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Primavera Sound 2025 | Dia 3 (14.06.2025)

Dia 3 (e 4) do Primavera Sound Porto e só deu Parcels

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O Primavera Sound já deixa saudades… e a culpa, neste dia, é totalmente da banda australiana.

Com edição já marcada para 2026 – 11 a 13 de junho, mesmo local -, o festival portuense terminou nas 110 mil pessoas, que acorreram à beira-praia para ver, no penúltimo dia, Jamie XX, Haim, Turnstile, Wet Leg mas, sobretudo, Parcels. Ou teremos sido só nós?

A banda atuou no palco Vodafone ao final da tarde e o encontro de tempo e espaço não podia ter sido mais feliz. Os australianos encaixaram que nem uma luva naquele por do sol, que se tornou inesquecível para um casal apaixonado que apanhamos algures a meio do anfiteatro natural: enquanto a portuguesa Maro subia ao palco para cantar com eles «Leaveyourlove», um namorado apaixonado pediu a namorada em casamento (e nós assistimos a tudo). Um pequeno detalhe da magia que foi aquele concerto, difícil de rivalizar.

A banda australiana até pode não ter material novo para nos apresentar, mas goza de um crescente estatuto de “menino bonito da música” por estas bandas e isso, por si só, já explicaria a enchente. O certo é que, em 16 canções, conseguiram não só explicar esse sucesso por terras lusas como consolidá-lo. Especial destaque é difícil de dar, mas «Yougotmefeeling», «Safeandsound» e outras músicas de títulos igualmente colados caíram que nem ginjas ao final da tarde, e “Overnight” foi tão bom que foi cantado duas vezes, uma a abrir e depois em jeito de despedida. Que bom que isto foi… Entra diretamente para o “hall of fame” de 13 edições, arriscamo-nos a dizer! 

Mas recuemos no tempo (desculpem irmos logo ao assunto, mas é difícil falar do terceiro dia de Primavera e não mencionar os Parcels a toda a hora…). Depois do Eu.Clides receber com alegria quem chegava a meio da tarde, no Palco Porto, dissemos obrigada e seguimos diretos para o Revolut, onde já se ouviam as «Baleias», de Roberto Carlos, sinal claro de que, a qualquer momento, iria tocar David Bruno. 

De Vila Nova de Gaia a Matosinhos são só uns quilómetros, mas sentimo-nos imediatamente transportados para Miramar, Mafamude ou “Paradise Village” em poucos minutos, naquele que foi, sem dúvida, um dos concertos mais animados desta edição. 

O cantor-observador da portugalidade não se coibiu de demonstrar o regozijo por ser o “primeiro gaiense a atuar duas vezes seguidas no Primavera Sound Porto” e, orgulhoso, não perdeu tempo a desfiar êxito atrás de êxito, para gáudio dos fãs e risos de quem ainda não o conhecia – estrangeiros incluídos. 

Entre rosas de plástico atiradas ao público, juras de amor a travessas de inox e assadores de chouriço e apelos pela salvaguarda dos tascos mais tradicionais, David Bruno fez séria concorrência a Kim Deal enquanto a antiga baixista dos Pixies tocava no palco principal. Mérito a duplicar e com direito a “cameos” do lore davidbrunista: em palco estiveram Rui Reininho de fato de treino de veludo, a musa Helena de Vilar do Paraíso e Presto, dos Mind da Gap… Só faltou a Gisela João para completar o ramalhete de Sangue e Mármore, mas a ausência foi colmatada pelas guitarradas de Marquito, as acrobacias de António Bandeiras (ou “o Homem-Aranha das Caxinas” – que cortou o cabelo em pleno palco) e as exortações a figuras como Valentim Loureiro ou Isaltino Morais. Impossível escolher entre “bops”, mas o inevitável «Inatel» final fica-nos na memória, como sempre. Benditos sortudos que o puderam (re)ver uns dias depois no Meo Kalorama. 

Mesmo assim, também é justo destacar outras atuações, que, desde a abertura de portas, também deram tudo neste terceiro dia de música: a já mencionada Kim Deal – que também passou pelos Breeders – esmerou-se na entrega do seu “Nobody Loves You More”, mas atingiu a apoteose ao abordar «Gigantic» e «Cannonball», das suas outras andanças sonoras. Palco principal merecido. 

Seguir-se-ia, nesse mesmo palco, o empoderamento de Wet Leg, cujo espetáculo ficou ensombrado pela possibilidade… de aparecer Harry Styles. Sim, o cantor britânico foi visto com a banda no dia anterior, em Lisboa, e os rumores começaram a causar burburinho pelo recinto, neste penúltimo dia. Muitos foram ver Wet Leg na esperança de se cruzar com o ex-One Direction e acabaram por ficar, rendidos à eletrizante atuação de Rhian Teasdale e Hester Chambers. 

Uma espécie de “amuse-bouche” para andanças mais agressivas, como Destroyer (que fez jus ao nome) e Squid, que tiveram de competir com HAIM e – se nos perguntarem – ganharam… Não era difícil, tendo em conta a falta de energia das três irmãs californianas (que venciam na fama, mas não convenciam nos seus dramas de um “i quit” que ainda nem tinha saído). Mas, sobretudo, para Turnstile, que começam rapidamente a ganhar estatuto de banda sensação e, com “Never Enough” provam que merecem todo o accolade. 

O ponto final mental aconteceu com Jamie XX, em formato DJ-set que – confessamos – nos deixou com amargo de boca: quem foi à procura de The XX saiu desiludido, mas a culpa é das expectativas, porque energia e espírito de rave não faltou… nem decibéis. 

Só não dizemos que este terceiro dia foi o perfeito final explosivo para esta edição porque, este ano, o festival encerrou no domingo com uma espécie de sunset.

É verdade: o palco Revolut foi invadido por dj’s num inédito quarto dia para o adeus ao Parque da Cidade do Porto – que, na verdade, é um até para o ano. Demos uma volta rápida por lá no domingo e gostamos do que vimos: a azáfama de dias passados deu lugar a uma estranha calmaria, apesar da agitação dos sets. Foi bom poder passear pelo recinto sem esperar em filas, sem ter de correr de um palco para o outro para conseguir ver tudo e, mais do que tudo isso, foi muito muito feliz ter espaço para dançar livremente ao som dos clássicos com um sol maravilhoso a beijar-nos a pele. Não sabemos se teremos novamente este dia bónus, mas vai ficar na memória.

Marcamos novamente encontro no Parque da Cidade em 2026?

Leiam aqui as reportagens do primeiro e segundo dia do festival.



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