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Trol2000

Com um passado ligado ao graffiti e vocalista em bandas de Hardcore é um DJ de gosto sólido e bem definido.

O Rodrigo é um DJ dos DJs. Agradar a todos não é fácil e talvez nem aconselhável, no entanto mesmo que estilisticamente o público se aproxime ou afaste de determinadas opções musicais, a coerência ganha sempre aos pontos.

Carrega o nome Trol há alguns anos, não é uma alcunha mas o nome que assinava na altura que fazia graffiti com mais regularidade, somando-lhe o “2000” por coincidir na altura em que se ligou mais à música de dança.

O mais indicado será talvez seguir as próximas palavras ou um dos diversos DJ sets que Trol2000 faz um pouco por toda a cidade de Lisboa e Almada.

Tens um passado ligado à música hardcore, como fizeste a transição vocalista para DJ?

A transição de vocalista para DJ foi simples, se soubesse tocar algum instrumento musical poderia ter continuado a ter bandas secalhar. Mas muito sinceramente, a paciência para tentar reunir um grupo de pessoas numa sala de ensaio já não é a mesma, prefiro ser eu a fazer tudo, pois assim não tenho quaisquer limitações e nem tenho que depender de mais ninguém para poder fazer aquilo que gosto.

Entre 1993 e 1998 tive inúmeras bandas, todas elas dentro do underground Crust/Hardcore, felizmente nunca fui uma pessoa de ouvir apenas um estilo musical, a musica electrónica por exemplo sempre esteve presente na minha banda sonora. Foi uma transição perfeitamente normal, quando se gosta de música é assim que acontece, não existem barreiras, seja qual for o género musical, podes muito bem ser músico ou dj.

Dá-me a ideia que dentro do panorama não és caso único, que explicação tens para isso?

“Looking for the perfect beat”, no meu caso é isso que acontece. O universo musical é infinito, por isso a minha pesquisa é constante, não interessa o género, cultura,etc…eu quero conhecer, pois só assim sei se gosto ou não. Acho que não existe uma explicação concisa no geral, o mais importante é as pessoas continuarem ligadas à música, sejam DJs, produtores, ou outra coisa qualquer.

Que critério segues quando procuras discos?

Só compro discos que gosto, esse é o principal critério e ser dj requer um grande investimento financeiro, estou a falar de vinil como é óbvio. Por vezes não é nada fácil controlar esse investimento, sou muito eclético, dentro disso tento comprar discos que os possa tocar tanto numa pista, como num bar ou até mesmo só para ter o prazer de os ouvir em casa.

Como descreverias a tua colecção?

Não me considero um grande coleccionador, os discos que tenho não estão arrumadinhos e catalogados, andam constantemente a sair e a entrar na mala, no meu ver é para isso que eles servem. Tive sorte de herdar alguns discos da minha familia, mesmo esses toco-os com frequência, sejam eles de jazz, de rock ou de funk. Existe um pouco de tudo, talvez o titulo mais presente seja o de Herbie Hancock.

Como fazes a separação entre tocar num bar e num clube?

É muito importante enquanto dj saber “ler” o público que supostamente me está a ouvir, quer seja num bar ou num clube. Se é um bar em que as pessoas estão a querer socializar não vou tocar discos de pista, porque na maioria das vezes não existe sequer pista. Se eu estiver num bar como cliente, vou-me sentir incomodado se a música não for a adequada para a ocasião, por exemplo.

Tento com que as coisas façam sentido e na maioria das vezes o trabalho de tocar num bar é muito mais dificil do que o de pista. Porém tocar em pista também requer alguma atenção, o objectivo é que as pessoas se divirtam e dancem, existe alturas em que isso não é tão fácil como parece.

Tendo em conta o momento presente, o que gostas mais e o que te faz falta quando passas música?

O que mais gosto é de ver a reacção das pessoas, nada melhor que sentir que as pessoas estão a gostar e isso muitas vezes é espelhado num sorriso, é muito gratificante quando termino um set virem dizer que gostaram. Acho que as pessoas deviam dançar mais, esquecerem os preconceitos e não ficarem só a olhar umas para as outras de copo na mão.

Que vantagens e desvantagens vês em ser DJ sem a parte de produção?

A vantagem de ser DJ e começar a produzir é muita, há mais oportunidades e convites para tocar em diferentes sitios, é uma excelente forma de valorizar e enriquecer uma carreira.É claro que existe criatividade seja num dj ou num produtor, mas muitas vezes um produtor não consegue ser um bom DJ ou vice-versa.

Sentes-te tentado a tentar produzir ou editar?

Claro que sim, para além de me trazer vantagens como dj, sinto cada vez mais que quero fazer os meus temas e as ideias não páram de surgir. Estou a dar os primeiros passos na produção e quando sentir que as coisas estão a soar como gosto, irei dar a conhecer ao público e a algumas editoras.

Que cena/atitude gostarias de ver mais desenvolvida em Portugal?

Gostava que houvesse mais espirito e mais cultura musical nas pessoas, é triste continuar a ver as coisas na mesma que há 10 anos atrás. Não importa existirem mais sítios, sejam eles bares, clubes, ou locais para fazer festas, se a mentalidade das pessoas não evoluir para além dos anos 80.

E o que se passa em Almada?

Em Almada existe união, que é o que eu não vejo existir em lado algum. Muitas ideias existem e estão prestes a acontecer mesmo no centro da cidade e a 15 minutos de Lisboa, a ideia não é deixar de passar o rio para ir à capital, mas sim ter alternativas para as pessoas que aqui vivem.

Existe também o ABRIGO que para além do blog, vai também começar a ter uma presença forte na organização de algumas festas.

Foto por Olga Belchior



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