Super Bock Super Rock 2015 | Dia #3 (18-07-2015)

Super Bock Super Rock 2015 | Dia #3 (18-07-2015)

A Florence é a máquina

Num Sábado apinhado de público desde cedo, registaram-se actuações interessantes em todos os palcos do SBSR, no dia em que Florence Welch brilhou a grande altura.

Mesmo que estivéssemos meio perdidos no calendário, com tanta volta dada pelo novo recinto do Super Bock Super Rock nos dias anteriores, o facto de haver tanto público ainda antes das 18h permitiria facilmente concluir que era Sábado.

Talvez por ser fim-de-semana, o cartaz arrancou lânguido, com o rock psicadélico arrastado dos Modernos, que serviu para ir aquecendo as máquinas para mais um dia exigente passado a pulular entre palcos.

Permanecemos nas bandas nacionais quando fomos espreitar Thunder & Co ao palco Antena 3, com Rodrigo Gomes e Sebastião Teixeira a proporcionarem ritmos fortes, com linhas de baixo bem apelativas, mostrando uma boa engrenagem em palco.

Em mais um nome premiado pela boa actuação no Vodafone Mexefest, os Palma Violets fizeram ecoar o seu rock aguerrido no Palco EDP, em tons que tanto remetem para Ramones como para MGMT, quando os teclados sobressaem um pouco mais.

Regressámos à zona da Antena 3 e confirmámos que os D’Alva ganham sempre. Pouco depois de celebrarem o primeiro aniversário de “#batequebate” e de um concerto memorável no NOS Alive, a banda de Alex D’Alva Teixeira e Ben Monteiro mostrou que consegue manter o som fresco, livre, leve e solto. Foi provavelmente o concerto que aglomerou mais gente em torno deste palco, tendo em conta que a escadaria da MEO Arena também estava repleta, e que foi obrigada a levantar-se para dançar ao ritmo sempre contagiante da banda. Como referiu Alex, cumpriu-se mais um capítulo importante para a história dos D’Alva.

Os Unknown Mortal Orchestra regressaram a Portugal e, no palco secundário do SBSR demonstraram realmente a mudança que ocorreu na sua sonoridade com o lançamento de “Multi-Love”, disco ainda fresquinho e que vieram apresentar. Tal como tinha afirmado Ruban Nielson, a banda encontra-se numa fase em que recorre mais aos teclados, ficando as guitarras mais em descanso. Os singles, quer os mais antigos quer os recentes, foram sem dúvida o clímax deste concerto, numa banda com culto em Portugal, como o prova o facto de estarem de regresso ao nosso País já em Novembro próximo (13 de Novembro no Armazém F, em Lisboa; 14 de Novembro no Hard Club, no Porto).

Marcelo, Mallu e Fred, também conhecidos por Banda do Mar, conseguiram reunir imenso público sob a pala do palco secundário. Algo que não será surpreendente dado terem esgotado diversos espectáculos em nome próprio anteriormente. Além dos temas do único trabalho de estúdio que detêm, houve ainda tempo para temas extra, de Mallu Magalhães a solo e até para reproduzir «Anna Júlia», um dos maiores sucessos de Los Hermanos, agrupamento ao qual pertencia Marcelo Camelo.

Uma das preciosidades contidas no cartaz do 21º SBSR eram os FFS, a recente joint-venture de Franz Ferdinand e Sparks. Em parte porque é rara a oportunidade para ver os Sparks por cá por outro lado, desconhece-se se esta aventura terá sequer capítulos adicionais.

Tal como no disco lançado há poucas semanas, as duas bandas conseguiram um equilíbrio bastante perfeito, sendo possível denotar pinceladas do som de ambas nos temas, sem descair para um dos pratos da balança. O som da MEO Arena esteve ao nível dos intervenientes, desta feita, e permitiu aproveitar da melhor forma a cadência que os FFS imprimem à sua prestação. Como seria de esperar, além das composições costuradas em conjunto, houve tempo para tocar músicas do catálogo de Franz Ferdinand («Walking Away», «Take Me Out», «Michael») e dos Sparks («When Do I Get To Sing My Way», «This Town Ain’t Big Enough For Both Of Us»), e também para um brevíssimo mas tremendo show de dança por parte do mítico Ron Mael.

Curiosamente, ou não, foi durante este espectáculo que a MEO Arena atingiu a sua lotação, o que fez com que durante um certo período o público que chegava ao pavilhão fosse obrigado a subir para as bancadas.

Quis o destino que este ano o Super Bock Super Rock apresentasse um dos cabeças de cartaz de Glastonbury. Florence & The Machine eram as estrelas do dia de encerramento. Quem desconhecia que Florence Welch fracturou um pé, há poucos meses, nunca diria que isso era verdade ao olhar para a cantora. Um verdadeiro animal de palco, com a sua habitual particularidade de correr desenfreadamente sem nunca perder um pingo de voz, que permanece num registo completamente cristalino.

Se dúvidas houvessem, ao olhar para o espectáculo que proporcionam, entende-se o porquê tem terem alcançado o estatuto de cabeças de cartaz nos maiores festivais europeus. Ainda que as canções muita vez soem demasiado semelhantes entre si, com excepção daquelas pertencentes ao primeiro disco, a actuação não tem máculas e Florence é facilmente proclamada rainha da noite, tal como reconhecia a coroa de flores que o público lhe ofereceu.

Nesta última noite, e como os pés já se arrastavam, fomos ao Palco Carlsberg, na Sala Tejo receber uma transfusão de energia operado por Throes + The Shine. Rockuduro é mesmo o termo perfeito para descrever o que acontece no concerto desta segunda joint-venture do dia.

Para encerrar as festividades foi chamado Djeff Afrozila, num set em que esperávamos mais influência das raízes do DJ que tem origens nos PALOP.

Foi o culminar de mais um Super Bock Super Rock, nesta nova casa no Parque das Nações, para onde está já agendada a próxima edição, entre os dias 14 e 16 de Julho de 2016.

Fotografia por José Eduardo Real. Galeria do primeiro dia aqui; Segundo dia aqui; Terceiro aqui. Reportagens do primeiro dia aqui; Segundo dia aqui.



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