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Mass Effect: Andromeda | Análise

O universo Mass Effect continua a agarrar-nos de uma forma que não tem explicação!

Mass Effect Andromeda é um RPG de acção, com alguns elementos de open world e exploração num dos melhores universos criados até hoje no mundo dos videojogos. Apesar de se situar no mesmo universo, Mass Effect Andromeda afasta-se da narrativa do Commander Shepard, que tantos bons momentos nos trouxe, e introduz uma nova história, novas personagens e também algumas raças novas.

O jogo começa quando um dos gémeos Ryder (aquele que o jogador escolher) acorda do seu sono em criostasia, após uma longa viagem de 600 anos desde a Via Láctea até à galáxia de Andrómeda. O jogador irá então encarnar o papel de Pathfinder, a personalidade encarregue de liderar a humanidade na exploração desta desconhecida nebulosa espiral e na descoberta de mundos novos e habitáveis. À medida que encontramos tecnologia alienígena nunca antes vista, temos também de batalhar contra os odiosos Keth que procuram o controlo total da galáxia de Andrómeda. À medida que vamos avançando na narrativa, as relações com os nossos companheiros e as outras personagens deste universo estão também no cerne de toda a aventura, como já vem sendo habitual na saga Mass Effect.

Sem abrir muito o leque daquilo que acontece em Mass Effect: Andromeda, devo-vos dizer que estou a adorar cada momento neste jogo; a narrativa desenvolve-se de uma forma excelente e ainda planeio lá voltar várias vezes até não conseguir mais. A nível de jogabilidade de combate, este Mass Effect: Andromeda consegue consolidar-se nas mecânicas dos jogos anteriores e limar todas as arestas com algumas adições bastante interessantes. A exploração dos planetas inóspitos é de uma dimensão brutal e gratificante, com uma vastidão que impressionará até o menos interessado na temática da ficção científica. Cada mundo é único e a beleza dos cenários é de um trabalho artístico simplesmente fenomenal. Lembram-se do horroroso Rover, do primeiro jogo da saga, que encalhava em tudo o que eram superfícies mais agrestes? Pois bem, a versão de Mass Effect: Andromeda, o glorioso Nomad, não sofre e nem sequer se aproxima de tais problemas. A condução é suave e para isso em muito contribuem as mecânicas de jogabilidade que lhe estão incorporadas. Para além de um impulso de velocidade, o Nomad pode ainda alternar entre modos de tracção nas rodas e ainda impulsionar-se para cima. Algo que faz com que qualquer obstáculo seja facilmente contornado e permite aos jogadores subir até os terrenos mais íngremes, podendo explorar livremente. Existe alguma repetição no processo que conduz à colonização dos planetas, mas tal não é sequer algo que tenhamos que executar obrigatoriamente para todos eles.

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Não obstante, é no combate que toda a qualidade técnica da Bioware vem ao de cima. A inclusão do impulso de salto com base nos propulsores incorporados na nossa armadura e a forma como os podemos usar durante o combate é por si só revolucionária para  a jogabilidade característica de Mass Effect. A forma como nos permite alternar entre a tradicional jogabilidade horizontal para a  inclusão de movimentos na vertical – sempre com uma fluidez notória – torna tudo muito mais interessante e até ajuda o jogador em alguns momentos de aperto, nos quais uma fuga calculada é mais do que necessária. Ao nosso lado estarão sempre dois membros da nossa equipa que se movem de uma forma mais ou menos autónoma, através de IA, sendo no entanto ainda possível atribuir-lhes algumas ordens básicas de movimentação, posicionamento e de ataque. Ao nosso dispor está, para além de uma enorme selecção de armas, também um enorme leque de capacidades baseadas em três diferentes ramos: combat, tech e biotic. Desta forma é oferecida ao jogador uma enorme liberdade para escolher a forma como quer abordar a sua jogabilidade, seja ela com preferência por um combate à distância, um combate com base nas habilidades biotic ou até por um combate de proximidade (close quarters). Como RPG de acção que é, à medida que vamos completando missões, vamos ganhando pontos de experiência que depois nos permitem aprender mais habilidades. A variedade é tanta que é ainda possível estabelecer perfis de habilidades para que possamos alternar entre eles a qualquer momento, mesmo durante o combate.

