos a ser inovadores, e isso seria emocionante.

O projecto Level assume uma linha de pensamento muito própria, pode-nos descrever qual?

A nossa linha de pensamento passa por criar um espaço que evite que os nossos clientes precisem de atravessarem uma ponte para Lisboa para encontrarem qualidade. Estamos situados numa vila, mas vamos trazer para cá todas as novas tendências. Será um clube urbano e distinto, pela variedade e pela oferta. Deste lado é tudo formatado, as pessoas imitam-se muito, e em tudo… e nós viemos romper essa linha, trazemos a diferença e a originalidade.

Porque não reproduzir simplesmente o conceito nocturno, que prolifera abaixo da linha do Tejo?

Precisamente porque o nosso target não se identifica com esse conceito. Além de não constituir grande desafio, o nosso projecto pretende vingar pela diferença, esperamos que os clientes sejam surpreendidos todas as noites, seja com um pormenor de decoração, pelo som… vamos tentar acompanhar o que de mais fresco acontece e inovar sempre que conseguirmos.

A música, será, claramente, uma aposta forte do Level, acreditam que isso poderá ajudar a mudar alguma coisa num panorama mais amplo no quadro geográfico do Level?

Sem dúvida, as pessoas vão começar a vir cada vez mais em busca das nossas propostas. Como qualquer clube queremos distinguir-nos em primeiro lugar pela qualidade da música que os nossos deejays vão dar a ouvir. Desde o início do projecto que definimos uma linha de ruptura com o tradicional, de fácil consumo.

No passado Sábado, 27 de Fevereiro, o Level abriu portas pela primeira vez, para uma festa de “ensaio”, uma ante-estreia para personalidades locais e amigos. Qual o feedback que tiveram, e sentiram algum choque cultural, fruto da falta de familiaridade do público com certos ambientes que o clube apresenta, ou, pelo contrário, sentiram que o projecto foi recebido como uma lufada de ar fresco?

O espaço foi recebido com espanto e admiração, principalmente; muitas pessoas ficaram incrédulas, outros abraçaram-me de felicidade, por nunca pensarem ter um espaço com este nível de oferta aqui! Claro que outras franziram o sobrolho (os tais que resistem à mudança, os que evitam sair da zona de conforto) outros não gostaram da música… e sim, penso que esses ficaram chocados… mas no fundo, foi tal e qual como eu esperava.

Que podem adiantar a quem quiser visitar o espaço, sobre o que reserva o futuro neste espaço promissor?

A vista sobre Lisboa é espantosa, o espaço é indescritível, as pessoas que cá estão para vos receber, falam “a mesma língua” que vós, estarão identificados e em comunhão. Isto é: no Level há um ambiente de festa e harmonia, de pessoas que se respeitam e que sabem bem … what it’s like to let go and f*ckin’ PARTY!!



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