Marisa Monte @ Coliseu LX

Preto e Branco colorido

Seis anos depois da última visita (aquando da digressão de promoção ao álbum “Memórias, Crónicas e Declarações de Amor”), e oito depois da estreia, na EXPO’98, Marisa Monte regressou a Portugal, no passado dia 10 de Setembro, para confirmar que a ausência física não a afastou dos corações dos portugueses.

Na bagagem, além dos cinco discos que editou entre 1989 e 2000 e do projecto campeão de vendas Tribalistas, trazia “Infinito Particular” (mais intimista) e “Universo ao Meu Redor” (o disco de pseudo-sambas), testemunhos recentes (com cerca de seis meses) de uma forma muito particular de compor e cantar em português (com sotaque).

Em versão mãe-de-família-à-beira-dos-40, Marisa Monte volta para cantar e encantar com a sua jovialidade, simpatia e beleza e, depois de duas noites esgotadas no Porto, começa o primeiro de três espectáculos no Coliseu de Lisboa literalmente às escuras. Nos mais de quatro minutos de «Infinito Particular», em que Marisa nos convida a mergulhar nas suas idiossincracias pessoais, o Coliseu é uma sala escura, cheia de gente surpreendida por não ver de onde brotava aquela voz contagiante. Em duas ou três ocasiões, só no refrão, uma luz branca ilumina o rosto claro de Marisa, e a sala explode em aplausos.

Ao contrário do início despojado e simples, o resto da música que ouvimos nesta noite é rica e cheia de nuances, que lhe são dadas pela presença em palco de nove instrumentistas, que inclui um quarteto de câmara e uma secção de cordas. A própria Marisa saltita entre a viola, a guitarra eléctrica, o baixo e o ukulele («cavaquinho» em hawaiiano). Seja nas canções mais antigas, como «Maria de verdade» e «Segue o seco», seja nas colaborações com Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes nos Tribalistas, ou na quase dezena e meia de pérolas saídas dos dois últimos álbuns, os arranjos (maioritariamente acústicos) vão para além daquilo que conhecemos em disco.

Os momentos intimistas sucedem-se aos (poucos) momentos festivos mas, ainda assim, o alinhamento é coerente e parece retirado de um único disco (É a isto que se chama uma «carreira»). Outra personagem importante neste espectáculo, nas palavras da própria Marisa Monte, é a luz branca «de cinema», obtida com uma original combinação de placards luminosos. O resultado final, no entanto, é desigual. Brilhante no início do concerto, mas monótono ao fim de umas canções, na medida em que não apresentou variações significativas, ao longo de duas horas. Em palco, Marisa hesita entre ficar sentada no meio dos seus músicos, num plano elevado, mas recuado, ou assumir a mais habitual condição de intérprete e performer e vir à boca de cena dançar e conversar com o público.

Numa noite em que a ‘beautiful people’ lisboeta saiu à rua, os momentos altos ficaram guardados para o fim, por conta das versões de «Velha infância» e «Já sei Namorar» (em encore), cantadas em uníssono (e de pé) por um público atento, mas aparentemente pouco exigente. Nada que preocupe a diva Marisa: éramos todos convidados a comparecer no hotel dos músicos, para participar na festa que eles iriam organizar. No fim, no meio dos aplausos e agradecimentos, só faltou dizer em que hotel lisboeta a festa iria decorrer…



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