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Sweet Billy Pilgrim

"Ser inteligente é não deixar uma boa música pelo caminho"

Foi nas terras de Sua Majestade, e sob inspiração do nome de uma personagem literária, que os Sweet Billy Pilgrim ganharam forma em 2003.

Do primeiro EP, “Stars Spill Out of Cups” foi extraído o single «Experience» que despertou o gosto dos ouvintes mais atentos e dos “olheiros” do mundo da rádio. A canção que deu título ao EP foi igualmente englobada no primeiro álbum de originais, “We Just Did What Happened and No One Came”, de 2005, foi considerada pelo The Sunday Times como uma das canções do ano e a Mojo Magazine deu-lhe quatro de cinco estrelas. Surge em 2009 o segundo disco, “Twice Born Men”, que superou qualquer expectativa, tendo sido nomeado como álbum do ano pelos Mercury Music Awards. Ao fim de três anos, a banda de Anthony Bishop, Jana Carpenter, Tim Elsenburg e Alistair Hamer edita o seu terceiro álbum de originais, “Crown & Treaty”, que estará à venda a partir do final do mês de Abril. A propósito da promoção deste último trabalho, os Sweet Billy Pilgrim estiveram em Portugal e a RDB não quis perder a oportunidade de trocar umas palavras com o líder da banda Tim Elsenburg. E desejamos amplamente que regressem para um concerto em nome próprio pois as suas músicas são deliciosas.

Como é que surgiu o nome da banda?

O nome da banda advém no próprio nome da personagem principal – Billy Pilgrim – criada pelo escritor surrealista Kurt Vonnegut para o livro tragicómico sci-fi e romance antiguerra com o título “Matadouro Cinco”. Billy é apenas uma pobre vítima de um universo que ele não consegue compreender, mas, através dele, ficamos a saber um pouco mais sobre as partes engraçadas e tristes de ser um ser humano. Acho que todo o tipo de arte acaba por fazer essa reflexão e então o nome da personagem pareceu-me ser uma boa escolha para o nome da banda.

O nome dá-nos ideia de que é uma só pessoa, mas afinal são quatro! Como é que se conheceram e como é que se tornaram uma banda?

O Alistair, o Anthony e eu já nos conhecemos há muitos anos. Eles eram amigos do meu irmão mais novo e, quando ele faleceu de repente, nós juntámo-nos várias vezes para ultrapassar a sua perda. Sendo nós homens, acabámos por descobrir que tocar músicas era mais fácil do que falar, e realmente – de uma forma ou outra – começámos a tocar juntos desde então: em sessões musicais de outros artistas, como uma banda de jazz-funk e até como um trio de rock. Até que um dia decidi que estava cansado de gravar as nossas músicas sem que nunca soassem como as tinha idealizado, e acabei por comprar um laptop e comecei a produzir todas as músicas sozinho. Foi assim que começámos. Posteriormente conheci a Jana através do Twitter e começámos por cantar algumas músicas juntos na festa de aniversário de um amigo [risos]. As nossas vozes em conjunto tornaram-se mágicas e essa reacção era visível na cara das pessoas e fez-me perceber que queria ter uma voz em foco do novo registo, em vez de ter apenas um outro instrumento. Estava convicto de que “Crown & Treaty”, este novo álbum, teria uma sonoridade mais aberta, acolhedora e a voz da Jana tornou-se fundamental para isso. Não acredito que levei muito tempo para perceber que a voz é a ponte que faz a ligação entre a música e o ouvinte!

Consideram-se uns verdadeiros peregrinos no mundo da música?

Responder a isso poderá ser um pouco presunçoso da nossa parte! Mas nós temos permanecido fiéis ao que fazemos e de uma forma bastante independente, tendo em conta o momento de enorme incerteza que a indústria da música enfrenta. De certa maneira, mantemos a nossa fé e seguimos por um caminho longo e sinuoso!

Há dois anos estiveram pela primeira vez em Portugal onde deram dois concertos: um no S. Luiz (sala fechada) e outro no Festival Super Bock Super Rock. Que memórias têm desses concertos?

