Matthew Dear & Troy Pierce@Lux

Valeram as mãos inspiradas de Matthew.

Assim à primeira vista esta noite no Lux tinha tudo para vingar. Os dois nomes estão actualmente na berra no panorama minimal. Matthew consegue aliar a pop ao minimal como ninguém faz actualmente; Troy é um embaixador da M_NUS que tem espalhado dinamismo e originalidade nos seus sets usando o Final Scratch, aparelho criado pela alemã N2IT que consiste na manipulação de som digital nos pratos e turntables convencionais. À primeira vista esta noite tinha tudo para se tornar mais uma daquelas noites que muitos guardam na memória mas… Trentemoller actua ao mesmo tempo no OpArt e é certo e sabido que quem segue estas coisas da música electrónica tinha por certo um grande conflito intrapsíquico do género “e agora?”. O que se passou foi uma noite a meia casa que contou ainda com a parca inspiração (pouco habitual) de Troy Pierce.

Coube a este DJ nascido em Indiana a abertura da pista de baixo, contra todas as expectativas e talvez pouco moralizado com a pista vazia que tinha à sua frente. Troy Pierce realizou um set aquém das expectativas. As tão faladas “tareias” sonoras que habitualmente saem das mãos deste residente de Berlim ficaram em casa e Troy entrou por caminhos muitos introspectivos, parecendo que por vezes estava a tocar simplesmente para ele. Ainda fez umas “brincadeiras engraçadas”  com o seu Final Sctrach, mas parecia que quando as batidas subiam faltava sempre alguma coisa.

E depois veio Matthew Dear! O bar que parecia estar mais cheio que a pista, rapidamente avançou todo bem para o centro quando as poderosas batidas começaram a ecoar na pista. Parecia que a noite se tinha reformulado por completo, entrou forte e forte ficou, contratempos atrás de contratempos alinhados bem ao jeito de Villalobos, subwoofers distorcidos e finalmente um sorriso nos lábios de quem estava cá em baixo.

O melhor estava para vir. Troy Pierce entra de novo em cena juntamente com Matthew Dear e a toada high imposta por Dear parece, como por magia, ter inspirado Pierce. Foi sem dúvida o momento alto da noite e por meia horinha se foi mantendo a toada de fortes batidas. No final do set, enveredaram por caminhos mais dark, tal como Troy Pierce tinha feito no seu, mas desta vez de uma forma muito mais harmoniosa e coerente.

Esta noite serve para reflectir acerca das expectativas criadas em tornos de performances de DJ de techno minimal (isto não é exclusivo do estilo como é claro!). Se olharmos para os discos de Troy Pierce encontramos poder nas sua composições. Já Matthew caminha por rotas que, embora poderosas, aliam um componente pop às suas composições. Em termos brutos, o que se esperaria seria em princípio um minimal alegre de Matthew e no final um “arreial“ de Troy Pierce mas…
Valeram as mãos inspiradas e contagiosas de Matthew Dear.



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