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Nite Jewel @ ZdB

5 de Setembro de 2009.

Ao olhar para um palco revestido de sintetizadores e teclados, mesmo o mais aventureiro dos presentes, o que vai na descoberta de novos sons, terá desconfiado. Na música de Nite Jewel não há espaço para as guitarras clássicas nem baterias – pelo menos, no que diz respeito à componente física. Logo à partida, ao olhar para o palco, o mais aventureiro dos presentes só poderia esperar música para dançar. A estreia de Nite Jewel, aka Ramona Gonzales, acabou por provar que a experiência física é importante, mas não é o essencial.

Os três músicos entram em palco e, primeira constatação, afinal o set não é composto apenas por teclados e sintetizadores, Corey Lee Granet traz um baixo com ele. Do outro lado, o esquerdo, Emily Kuntz atira-se, descalça, aos teclados. Mencionámos o calçado – ou a falta dele – porque esse também é um facto importante na (ainda) curta vida do projecto. A banda surge de forma simples. A teclista, referíamos, vem descalça, de saia e sem grandes aprumos. Jewel vem também ela de saia e chinelos. Lee Granet, por seu lado, é o protótipo do vestuário normal de um homem sem grandes preocupações, seja lá o que isso for.

A banda cumprimenta o público e dá início ao espectáculo. Desde logo surge uma bateria samplada e a voz angelical de Jewel que nos sopra nos ouvidos e se arrasta ao longo da canção. O segundo tema tem um ritmo mais acelerado. Dá para dançar, mas de uma forma sentida, sem grandes euforias.

A terceira canção é dedicada por Jewel ao “esgoto que é Los Angeles”. A artista refere-se várias vezes à sua zona residencial. Nenhuma das menções é elogiosa. Supomos que se refere apenas ao local em si, uma vez que, segundo informação disponível no site da ZdB, Jewel tem vários amigos e colaboradores na Costa Oeste.

Nite Jewel foge dos canones pop a que estamos habituados. A actuação é intensa, as canções curtas e directas, a música etérea e algo a que podemos chamar de electro-qualquer-coisa-pop. Há sons esquisóides e algumas breves menções ao techno.

À medida que o concerto avança, a temperatura sobe, mas Jewel ignora-o e apela ao aproximar do palco. Fixamo-nos naquela figura franzina e dela não conseguimos tirar os olhos. Alguns presentes tentam picar a protagonista gritando “LA”. A protagonista deixa-se picar e responde “LA? Vivam os Lakers!… OK! Estou a brincar, eu nem gosto de desporto”. A boa disposição foi dominante. Jewel cumprimentou, pela janela, quem estava do lado de fora e, já em encore, respondeu a mais um comentário do público. “Não te cales”, ouviu-se. “O que disseste? Não te consigo ouvir. Aliás, estas luzes incomodam-me”. Foi a última vez que ouvimos a voz de Jewel antes da última canção.

Alguns precalços à parte, a estreia de Nite Jewel no nosso país correu bem. E deu para dançar? Pois claro que deu, de forma algo contida, tal como a sua música pede.

Antes, O Uivo estendeu a sua parafernália de música electrónica cheia de desvarios sónicos que animou os presentes que pensaram que o concerto de Nite Jewel seria à hora marcada no cartaz/site.



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