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Mastodon @ Coliseu dos Recreios

Provavelmente a melhor banda metal do mundo.

Foram precisos uma data de festivais a abrir para os Metallica, dois concertos em sala fechada, um a abrir para os Haunted e outro para os Tool (saudades), para finalmente termos direito à estreia dos Mastodon em nome próprio, em Portugal, no passado dia 22 de Janeiro. Agora, notamos apenas um problema: os concertos foram todos em Lisboa, pelo que a malta do Norte, a menos que tenha tido uma clara manifestação de apreço pela banda, continua à espera da sua oportunidade.

Nota-se que nestes Mastodon a motivação é maior; são eles os cabeças-de-cartaz, sabem que aquele público está ali para os ver e sentem-se bem nesse papel – embora não tenhamos ouvido nada, para além de uns “obrigado”, sair da boca dos quatro Mastodon, ao longo de quase duas horas (!) de concerto. Parece que andaram a aprender com os melhores (nisso dos espectáculos ao vivo, os Metallica são exímios) e agora revelam tudo aquilo que aprenderam e (surpresa!) saem-se bem melhor – mesmo sem a pirotecnia. As bancadas estão despidas, ainda que o crowdsurf e o mosh não tenham sido tão frequentes como seria de esperar – é provável que tenhamos tido mais disto no concerto de Kaiser Chiefs, no Alive 2011, numa moca colectiva patrocinada por vários quilos de erva que os miúdos fazem passar pela segurança dos festivais. É assim que grande parte deles gosta de estar nos festivais hoje em dia, das duas uma: bêbedos ou “mocados”.

O que distingue os Mastodon de uma série de outras bandas da sua geração é a capacidade que têm de atrair outros públicos que não apenas os metaleiros. O Coliseu estava apinhado de metaleiros, mas também de indies – o cheiro a erva não enganava -, de longas barbas, bigodes milimetricamente aparados, botas biqueira de aço, etc. Não é um Coliseu esgotado, mas muito bem composto para receber aquela que é, provavelmente, a melhor banda de metal da sua geração.

Mastodon @ Coliseu dos Recreios

Longe vão os tempos em que os três vocalistas passavam o concerto inteiro – 50 minutos, mais coisa menos coisa – colados aos microfones. Estão, já o dissemos, mais confiantes, o que confere uma bela dinâmica ao concerto. Cada riff parece anunciar um novo hino, as harmonias vocais e os solos entram quando têm que entrar. Em «All the Heavy Lifting», do último “The Hunter”, provavelmente o momento mais intenso do concerto, damos conta que há um Coliseu que, no refrão, levanta os braços e canta em uníssono com a banda. Isto é um momento digno de uma banda de estádio. As melodias estão lá, as canções estão lá, os discos (os últimos dois) estão lá. As novas canções são tão ou mais celebradas que as mais antigas e percebe-se que há fãs dos dois últimos discos e outros mais antigos, dos tempos de “Remission”, “Leviathan” ou “Blood Mountain” – para usar um termo muito ligado ao género, estes são os discos dos fãs mais old school.

Naquele que foi o primeiro encore em Portugal, chamaram a banda da primeira parte que se juntou nas vozes e nos coros para mais uma canção e uma pergunta/promessa: “Vemo-nos este verão, certo?” Esperemos que sem os Metallica, pois merecem tocar bem mais do que 50 minutos.

Fotografia por Paulo Tavares.



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