Sigur Rós @ Campo Pequeno (14.02.2013)

Sigur Rós @ Campo Pequeno (14.02.2013)

Luzes, cordas e sopro numa viagem sensorial

Os Sigur Rós deram anteontem o kick-off na sua tournée internacional no Porto e reservaram para o dia de São Valentim um concerto em Lisboa. No palco do Campo Pequeno, a banda voltou a Lisboa depois de um longo interregno nos espectáculos ao vivo para um concerto com capacidade esgotada, ou seja, cerca de seis mil pessoas.

A primeira parte esteve a cargo da banda Blanck Mass, projecto a solo de Benjamin Power. DJ de sons voltaicos, prende-nos a padrões melódicos sem ordem aparente, sobrepostos em layers. Devido ao véu que cobria todo o palco, não foi possível perceber se em algum momento usou mais do que sintetizadores e mesa de mistura. Fica no ar o mistério.

Como se de um intervalo se tratasse, as luzes do campo, que se fez pequeno para tanta gente, acenderam-se para que os que chegaram mais tarde se preparassem para o que aí vinha. Uma pausa demasiadamente extensa fez aumentar o nervoso miudinho e a ansiedade. Às 22 horas em ponto, as luzes finalmente desligaram-se e entraram em palco aqueles por quem se esperava.

O concerto iniciou-se por detrás do véu que torneava o palco e que foi recebendo projecções e jogos de luzes que mostravam a silhueta dos membros da banda. Mas este caiu à terceira música e apresentou, não só os Islandeses, mas também uma decoração cénica que, apesar de simples, acabou por ser complexa pela várias luzes espalhadas pelo palco, a diferentes alturas e em variações de intensidade.

Jónsi, cuja voz é indescritivelmente límpida e vibrante, conseguiu fazer maravilhas com a guitarra que por poucas alturas conhece o toque da palheta ou de dedos, uma vez que o músico recorreu ao arco de violoncelo durante praticamente todo o concerto; e ainda assim fez as cordas vibrar com a sua própria voz.

Ajudados por um trio de cordas (violinos) e sopro, os Sigur Rós apresentaram-se sem um teclista ‘residente’, mas nem por isso deixaram de usar este instrumento.

O som do baixo é mais intenso, prevendo-se um regresso aos álbuns com algumas alterações no rumo que até aqui tomavam, já que foram apresentadas algumas músicas novas. Um som mais sombrio e intenso (se é que isso é possível) mostra uns Sigur Rós não tão angelicais, mas ainda assim dentro de um estilo que os próprios definiram.

O público respondeu sempre positivamente, reconheceu as músicas e acompanhou-as (embora que timidamente) a compasso de palmas. Sempre a vibrar, e a receber milhares de sensações que a música transmite, o entusiasmo é peremptório quando os primeiros acordes são reconhecidos.

No início do concerto ouviu-se alguém gritar “toca aquela”. O Campo Pequeno riu e a banda não desiludiu: tocaram essa e todas as outras. Um concerto cheio de intensidade e emoção que elevou a fasquia do seu género e agradou a um amplo intervalo de idades, no que toca ao público que acompanha o percurso da banda.

Um concerto de Sigur Rós é uma experiência sensorial e emocional diferente, altamente aconselhável – limpa a alma e despoja-nos de tudo, tornando-nos permeáveis ao que a banda transmite. Esperamos que voltem em breve.

Fotografia por José Eduardo Real



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This