“Porque falham as nações” | Daron Acemoglu e James A. Robinson

“Porque falham as nações” | Daron Acemoglu e James A. Robinson

Porque há um economista de bancada em cada um de nós

Nos dias de hoje, pode dizer-se que a economia se transformou num novo futebol. Cercados por programas televisivos, comentadores, livros e revistas, tendo como pano de fundo a economia, os mercados, as taxas, a retoma, os buracos financeiros e outro palavreado próprio do mundo dos gráficos e cifrões, transformámo-nos forçosamente em economistas de bancada, olhando para o orçamento mensal familiar como um jogo táctico onde o principal objectivo não é ganhar, mas chegar ao final dos 90 minutos sem sofrer expulsões ou ficar com jogadores lesionados.

Daron Aceloglu e James Robinson, economistas de coração e vocação, quiseram com “Porque falham as nações” responder a uma pergunta que tem moído o juízo de peritos e comuns mortais ao longo dos anos: porque é que umas nações são ricas e outras pobres, separadas pela riqueza e a pobreza, a saúde e a doença, os alimentos ou a fome?

O ponto de partida é Nogales, uma cidade dividida por um muro e que conhece duas realidades bem distintas: a mexicana e a norte-americana. De um lado há criminalidade, pouca literacia, um sistema de saúde pavoroso, corrupção e um desemprego considerável; do outro, nem por isso. Para compreender o porquê de tanta desigualdade, tanto em Nogales como no resto do mundo, há que mergulhar no passado e conhecer a dinâmica histórica das sociedades. Começa assim uma incrível viagem ao passado, onde do programa turístico fazem parte visitas à colonização espanhola – em contraponto à inglesa -, à revolução francesa, à revolução industrial e também a vários países de África, às duas Coreias e à China.

A Revolução Industrial é o instante fatal, a partir do qual se geraram as maiores desigualdades entre países – uns apanharam o comboio e outros deixaram-no partir. Os cientistas sociais propuseram várias hipóteses para explicar a enormidade desta desigualdade, mas nenhuma das hipóteses é aqui aceite pelos autores. Assim, às hipóteses geográfica, cultural e da ignorância, contrapõem antes a necessidade de estudar a política e os seus processos. A tese dos autores é mais ou menos esta: são as instituições criadas pelo Homem que determinam se um País será rico ou pobre.

Surgem então conceitos como instituição políticas extractivas e inclusivas, destruição criativa, num livro que é uma peça notável sobre ciência política, economia e história, com histórias fascinantes que atravessam fronteiras e viajam através dos séculos. De leitura obrigatória para economistas a sério, a brincar ou de bancada.



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