The Attic

São dois, são de Lisboa e são bons. Fiquem a conhecer um dos mais interessantes projectos da música portuguesa da actualidade.

Sempre que chega uma maqueta e que coloco os head-phones nos ouvidos, sinto uma necessidade absoluta de ser surpreendido, algo que tem acontecido com muita frequência (ainda bem). As maquetas são um óptimo veículo de divulgação mas podem ser bastante traiçoeiras porque o patamar de satisfação do ouvinte é superior perante um qualquer álbum de alguém que já se conhece o trabalho. No caso dos The Attic a satisfação e agrado surgiram de forma dupla porque depois de ouvir a excelente maquete “MOD:E”, fomos brindados com o mais recente trabalho da banda, “Essay”, ainda em formato de maqueta mas com uma maturidade e evolução consideráveis.

O projecto é da responsabilidade de Rogério Silva na voz e Miguel Veríssimo no clarinete e guitarra aliando o lado mais jazzy proporcionado por Miguel ao timbre mais obscuro e denso de Rogério. O primeiro trabalho que tivemos oportunidade de escutar, “MOD:E”, para além de uma apresentação notável a nível gráfico, tem grandiosos motivos de interesse, principalmente o excelente “Running Creature”, tema que abre o registo, e o último tema, “Liquien Frostia Displei”. Pelo meio, encontramos temas mais ou menos melancólicos com uma nítida passagem pelo registo dos Silence 4, onde até uma voz feminina marca presença.

Em conversa com Miguel Verissimo, ficámos a conhecer mais um pouco sobre a história da banda que deve a sua existência à Internet, a única forma de ultrapassar os 2000 kms e a muita água que separa os dois membros fundadores, sendo que um vive em Lisboa e outro na ilha da Madeira. “Running Creature foi o impulso catalisador que provocou o início dos The Attic, na madrugada de 23 de Março de 2002, proveniente do encontro online entre Rogério Silva e Miguel Veríssimo”, conta-nos Miguel, continuando depois a descrever-nos o percurso do duo, “a composição seguiu viagem, via internet, e em Outubro de 2002, já com sete originais, dá-se o primeiro concerto, no Auditório do IPJ em Lisboa, com guitarrista e baterista convidados. Ainda nesse mês aparece a primeira maqueta, compilando todos os temas existentes – Homecrafted”

Em Março de 2003 a existência de novos temas proporciona a elaboração de “MOD:E”, o trabalho com mais visibilidade por parte dos media, valendo à banda muitas críticas positivas e um novo alento para continuar a trabalhar. O resultado desse trabalho está agora transformado em maquete tendo sido recrutado um guitarrista, André Santos, que abre novas perspectivas no que diz respeito às actuações ao vivo, como foi o caso do concerto de apresentação na Livraria Ler Devagar no Bairro Alto, onde ficou provado que a presença de um terceiro elemento é fundamental.

”Essay” traz-nos seis novos temas que, embora seguindo a sonoridade dos trabalhos anteriores, revelam uma crescente maturidade e uma presença em crescendo do clarinete, um toque muito especial dos temas da banda. A música é simples, harmoniosa e quase perfeita, onde que a voz de Rogério Silva está ainda mais forte e mais expressiva do que nunca. Quem ouve este registo percebe que a banda está no limbo do sucesso e que com uma boa rodagem ao vivo, pode encontrar o caminho para a felicidade que é o mesmo que dizer, gravar um disco.

É nessa rodagem que a banda aposta para o futuro imediato, tendo já agendado um importante concerto no Santiago Alquimista no dia 4 de Novembro.



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