Todos aqueles que jogaram a trilogia original Mass Effect, assim como a saga Dragon Age ou Star Wars: Knights of the Old Republic, saberão que uma das imagens de marca dos jogos da Bioware é a uma enorme quantidade de diálogos, sempre muito bem concretizados, acompanhados de uma excelente narrativa. Mass Effect: Andromeda não é excepção, estando o jogo acompanhado por diálogos que estão muito bem conseguidos do ponto de vista do trabalho de voz. Com certeza, não vos terá passado despercebido todo o barulho que se criou pela internet nos últimos dias devido às animações faciais deste jogo. É algo que infelizmente está presente no jogo (estou a olhar para ti Foster Addison, também conhecida como a “Cara Cansada para os Assuntos Coloniais do Nexus”), mas, apesar de tudo, nunca chega a ser algo que comprometa de tal forma a jogabilidade ou que a torne impraticável ou intolerável. Muito pelo contrário. As personagens com expressões faciais menos conseguidas não são a maioria, embora nunca as animações cheguem ao nível de qualidade que é praticado no restante jogo, noutros departamentos. Mesmo assim, não deixem que o barulho que se criou transtorne as vossas intenções de jogar Mass Effect: Andromeda. Por outro lado, o novo elenco também possui algumas personagens marcantes como também era imagem de marca da trilogia. Personagens como Liam, Peebee ou Drack ajudam a que as missões sejam sempre mais interessantes. Isto sem esquecer o papel fundamental do pai de Sara e Scott Ryder que ajuda a que o início seja muito mais interessante, sendo uma personagem com um cariz muito forte e cujas acções têm repercussões durante todo o jogo, na forma como as restantes personagens interagem com os seus filhos.

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Durante o jogo, e quando estamos na Tempest – a nave de Andromeda que substitui a saudosa Normandy – podemos designar Strike Teams. Estas não são nada mais do que equipas controladas para o computador que embarcam nas missões que designamos e que, quando terminadas, oferecem recompensas no final. Existem ainda as missões APEX onde o próprio jogador pode fazer parte delas através do modo multijogador, num sistema de PVE semelhante ao que acontecia em Mass Effect 3, embora claro, com a jogabilidade desta nova entrada. Assim, o jogador poderá seleccionar a sua personagem de um elenco de várias classes disponíveis (fazendo lembrar os MOBAs actuais), sendo também possível personalizar as personagens e as suas próprias habilidades dentro das disponíveis em cada classe. O modo multijogador implica que, numa equipa de até quatro jogadores, tenham de derrotar várias vagas de inimigos, o que implica a necessidade de alguma coordenação entre os membros da equipa para que se consigam cumprir os objectivos que forem surgindo e sairem vencedores no fim. Seja como for, todo o multijogador funciona muito bem e é extremamente viciante de jogar com amigos enquanto derrotamos vagas, atrás de vagas de Keth, outlaws ou Remnants.

Até ao final do ano, decidir qual vai ser o jogo mais bonito de 2017 vai ser uma enorme complicação. Depois de Horizon: Zero Dawn, The Legend of Zelda: Breath of the Wild ou Nier: Automata, Mass Effect: Andromeda apresenta-nos um universo de ficção científica simplesmente deslumbrante com dezenas de horas de puro divertimento. Não acredito de todo que seja o pior Mass Effect a chegar até nós só por causa das animações faciais, já que elas são suplantadas pelo superior trabalho de voz que os actores oferecem a este jogo. Talvez também não seja o melhor Mass Effect, já que a segunda entrada da trilogia original continuará sempre a ocupar um lugar especial na minha colecção de videojogos. Não obstante, tal como Sara e Scott Ryder enquanto Pathfinders, não deixes de sentir curiosidade de explorar a galáxia de Andrómeda. Anda navegar na Tempest e derrotar uns detestáveis Keth que bem as estão a pedir. Se és fã da trilogia original e adoras uma boa narrativa sci-fi, Mass Effect: Andromeda é mais do que obrigatório!



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