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Missoni

A marca italiana prova ser para todas as gerações, tendo a própria família como matriz desse objectivo.

As famosas malhas são o elemento vital à volta da qual gira todo o sentimento da marca. Um vibe muito interessante, positivo e leve para voltar a descobrir.

Sempre tivemos uma atracção pela Missoni, pela intemporalidade e o aspecto raro das peças, que no fundo sempre tiveram também uma aura de convencionalidade. As tramas elaboradas e a qualidade única das malhas sempre transformaram os itens da marca em objectos de desejo. Os pullovers delicados da Missoni, com os motivos geométricos de uma complexidade que em nada perturba, apenas revelam preciosidade e em certo espírito orgânico. Os fios destas malhas abstractas podem ser de seda, algodão ou linho, e provam a paixão de Ottavio Missoni pelos materiais. As ondas e os ziguezagues ganham forma através das texturas mais suaves ou curiosas. A ligação da Missoni com a moda é diferente, o elemento chave das colecções é a particularidade dos efeitos nas malhas, embora os patchworks também aparecem no seu universo de moda. Missoni emerge no início dos anos 70, inserido numa grande tendência eco e hippie que já vinha da década anterior a juntar a um certo apelo pelo artesanato e pela manufactura tradicional, e até por temas rurais. Itália está no topo da produção das malhas na década de 80, com marcas como a Benetton a liderarem o mercado exportador, e sendo ao mesmo tempo adoptadas de uma forma bastante universal por vários tipos de consumidores em vários países, incluindo Portugal. Missoni teria uma abordagem ligeiramente diferente em relação a esta conjuntura.

Ottavio Missoni nasceu em 1921 em Ragusa na Sicília, filho de um capitão marítimo, Vitorio Missoni e de uma condessa com origem dalmaciana, Teresa de Vidovich. Antes da Segunda Grande Guerra foi sempre um atleta internacional no domínio da corrida, e depois da guerra consegue montar um negócio com um amigo fazendo fatos de treino – os seus equipamentos Venjulia acabam por vestir a equipa italiana de atletismo em 1948 que acaba por alcançar grande destaque nos Jogos Olímpicos desse mesmo ano. Ottavio Missoni afirma numa declaração oficial, “Eu entrei na minha carreira um pouco por acaso em 1947 quando vi uma muito simples máquina de tecer na casa de um amigo em Trieste. Foi fascinante como um novelo de lã deslizava por uma fileira de agulhas para dar vida a uma malha.”

O negócio – hoje sediado em Varese, no norte de Itália – está neste momento nas mãos dos filhos, tendo como maior protagonista Angela Missoni que gosta de estar em Londres para destacar a marca nos canais adequados. Este ano, a exposição no Museum of Everything de Peter Blake, numa das suas localizações em Primrose Hill, teve a família Missoni como centro do trabalho de Juergen Teller. As peças da marca foram vestidas por amigos e personalidades, e por eles próprios numa abordagem simples e divertida, naquilo que é a campanha desta Primavera/Verão 2011, imersa no realismo das fotografias do artista alemão que temos como um dos principais nomes na produção de imagens de moda. Angela Missoni diz no site oficial da marca que “a ideia para a série de fotografias veio da capa de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” [álbum dos Beatles de 1967] naquilo que é o seu mosaico de cores, caras e looks.” Além de toda a família, Ottavio e Rosita e os filhos Vittorio, Luca e Angela, os netos Francesco, Margherita, Ottavio Jr., Marco e Jennifer, entraram na campanha amigos e personalidades ligadas à moda como a modelo Jacquetta Wheeler e Joan Burstein, a dona da loja Browns, que terá influenciado 40 anos de moda na capital britânica.

A Missoni soma e segue no mundo da moda e das artes. O core das colecções – as malhas – continua a ser fulcral na apreciação da marca. São exactamente as peças de roupa, os objectos em si que estão no cerne do universo Missoni. Segundo o próprio Ottavio Missoni: “Claramente, sempre existiram malhas, apenas quebrámos o molde, aborrecemos a norma e aparecemos com aquilo que é agora considerado o estilo Missoni.”



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