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Slam LX #5

A palavra morde a língua.

Ah? Como? O quê?

Isso. A palavra morde a língua e quando não moí a cabeça não presta!

Isto é o que acontece nas noites de poetry slam no Musicbox, no Cais do Sodré.

Há palavra dita em palco, com cronómetro até aos 3 minutos, há um júri entendido. Tudo numa noite dedicada aos autores, na discoteca que nos habitua a bons concertos e que lhe abre a porta a caminho de uma finalíssima no Festival Silêncio em Maio.

Também há convívio, o (bom) humor de Filipe Homem Fonseca e música com o DJ Mike Stellar.

E há a regra de ouro do poetry slam: a performance, daqueles que sobem ao palco e para os quais não basta levarem apenas palavras e rimas. Ritmo, cadência, postura, colocação da voz, linguagem corporal. É tudo o que Slam pede a todos os talentos que nas cinco edições tem chamado ao palco.

E que te pede a ti: as inscrições para a próxima edição LX fazem-se na página do facebook de Slam LX.

Mas, at the end of the day – que também poderia ser no final do dia, mas que não é bem a mesma coisa apesar da lição desta 5ª edição ter sido as não barreiras da língua – o que fica e marca estas noites são as mensagens que andam no ar e não desaparecem entre o fumo dos cigarros. Ou não?

É que sejam bem ditas, mais bonitas, mais bem ou mal vestidas, com melhor ou pior performance, o que na verdade se pede às palavras, é que se desprendam da performance lá de cima do palco e fiquem a “cutucar” a nossa mente cá em baixo e se aproximem de nós como o beijo de um desconhecido, ou um empurrão bem dado.

Elas andam aí, a morder-nos a língua a toda a hora, porque a toda a hora há mensagens, banalidades, paixões, informações, histórias, sentimentos, homens, mulheres (de “maminhas descaídas” que até essas deram tema a um poema”).

E no fim das contas, assim é que é em Português numa noite que começou em bom Inglês com um convidado especial; todos ganhamos quando a noite é cheia de palavras boas, seja em que língua for, e melhor ainda quando não tem barreiras.

Aqui fica a prova, convite, mordidela de Sean Mulroy, convidado da quinta edição do Slam Lx.

Sean Mulroy

Sean meteu-se num avião a convite do Slam Lx, veio conhecer Lisboa e dar a conhecer o livro “The Pornography Diaries” e o seu trabalho em www.thevanishingman.com.

No spoken word de Sean Mulroy houve de tudo, muito instinto, vida, muita sociedade, muito orgasmo, pouco orgasmo… e para a próxima edição…

Are you coming to?….

Something Else

the first cock I saw was in a catalogue.

they were selling sex
tapes
I fished it out of an old man’s mailbox
I’m sure he was disappointed.
when it didn’t come–

I came
for weeks
my door had no lock on it
I was 14 and terrified.

witness the power of the explicit image
destabilizing adolescent orbit
the concentric circles of maturation
growing ever wider
under the weight of desire
the velocity of exodus bidding farewell
home planet still is every body like this?
doomed satellite seeking new orbit
to wrap itself around

like the tuning of an imperfect radio
hands fumble with the knob
“I’ve been looking for truth,” is the blues
and finding pop song with great frequency
you’ll hear love.
love  love
love is all you need.
but do you want something else?

are the building blocks of instinct just foundation
for the towering mechanism of human culture
pornography like some bat in the attic
designed to sell you sex with some parasite
stitched under its skin
this is commodity
this is fetish
this is appropriation
this is sale     s-s-s-sale sale

sales clerk!

there is a boy wandering the department store
he looks a lot like me
has empty hands
appears lost and waiting
for something brighter
some promised thrill
eyes pointed upward
searching for someone
who will help him

among the thousands of skinny, angry people
packed into northeastern apartment complexes
like so many cheap cigarettes
they burn for nothing
want no body
are determined to be untouched
don’t ask them what they’re waiting for
they only speak supply/demand
and clichéd television workplace rhetoric
“when you work for a living, you’re dying,”

when you hunger for touch
you eat nothing

so try nostalgia fix for all first times
maybe once that was you–
what were you on?
a couch?     a button?
a bed?         a joint?
a bottle of whiskey,
the backseat of a car, unbuttoned
shirts,
skirts,
pants,
eyes     hands
taking in the body of a lover
like a foreign jukebox of endless
something else.

and maybe just that first time
you didn’t think about disease.
and maybe that first time
you didn’t think about pregnancy
maybe that first time
all you thought was
“…finally!”

Finally.
the hand extends
and lifts the chin
“hey.  you are beautiful,
be close to me.”

take that feeling
cushion it with collagen lips
throw in a bass drum beat
tie it to
something else
that nobody really needs
that’s your culture.
that’s your culture.
that’s our culture.

modernization
promised orchestra
we were supposed to be singing
by now.  we’re choking.
west     west     westward
optimism = bullets cheaper than food

sex is free!

to sell shoes
and then vanish
after the 30 second spot
love :     the lifestyle choice
to be experimented with
in college

like the first finger or fist
strangling out universes
in a single stream of constellations

lately?

I miss the guilt I used to feel after every orgasm
but not enough to deny that I have them.

We long for a conclusion that will never come.

though every movie we’ve seen ends
tears and explosions
kissing
credits
nobody loves like the movies
everybody loves
like children, waiting
for something brighter
some promised thrill
their empty hands are naked

prayers.  their eyes
pointed upward searching
for someone
who can help them.

Fotografia por Ana Jerónimo



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