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Melt Banana @ ZDB (29.09.2017)

Bolas. Das coisas que estaríamos à espera de fazer em 2017, ver Melt Banana ao vivo e a cores por cá estaria bem lá para o fim da lista. Ainda menos a contar que 25 anos depois de Yasuko Onuki e Ichirou Agata terem inciado a banda, a dupla nipónica ainda apresente a forma que ali se viu. Desde o lançamento do seu último disco em 2013, “Fetch”, que a banda iniciou uma espécie de nova vida, mas com o som sónico e esquizofrénico que os caracterizou e que desde cedo atraiu uma legião muito devota de fãs, incluíndo artistas como Mike Patton ou The Melvins (o mesmo som que simultaneamente também afasta muitas pessoas pois é natural em muitas músicas se ouvir apenas feedback e apenas ruído – não que eles se importem com isso). Desde o príncípio deste novo ciclo que a banda se apresentou ao vivo num novo formato – um duo, constituído apenas pelos membros fundadores: Onuki, responsável pelas vozes e por comandar todos os sons que ali se ouviam de bateria, baixo, sintetizadores, etc. e Agata, a tomar conta da guitarra e do extenso leque de pedais a seus pés que faz muitas vezes a guitarra soar a outra coisa qualquer que não uma guitarra. Foi assim que os vimos subir a palco na Zé dos Bois. Já há muito que imensa gente esperava isso e isso notou-se na curiosidade das pessoas pelo público e pelo próprio encontro de gerações que ali se viu.

Assim que subiram a palco e Agata começou a pôr a sua guitarra a fazer ruído, foi muito rapidamente que Onuki pegou no seu aparelho repleto de luzes coloridas, que assim davam mais luz ao palco quase como se a sua mão estivesse repleta de strobes e, como uma batuta imaginária, deu ordem para que a bateria e o baixo começassem sempre bem acelerados e frenéticos, a pôr toda a gente ali no público a mexer. Sempre com músicas bem curtas, uma após a outra e sem direito a pausas. Ninguém ali queria que parasse, na verdade. Após cerca de 30 minutos de concerto, na primeira vez que pararam para se dirigirem ao público, como que a cumprir o ritual de simpatia, contaram que estiveram a beber vinho verde, que não acreditavam como só agora é que estavam a tocar em Lisboa e como se encontravam agradecidos daquele público todo a esgotar a ZDB. Nós é que agradecemos!

Durante o concerto desenrolou-se um mosh, crowdsurfing, forte headbanging. Tudo o que se esperava que os Melt Banana tivessem direito quando nos viessem visitar. Todo o público a suar em bica, pela agitação toda que ali se via e pela alta temperatura da sala (que, claro, vinha da agitação do povo) agradeceu os momentos em que a banda parou um bocadinho, para todos respirarem um pouco. Enquanto isso, Onuki usa do seu aparelho para soltar uma matilha de cães (ou os seus latidos, vá). A música acelerada recomeça e volta a atiçar o público todo durante uns breves minutos. Com direito a um fugaz encore, mas nem uma hora de concerto é demasiado pouco. Espera-se rapidamente o seu regresso. Ao estúdio ou aos palcos.



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