Existe principalmente uma espécie de abertura por parte do público. Em Inglaterra existe uma espécie de moda liderada por uma atenção de curta duração para bandas, com base no que os media dizem ser cool. Isso muitas vezes pode levar a uma reacção tardia por parte do público e que nem sempre tem muito a ver com a própria música. O sentimento em Portugal e em Espanha é que as pessoas estão disponíveis para escutar coisas novas. As pessoas acabam por ir ao concerto apenas ver qual é a banda por mera curiosidade e isso faz-nos sentir muito felizes.

E em qual destes formatos é que gostam mais de tocar? Num espaço ao ar livre como um festival ou numa sala de espectáculos em nome próprio?

Nós preferimos uma sala pequena e só para nós. Tocar ao vivo é uma coisa séria e é desta maneira que ficamos a conhecer o nosso público e criar uma maior intimidade. Mas adoramos a oportunidade de experimentar e criar uma atmosfera semelhante para uma plateia maior. Acima de tudo, trata-se de uma grande troca de experiências e de comunicação.

“Twice Born Men”, o vosso segundo álbum, foi um dos álbuns que mais deu que falar em 2009. Teve direito a quatro estrelas dadas pelos críticos da revista Mojo e recebeu a nomeação de álbum do ano pela Mercury Music Prize. Estavam à espera de tanto sucesso?

Não, de todo! Foi uma surpresa maravilhosa! Esse prémio tem um enorme significado, porque a nomeação foi feita puramente pela nossa música e não fizeram nenhuma diferenciação quantitativa entre nós e os Kasabian, por exemplo, só porque eles venderam mais discos. Houve, a partir daqui, uma maior visibilidade para o grupo porque não passávamos de uma banda desconhecida e desta forma alcançámos um maior reconhecimento que fez com que todo o nosso sacrifício valesse a pena. Mas os Mercury Prize são fantásticos… são apenas sobre a música, tal como nós!

Sweet Billy Pilgrim – “Joyful Reunion” (Official Video) from Julian Simpson on Vimeo.

Estão a apresentar o vosso novo álbum “Crown and Treaty”. Como é que o descrevem?

Eu descrevo-o como uma exploração widescreen das nossas histórias pessoais e como nós podemos reconhecer os nossos fantasmas – galardoá-los, se quiserem -, antes de fazermos as pazes com eles e podermos seguir em frente para crescer enquanto seres humanos. Caso contrário, estamos constantemente a repetir os mesmos comportamentos de forma inconsciente durante toda a vida e esquecemo-nos de que estamos a perder um tempo demasiado valioso. Todas as músicas acabam por abordar essa temática, de uma forma ou de outra.

E quais são as principais diferenças neste álbum relativamente ao anterior?

Eu decidi gravar este álbum numa pequeníssima casa construída pertíssimo de um enorme jardim que era maravilhoso, e montei lá o meu estúdio numa sala que tem uma enorme janela com vista para esse jardim. Então, pela primeira vez, eu tinha uma bonita conspecção. “Twice Born Men” foi produzido e composto numa pequena casa de madeira sem janelas e até acho que a sonoridade do álbum reflecte um pouco da claustrofobia de um pequeno lugar. “Crown & Treaty” tem uma sonoridade muito mais aberta a avaliar pela lógica anterior. Daquela casa eu via o céu, a relva e as mudanças das estações e talvez por isso gosto de imaginar que este disco tem os braços um pouco mais abertos para o ouvinte. E também queria fazer um álbum que parecesse que custou um milhão de libras, mas que afinal não custou quase nada. Queria que fosse exuberante.

Qual é a canção (ou canções) que mais gostam neste álbum e porquê?

Pessoalmente gosto muito da «Blue Sky Falls» pela sua grandeza quase apocalíptica no final, até porque queria terminar o álbum com um estrondo! A «Kracklite» também é uma boa música pela alegria de a tocar ao vivo, sobretudo pelos riffs de guitarra a solo. E a «Arqueologia» faz-me sorrir porque eu tinha que garantir alguma complexidade que, na verdade, ajudou a tornar a música mais cativante. Ser inteligente é não deixar uma boa música pelo caminho.



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