“RAPE” – Teatro da Politécnica – Fotografia de João Porfírio

RAPE – estudo de um ingénuo amor

Temas controversos e tabu, em cena até 4 de julho no Teatro da Politécnica.

Violação, incesto, um amor ilusório e obsessivo que corrói e destrói a relação entre dois irmãos quando numa noite, eram ambos umas crianças, são esquecidos pelos pais e têm que voltar sozinhos para casa.

É em volta deste enredo que, de forma intensa, Rita Silvestre e Rui Westermann interpretam o texto de Andre Neely : RAPE – um ingénuo amor.

“És a mulher mais bonita que alguma vez vi” repete continuamente a personagem masculina, ao longo de anos, para a sua irmã, vítima de violação, que fica à espera de um príncipe encantado por quem se apaixonou e se deixou desflorar numa noite que, só no fim da peça, se torna clara: para ela e para o espetador.

O autor do texto disse ao Rua de Baixo em que se inspirou: “Em termos de temática, foi uma coisa que acabou por surgir naturalmente porque eu estava a pensar muito nas nossas reações e se elas são inatas se são controladas pela. E, na altura, estava a haver um caso polémico sobre rape apology e victim blaming em que, em tribunal, perguntavam à vitima quanto é que ela tinha bebido antes e quão curta era a saia e que foquei-me muito e fiquei bastante interessado em como é que é possível, numa situação de violação, essa ser a preocupação”.

"RAPE" - Teatro da Politécnica - Fotografia de João Porfírio

“És a mulher mais bonita que alguma vez vi” diz o irmão, apaixonado, para a irmã sempre que a vê, sempre que fala com ela mesmo após longos períodos  de afastamento, impostos pela vergonha de falar sobre o sucedido e pelo divórcio dos pais.

Leonardo Garibaldi, encenador da peça, confessou que a ideia era exatamente incluir temas controversos da sociedade e referiu que a expetativa é que a peça “faça, pelo menos, pensar e que as pessoas criem uma opinião. Porque é um tema muito complicado, são vários temas complicados – a violação, o incesto – onde é que começa o incesto e onde acaba; onde começa e acaba a violação”. André Neely partilha da mesma visão, fazer as pessoas pensar “principalmente as coisas que fazemos ou dizemos sem pensar e que não pensamos o quão problemáticas elas podem ser”.

O autor do texto, ex-colega do encenador e seu amigo, está atualmente a viver em Londres mas afirma que é bom ver a sua peça em Portugal: “E estar lá e querer estar aqui, estar mais presente e tentar ajudar e falar através do skype: é interessante e é bom. Faz-me sentir bem saber que é aqui em Portugal e que eles pegaram nisso e que aquilo que eu estou a fazer lá continua a ser relevante para eles”.

 

RAPE – estudo de um ingénuo amor , de Andre Neely
25 junho a 1 de julho 2015, 19h (exceto domingo e segunda)
2 a 4 de julho 2015, 21h
Teatro da Politécnica
Preço único | 6€



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