“Occupy” | Noam Chomsky

“Occupy” | Noam Chomsky

Não se pode ser neutro num comboio em movimento

“Occupy” reúne um conjunto de breves intervenções públicas de Noam Chomsky (n. 1928) a propósito do movimento iniciado a 17 de Setembro de 2011 em Wall Street, Nova Iorque, em pleno coração do sistema financeiro mundial, e depois estendido a outros pontos do globo.

Nestas intervenções, Chomsky, veterano guerreiro incansável das lutas cívicas e personificação do intelectual engagé, retoma algumas ideias da sua obra, extremamente crítica dos poderes que (des)governam o nosso mundo. Assim, a agenda do Occupy – que passa pela moralização dos mercados financeiros, pela crítica da partidocracia e pela denúncia das desigualdades sociais – beneficia do insight de Chomsky, ele que desde há muito aponta os aspectos disfuncionais das democracias ocidentais, com os Estados Unidos da América à cabeça.

Declaradamente inspirado em movimentos de protesto contemporâneos (dos acontecimentos da chamada Primavera Árabe aos protestos dos Indignados em Espanha, passando pelo Tea Party nos Estados Unidos), o Occupy partilha com os anteriores a linguagem do protesto, assente sobretudo na ocupação do espaço público, na resistência passiva e na desobediência civil. Como todos os movimentos “inorgânicos”, é internamente muito heterogéneo e pouco hierarquizado, fragmentando-se numa miríade de grupos locais com acções mais ou menos concertadas entre si.

É sabido que nem todos os movimentos de protesto recentes têm tido “finais felizes”, como bem o atestam a eleição de um partido islâmico no Egipto, a ascensão da extrema-direita na Grécia ou a votação massiva num comediante em Itália. Que capacidade terá num futuro próximo o Occupy de influenciar as transformações políticas que proclama necessárias, ninguém sabe. Contudo, ninguém poderá acusar Chomsky de falta de coerência e empenho nas mudanças que há muito reivindica.

Uma palavra para a Antígona, cujo catálogo libertário urge redescobrir, também ela resistente num mundo do livro cada vez mais dominado pelas grandes editoras.

A message by Noam Chomsky from Antígona on Vimeo.



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