Margarida Campelo @ B.Leza (11.05.2023)

Os astros alinharam-se de forma a que a apresentação oficial do álbum debutante de Margarida Campelo coincidisse com o primeiro aniversário dos Discos Submarinos, que foi o quartel-general desta sua movimentação a solo. «Supermarket Joy» é um objecto estranho e fresco, mas ainda assim simultaneamente familiar. Em especial para quem tem acompanhado as diferentes aventuras musicais de Margarida Campelo ao longo dos últimos anos.
A performance no B.Leza seguiu quase à risca a disposição das canções no disco, num palco em que a protagonista surgiu auxiliada por caras bem conhecidas destas andanças, desde João Correia na bateria a António Quintino no baixo, passando pelos cameos da guitarra de Bruno Pernadas às teclas da estrela em ascensão Raquel Pimpão (artista actualmente conhecida por Femme Falafel). A espaços assistimos igualmente às ricas aparições dos sopros de Tomás Marques e da voz de Joana Campelo.
Se no disco os singles que anteciparam «Supermarket Joy» pareciam não encaixar totalmente na toada geral do álbum (não que tenham obrigatoriamente do ser, claro está), interpretados ao vivo soaram bastante mais coesos com as demais composições. Todas vão adensando este universo glamouroso, no qual mesmo as coisas mais simples soam sofisticadas, e que Margarida Campelo parece construir bastante naturalmente embora se note a atenção dedicada a qualquer pormenor.
As letras denotam ser inteiramente pensadas para alimentar a imagética da artista, advindo muitas de amigas como Beatriz Pessoa, Francisca Cortesão ou Ana Cláudia, estando algumas na plateia, como não podia deixar de ser, numa data tão marcante. Todos os pormenores transformam Margarida Campelo numa diva bluesy que vai cintilando de modo elegante perante os nossos atentos e deleitados ouvidos.

No encore, além de uma interpretação mais abreviada de «Faz Faísca e Chavascal», houve direito a uma canção nova, preenchida por teclados melancólicos, tendo sido entoada por Maggie sozinha em palco. Um número que contrastou com os restantes, nos quais teve sempre preciosa companhia em palco, desde os solos de Pernadas até aos valorosos interlúdios das teclas de Raquel Pimpão, sempre dentro da estética que delineou deste o primeiro momento em que decidiu avançar a solo, à boleia de uma versão de L.T.D., que logicamente não faltou neste concerto.
No fundo, e resumidamente, esta primeira investida em nome próprio equivale a isolarmos as partes pertencentes a Margarida Campelo, muito em especial ao papel que interpreta de maneira estelar a bordo da nave espacial de Bruno Pernadas, a bordo da qual sempre tem contribuindo imenso para esta corrente de pop exótica absolutamente irresistível. Desejamos confessadamente consumir mais.
Alinhamento:
– Maegaki
– Physali Fit
– Physali Fit II
– Deusa
– Faz Faísca e Chavascal
– Mapa Astral
– Love Will Never Be Enough
– Deusa Coral
– Maggie
– Aura de Panda
– Tropicasio
– Gemma
– Love Ballad (L.T.D. cover)
(encore)
– Faz Faísca e Chavascal (versão curta)
– Deusa de Cera
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