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“Othello (Bye Bye)” @ Teatro Maria Matos

Dood Paard no alkantara festival 2012

A companhia Dood Paard, depois de ter marcado presença no alkantara festival 2010, voltou a Lisboa para apresentar Otelo. Nos dias 3 e 4 de Junho as personagens do clássico de Shakespeare ganharam vida no palco do Teatro Maria Matos, interpretadas por Kuno Bakker e Gillis Biesheuvel com o apoio do actor holandês-marroquino Chaïb Massaoudi.

A representação começou mesmo antes de os espectadores entrarem na sala, com o aviso de que um dos actores estava atrasado e de que a peça ia começar sem ele. Entrando apressadamente pela porta dos espectadores, o actor “em atraso” pede desculpa pela demora e faz todo o trabalho de caracterização em palco. Esta encenação augurou a contínua interacção entre actor e espectador e espelhou a mistura entre ficção e realidade.

Depois de uma discussão cómica sobre quem começava a representar, os actores gritam “Start” – momento em que o público percebe que não se tinha enganado na sala e estava mesmo a assistir a Otelo.

De uma caixa de madeira saíram Iago e Rodrigo, mostrando estranheza por estarem a ser observados. O que restou da caixa serviu como único palco, onde os actores representaram um jogo tanto simbólico como literal de puro equilíbrio.

Baseada no discurso dramático de Shakespeare, a encenação procurou misturar um texto clássico com uma linguagem e um cenário contemporâneos, mas sem lhe distorcer o sentido. A grande particularidade desta peça foi a forma como foi representada: os actores batiam-se e discutiam como se estivessem num ensaio, montavam o cenário à frente do espectador à medida que iam representando, tinham sempre consigo garrafas de água que bebiam quando tinham sede e até “pararam” a peça para beber chá.

A representação tentou dar ao texto um tom muito espirituoso e contou com várias gargalhadas do público, muito conseguidas pela incrível expressividade facial e gestual dos actores.

Sendo uma peça recheada de bom humor, interpretada por dois homens de ceroulas e de lenço, que tanto faziam de homens como de mulheres, conseguiu da mesma forma transmitir a mensagem do texto original. O mouro de Shakespeare que dizia ter vómitos só de pensar em Desdémona foi contaminado pelo ciúme, da mesma forma que o racismo contaminou Iago e Emília.



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