Luxo na Casa da Música

Herb Robertson NYC Downtown Allstars.

Data: 26 de Setembro
Local: Sala 2 – Casa da Música, 22 horas

Numa noite de terça-feira sem salpicos, a Sala 2 da Casa da Música encheu-se para ouvir o trompetista Herb Robertson e seus os NYC Downtown Allstars – o saxofonista alto Tim Berne, a pianista Sylvie Courvoisier, o contrabaixista Mark Dresser e Tom Rainey na bateria. Um quinteto de luxo que presenteou o público com mais de hora e meia de free jazz sem concessões – e rico em sensações!

Dividida em duas partes, foram apresentadas duas peças de sensivelmente 45 minutos cada em cada instrumentista demonstrou a sua excelência técnica. Na primeira parte, Robertson e companheiros apresentaram uma composição recente, composta por seis fragmentos, conforme explicou o trompetista na primeira interpelação aos presentes – a que se seguiram outras, revelando um trompetista bem disposto e muito comunicativo. Bastante progressivo, este longo tema iniciou-se com um prolongado solo de contrabaixo, tocado com o arco, criando uma atmosfera suja e tempestuosa, a que se seguiu a entrada de uma bateria rebelde. A secção de sopros, com o duo Robertson e Berne a brilharem, aprofundou a componente melódica do tema, que culminou num impressionante solo de piano, em que as suas cordas foram percutidas por Courvoisier com a ajuda de baquetas.

Os NYC Downtown Allstars funcionam simultaneamente enquanto colectivo de cinco elementos, mas também enquanto um pequeno agrupamento extremamente eficaz de trios, duetos e, claro está, de solistas de excelência. Sem concessões a facilitismos, a proposta musical foi livre e eclética: houve momentos musicalmente mais “ruidosos”, outros mais melódicos, uns mais alicerçados em estruturas rítmicas fortes, outras mais downtempo. Porém, após um breve intervalo, verificou-se que parte do público acabaria por abandonar a sala, não ficando para ouvir o segundo tema – “Elaboration”, que dá o título ao único álbum da Herb Robertson NYC Downtown Allstars (2005).

Quem ficou para ouvir a segunda parte do concerto não deu, contudo, o seu tempo como desperdiçado. Mais estruturado, provavelmente por ser um tema já antigo e trabalhado, os músicos ofereceram solos complexos e intensos que criaram momentos verdadeiramente sublimes. Destaque para os solos de Tom Rainey  e de Courvoisier, que até então tinham assumido um postura mais discreta. Um verdadeiro maestro, Herb Robertson brilhou com discrição e segurança num magistral dueto com o saxofonista Tim Berne, intercalando pequenos solos, num diálogo cruzado entre os dois instrumentos de sopro. Uma grande noite de free jazz na cidade do Porto, ficando-se a aguardar por mais concertos deste “calibre” que, espera-se, também contribuam para reacções mais calorosas por parte do público – superando o inicial espanto e estranheza perante estas músicas!



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