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Traços, Cores e Ecos

Surrealismo Reinterpretado. “Eu-próprio os outros” na Perve, em Alfama.

A Perve reuniu a arte dos desenhos de Cruzeiro Seixas, de Alfredo Luz e das esculturas de Jorge Pé Curto nesta que é uma homenagem a três Mários falecidos: Botas, Cesariny e Sá Carneiro.

Traços, vi traços…

O traço condutor é o espólio raro de vinte e cinco desenhos originais de Mário Botas, um traço tão fino e peculiar que se tornou complicado de seguir pelos 90 anos dos olhos de Cruzeiro Seixas que o reinterpretou agora em vários desenhos patentes.

Mas o maior contributo de Cruzeiro Seixas foi o trabalho com Botas, ainda em vida, que se pode ver na exposição, nos raros cadaveres exquis, trabalhos colectivos dos surrealistas onde confluíam Botas e Seixas que estiveram intimamente ligados trabalhando depois com artistas como Paula Rego marcando este movimento surrealista que se actualiza na exposição.

Cores, vi cores

Os desenhos de Mário Botas são, para alguns, esboços inacabados. A um primeiro olhar, sim, depois está lá tudo, até demasiado. A exposição faz uma tentativa de reinterpretação e lado a lado vemos um novo olhar e colorir de Alexandre Luz por exemplo. Nascido no mesmo ano de Mário Botas foi desafiado reinterpretar estes desenhos originais da época que é talvez a mais interessante de Mário Botas quando o pintor, escritor e médico depois de ter auto diagnosticado um cancro que o levou à morte aos trinta anos de idade, se dedicou exclusivamente à pintura.

Jorge Pé Curto, escultor, agarrou-se às cores e formas, às translações do surrealismo de Botas para expor esculturas que tocam aquele que foi um caminho marcado por uma certa oposição aos surrealistas de Lisboa dos anos quarenta.

Ecos, ouvi ecos

Com base na novela poética de Mário de Sá- Carneiro Eu próprio o outro e evocando Mário Cesáriny a exposição mostra um surrealismo sem artigo: é surrealismo, de vários e de tempos e de hoje.

O tempo real da exposição é só até dia 15 de Abril! Depois pode tentar guardar-se esse eco num dos 150 exemplares do livro-objecto artístico da exposição que reproduz todas as obras e inclui serigrafias assinadas. Ou pode apenas trazer-se a certeza da alma viva do surrealismo, perene e cada vez mais actual nas suas infinitas metamorfoses e imagens.



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