Matisyahu @ Coliseu

Está um judeu a pegar fogo ao Coliseu!!!

Sejamos sinceros: actualmente, apesar de ser um dos géneros musicais com mais adesão popular, o reggae não tem primado pela originalidade, no que diz respeito aos novos projectos emergentes..

Das poucas excepções que confirmam a regra destaca-se o nome de Damien Marley, que conseguiu reinventar o reggae imortalizado pelo seu pai, o “profeta” Bob Marley, inflando-o com as novas tendências de dança – o dancehall, o reggaeton e até o hip-hop.

A outra excepção é Matisyahu, que na passada quinta-feira, 22 de Junho, encheu o Coliseu de Lisboa com uma heterogénea massa humana. E se há algo que Matisyahu é, é original. Pelo menos na imagem. É que, tal como o célebre anúncio preconizava que um preto loiro e um branco de carapinha não é natural, também um judeu ortodoxo a cantar reggae é anti-natura. Certo? Errado!

Matisyahu arrisca a tornar-se num caso sério de amor para com o público nacional, tal foi a recepção que teve ao pisar o palco. Mal o concerto tinha começado e o músico judeu conseguiu logo colocar o público na mão. E não foi devido à música, que essa teimava em manter-se morna, mas sim por ter lançado ao ar juras de amor eterno: “Lisbon, Portugal, I love you”. E a partir daqui, Matisyahu poderia fazer o que quisesse.

Por muitos considerado o melhor que aconteceu ao reggae nos últimos tempos, Matisyahu tem-se destacado por misturar o seu reggae com uma vertente rock, assente na base tradicional das bandas, misturando-o com solos de guitarra, linhas de baixo e bateria galopante. Contudo, à medida que as músicas se iam sucedendo, a actuação começava a assemelhar-se a hype (atenção, não confundir com flop), tal era a rigidez da banda aos moldes reggae e dub. Um Matisyahu demasiado mole (para não dizer frouxo) e pouco comunicativo também não ajudava, perante a tamanha energia que chegava do público.

Mas afinal a banda não era tímida, apenas envergonhada. Quando Matisyahu apresentou Jonah David e Aaron Dugan (o baixista, Josh Werner, ficou para mais tarde), o concerto explodiu e eles transformaram-se numa verdadeira banda rock, com Jonah David a presentear o público com um longo e brutal solo de bateria.

O público estava em brasa e Matisyahu parecia descarregar baldes de gasolina sobre o palco. As músicas continuavam formatadas ao formato reggae e dub, mas era extendidas por divagações sonoras, solos de guitarra e improvisações vocais hipnotizantes por longos minutos. Era  reggae-psicadélico, como se Sun Ra bailasse com Bob Marley ao luar.

Ainda houve tempo para uma surpresa: ao palco subiram os MCs SP & Wilson, que Matisyahu tinha conhecido na noite anterior no Lux, para simularem uma beatbox humana de fazer corar um Rahzel ou um Mike Patton. Por essa altura já as chamas tinham deflagrado completamente. E quando pareciam já estar fora de controle, eis que Matisyahu atirou a sua bomba mais destrutiva: «King Without A Crown», o single que o trouxe para as luzes da ribalta, que mais uma vez foi entoado em coro com o público em comunhão de vozes.

Obviamente que o público não se deu por satisfeito quando os quatro músicos abandonaram o palco. Matisyahu e os seus parceiros voltaram para um encore menos frenético, mas nem por isso mais calmo. No final, trocaram-se mais juras de amor, Matisyahu levantou a bandeira portuguesa e o público acarinhou-o. Estão reunidas as condições para um regresso em breve a Portugal do judeu mais famoso da história do reggae.



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