Made @ Portugal

49 Special.

São cinco rapazes: cabelos com brilhantina e jeans com dobra. Com uma sonoridade tipicamente americana e um nome roubado a um comboio norte-americano que atravessa seis estados, os 49 Special poderiam muito bem ter nascido em terras do Tio Sam. Mas não! São bem portugueses, naturais do Porto.

Fiéis à música norte-americana do final dos anos 50 / início dos anos 60, os 49 Special fundem num estilo melódico e vibrante o country-rock de Johnny Cash, o hillbilly de Hank Williams e o rock’n’roll de Gene Vincent.

São cinco – Mário Moniz, Jorge Fortunato, Pedro Serra, Ernesto Moniz e Nuno Gomes. No seu próprio país são quase desconhecidos, mas lá fora são presença habitual em festivais do género, dos Estados Unidos à Alemanha, passando pela França, Suíça ou Itália, onde as críticas são por norma positivas e calorosas.

Formaram-se em 1998, quando os saudosos Tennessee Boys se extinguiram. Em pouco tempo assinaram um reportório próprio, com influência assente na cultura norte-americana dos anos 50, que absorvem não só musical, mas também pessoalmente, o que se reflecte numa atitude e num sentimento bastante genuínos.

Depois do álbum debutante, datado de 2002 e gravado e lançado em França, os 49 Special acabam de gravar o segundo registo de originais: um EP de sete canções intitulado “Dark Lonesome Road”, que vale bem a pena descobrir.

A Rua de Baixo esteve à conversa com este quinteto portuense, com quem falou sobre a sua música, a indústria em Portugal e no estrangeiro.

RDB: Para quem não vos conhece, quem são os 49 Special?

Os 49 Special são uma banda do Porto, que surge em 1998, fruto da fusão de cinco músicos que partilham o gosto pela “roots music” norte-americana. Depois de vários anos a tocar pelo estrangeiro (EUA e diversos países Europeus), chegando a quase todos os festivais de música do género, os Tennessee Boys terminam a sua existência dando então origem, juntamente com mais 2 músicos portuenses, aos 49 Special.

Já devem estar fartos de ouvir isto, mas o que leva cinco jovens portugueses a tocar uma música tão marcadamente americana?

Para além da primeira razão se prender com o facto de claramente gostarmos desse tipo de música e de nos identificarmos com esse tipo de atitude musical, parece-nos  importante referir que a nossa geração está/foi muito marcada pelos estereótipos americanos.

Nisto do rock’n’roll é muito fácil apontar referências e influências. Quais são as vossas?

Não nos assentamos somente num estilo e em artistas só desse género. Trabalhamos para inovar sem sair dos “parâmetros” deste estilo musical. É por esta razão que o nosso reportório é maioritariamente constituído por temas originais. Podemos contudo mencionar alguns artistas em que nos influenciamos: Hank Williams, Ray Price, Buck Owens, Geroge Jones, Johnny Cash entre outros.

Já tocaram em festivais europeus, em países como a Itália, a Suiça ou a Alemanha. Como é que isso aconteceu?

É perfeitamente natural que sejamos contactados por agentes estrangeiros interessados em contratar os 49 Special. O tipo de música que fazemos tem, nesses países, um lugar específico nos vários estilos musicais, assim como um número suficiente de espectadores que lhes permite organizar esse tipo de eventos.

Apesar de serem quase desconhecidos em Portugal, o vosso nome é conhecido nesses países que também não têm grande tradição dentro do rockabilly e do country. Porque é que isso acontece?

Pela mesma razão apontada anteriormente. Existe, em Portugal, muito pouca curiosidade musical, até parece que somos obrigados a gostar de determinado artista ou género musical. A grande parte das pessoas ouve a mesma música. O mesmo não acontece na maior parte dos países europeus. Por exemplo, na maior parte destes países, a educação musical é instruída de uma forma substancialmente diferente da nossa, onde as aulas incluem história da música contemporânea. Estas aulas permitem aos alunos conhecer a evolução musical e todos os géneros musicais existentes.

Qual é o futuro da música em Portugal?

Gostaríamos de ser tremendamente optimistas e visionar um futuro mais promissor para a música em Portugal, especialmente para artistas/bandas cujas obras não passam pelo canal “estreito” do que é comercializável, mas tal não nos parece possível a curto prazo. Esperamos que a presente conjuntura musical mude e que nós ainda estejamos por cá para ver e para colher alguns frutos!

Acabam de lançar o vosso segundo álbum. O que podemos encontrar em “Dark Lonesome Road”?

Parece-nos que todos os ouvintes podem encontrar no EP “Dark Lonesome Road” uma mescla musical muito interessante e original, onde, em apenas 7 temas, pretendemos mostrar todas a nossa originalidade e influências.

Para terminar, a pergunta inevitável: quais são os projectos para o futuro?

Encetamos no início deste ano uma parceria com a IconDiscos, que se ocupará da distribuição do nosso álbum em Portugal. Em adição, esta empresa efectuará toda a promoção da banda assim como agenciamento no território português.

Detemos em agenda concertos já confirmados no Reino Unido, Itália, Espanha e Alemanha para este ano. Iremos ainda, aquando da nossa deslocação ao Reino Unido no próximo dia 23 de Abril, entrar em estúdio para gravar o nosso novo álbum de originais. Utilizaremos o famoso estúdio Toe Rag Studios cujo dono, engenheiro de som e produtor é nada mais, nada menos do que Liam Watson, vencedor de um prémio MTV pela gravação e produção do álbum “Elephant” dos White Stripes.

Estas gravações serão licenciadas à IconDiscos que lançará no seu selo discográfico a edição portuguesa do álbum. Já existem diversos contactos para o licenciamento destas gravações para uma edição norte-americana, a qual se encarregará da distribuição além-fronteiras.



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