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Marvin, For Damage e Equations @ Café au Lait | 18 de Abril de 2012

Privée au lait

A sério? Três concertos de bandas excelentes e ninguém lá mete os pés? Mas o Porto voltou a ser o que era? Chove um bocadinho e… ah e tal, ninguém sai do “quentinho” e ninguém larga o “cházinho”… bah!

A coerência portuense antiga reinou. “Abril, águas mil” e a chuva dá preguiça, menos para aqueles que efectivamente têm que trabalhar. Pois é. Depois de um jantar praticamente engolido à pressa, chegados ao Café au Lait apercebemo-nos que afinal não precisávamos de ter tanta, uma vez que a chuva (e mais um concerto no Plano B) afastou qualquer alma da cave que recebeu Marvin, Fordamage e Equations.

Contudo, se a cave já por si tem um lado garage e intimista, essa ambiência foi potenciada pela pequena percentagem de público que estava presente (que não era público: eram as bandas, os assistentes, e nós) e, então, não havia grande distância dos espectadores. Éramos metade portugueses, e outra metade franceses – uma vez que Fordamage e Marvin são naturais de França. Porém, o facto mais impressionante foi que nem os “cházinhos” nem os “sófazinhos” de quem ficou em casa entorpeceram os concertos. As bandas, que tocaram para aproximadamente vinte pessoas, actuaram como se lá estivessem 1000 pessoas a assistir. Apesar do excesso de ar puro que preenchia o alto pé direito da cave do Café au Lait, os bateristas deixavam escorrer o suor pelo tronco despido como se estivessem dentro de um banho turco (além de exibirem a sua simpática musculatura dos membros superiores em acção pura e dura de baquetas na mão).

O contraste sentiu-se sobretudo com o grupo português Equations, que há cerca de três semanas lançou o seu primeiro álbum pela Lovers & Lollypops e celebrou-o com um concerto, também na cave do Café au Lait, com a sala bem cheia. A banda, composta por Bruno Martins (voz e guitarra), Gonçalo Duarte (sintetizador, guitarra), Vitor Barros (guitarra), Zé Pedro (bateria) e Zezé (baixo), já é conhecida, mas torna-se uma das bandas-revelação com o lançamento do álbum “Frozen Caravels” (sim, a prosperidade dos Descobrimentos já lá foi). Na cave do Café au Lait, o vocalista Bruno Martins mostra-se altamente carismático com uma voz peculiar, bastante aguda. Tem uma presença fortíssima em palco e com ela apresentou: «The Hunter and the Oak», «Domovoi», «Coronado», «Poseidon´s», «Running with Scissors» e «Hero Cities of the Soviet Union».

Marvin

Uma pausa para mais um fino e a seguir vieram Fordamage. Banda natural de Nantes, no meio do grupo destaca-se Amélie Grosselín que, resguardada pelos restantes elementos do grupo, não parou um segundo, balançando-se para a frente e para trás durante todo o concerto. Muito calibre e energia saíam dali, da performer que a meio do concerto saltou para o público tocando e figurando como um de nós. Amélie Grosselín, Vincent Dupas, Anthony Fleury e Pierre Marroleau trouxeram músicas do seu segundo álbum – “Belgian Tango” (2008): «La Bagarre», «Blitz to Target» e, do mais recente, “Volta Desviada” (Maio, 2011) tocaram «Sleeping on a Flag», «Throwing Stones» e «Triangle Girl». Facto curioso que apurámos é que «Belgian Tango» é uma homenagem à Bélgica pelas inúmeras vezes que lá foram tocar e pela boa recepção que tiveram. Da mesma forma, “Volta Desviada” representa uma homenagem a Espanha. Têm também um EP apelidado de “Durum Pita” (no mínimo, apetitoso).

Outro fino, e aguardamos pela banda final: Marvin. Igualmente muito jovem, os Marvin já tocaram nos mesmos palcos que Devo, Trans AM e Black Mountains. Grupo natural de Montpellier e composto por Emelie Rougier (teclas), Grégoire Bredel (bateria) e Frédéric Conte (baixo), a banda mostrou-nos o seu Rock instrumental, forte, com toques de Noise, Hard Rock e um pouco de electrónica. Do álbum homónimo tocaram «Discudance», «Vocomurder» e «Discose», e do LP “Hangover the Top” – «Roquedur», «Dirty Tapping» e «Good Radiations». Presentearam-nos também «Girl you Want» (cover dos Devo). O encore aconteceu e, por essa altura, a sala já estava bem quente. Não se sabe de onde surgiram mas, no final, um grupo de conterrâneos das bandas predominantes apareceram para animar a festa. Deixaram-nos entrar apenas por essa fraternidade, claro, porque aquilo já era uma espécie de private de onde ninguém queria arredar pé. Foi um daqueles concertos exemplares em que se paga cinco euros, mas no ano seguinte, sem contarmos, a fasquia já sobe, e bastante. Porque sim, eles eram bons e vão voltar para um concerto menos familiar, e para a percentagem de público que eles estavam rotundamente a tocar. Se já foram uns concertaços, nem queremos imaginar como serão num evento de grande projecção (e com gente…).

Fotografias por Pedro Magalhães



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