The Last of Us – Left Behind

The Last of Us – Left Behind | Análise

No passado dia 14 de Fevereiro The Last of Us e os respectivos fãs receberam mais uma prova de afecto por parte da Naughty Dog. Left Behind apresenta-se como um DLC que promete, na forma de prequela, servir de complemento à história principal de The Last of Us. No meu caso, este DLC chegou como a desculpa perfeita para regressar a um dos melhores títulos de sempre. Prometemos não fazer spoilers mas tenham na mesma cuidado aqueles que não acabaram a história principal.

Antes de começar a falar da história quero primeiro deixar claro que este DLC não é uma simples forma de “espremer a coisa”. Left Behind é sem dúvida pertinente e consegue oferecer-nos mais um pouco deste mundo que consegue ser tão arrebatador e ao mesmo tempo tão literalmente emocionante. O conceito é muito simples, à medida que vamos alternando entre flashbacks e flashforwards vamos ficar a saber tudo o que se passou quando Ellie ficou sozinha a cuidar de Joel, ao mesmo tempo que nos vai sendo desvendado o seu passado em Boston com a sua amiga Riley. A acção de Left Behind decorre em dois centros comerciais, um no passado com as duas amigas Ellie e Riley  e outro no presente com Ellie sozinha a lutar pela sua sobreviência e a de Joel.

A personagem que controlamos neste DLC é como devem calcular Ellie, e alternar entre passado e futuro é tão diferente como a noite e dia. No passado temos Ellie e Riley, duas grandes amigas que decidem aventurar-se num centro comercial. Se jogaram a história principal, que mais uma vez aproveito para recomendar que o façam antes de jogar este DLC, já devem ter ouvido falar de Riley. Toda a amizade com Riley e todos os eventos que transformaram Ellie na rapariga que conhece Joel serão explicados nesta aventura no centro comercial. A narrativa não podia ser melhor, como seria de esperar. É incrível como personagens tão novas podem ter um peso tão grande. Esta simples ida ao centro comercial dá-nos tanto em que pensar. Uma vez que ao contrário de outros personagens (como Joel) que viram o mundo a ser devastado por uma pândemia, Ellie e Riley já cresceram neste novo mundo e como tal é perfeitamente compreensível que a sua percepção e interactividade com o mesmo seja completamente diferente, talvez até mais natural. É um misto de emoções passear pelo centro comercial e ver e ouvir (sempre com um trabalho de voz fantástico) as duas personagens a brincar e questionar-se sobre praticamente tudo o que agora faz parte de um passado completamente desconhecido para elas. Por um lado, é impossível não sentir pena que não tenham conhecido o mundo como… Como nós o conhecemos, certo? Mas por outro lado é tão bom saber, ou neste caso imaginar que uma amizade tão forte e tão bonita possa existir num mundo onde reina a lei do mais forte e onde confiar em alguém pode muito bem conduzir-nos à morte. Já no presente, ou futuro se preferirem, acompanhamos uma Ellie endurecida por tudo o que viveu até conhecer Joel e por todos os eventos que se iriam suceder. Encontramo-nos também num centro comercial, só que aqui temos como objectivo encontrar algo que ajude a tratar os ferimentos de Joel.

The Last of Us – Left Behind

Ao nível visual, considerem Left Behind como mais um fantástico exemplo de qualidade gráfica. Arrisco mesmo dizer que este nível de grafismo continua a impressionar tanto ou mais do que alguns títulos da nova geração. Os cenários são ricos, detalhados e, como já acontecia na história principal, cheios de interactividade pedindo que os exploremos de modo a descobrir tudo o que neles se esconde. Tudo isto sempre acompanhado por uma banda sonora e um trabalho de voz de luxo que só enriquece ainda mais a experiência que podemos encontrar neste DLC.

The Last of Us – Left Behind

No que diz respeito à jogabilidade, contem com a que The Last of Us já nos habituou. Podemos enfrentar os nossos inimigos de várias formas diferentes que, como já acontecia, nos deixava com vontade de voltar e explorar novas formas de confronto. É também na jogabilidade onde mais uma vez se nota a diferença entre as duas Ellies que conhecemos em Left Behind. No passado Riley assume (e muito bem) o papel de Joel, sendo mais velha e mais experiente é normal que seja Riley a assumir a liderança. A Ellie cabe o objectivo de se proteger, esconder-se se for necessário e em caso de extrema urgência utilizar a sua faca. No entanto a Ellie do futuro já não é uma simples criança. Aqui temos uma Ellie capaz de tudo para se proteger a si e a Joel. Podemos criar os nossos habituais itens utilizando os objectos que encontramos a explorar o cenário, temos um arco  e claro a sua sempre fiel faca. Não nos podemos esquecer, no entanto, que a Ellie não é o Joel, sendo muito fácil ficarmos em desvantagem. Temos de ser sorrateiros uma vez que todo o cuidado é pouco se quisermos ficar vivos para contar a história. Left Behind introduz também uma nova mecânica que é uma pena que não tenha sido inserida na história principal. Por norma ou lutávamos contra os infectados ou contra os sobreviventes humanos, sempre em separado e em situações diferentes. Pois bem, em Left Behind vamos deparar-nos com momentos onde temos de enfrentar estes dois tipos de inimigo em simultâneo. Cabe-nos a nós decidir como os enfrentamos e podemos fazê-lo de várias maneiras. No meu caso, eu preferi esconder-me e atirar uma garrafa. Ao partir-se, o barulho desencadeou uma luta entre os infectados e os homens que me queriam capturar. Parabéns aos vencedores que ao serem os últimos a ficar de pé receberam como prémio uma facada minha nas costas.

Em suma Left Behind é tudo o que precisam para voltar ao mundo de The Last of Us. Eu, confesso que fiquei com uma enorme vontade de voltar a passar toda a história. No entanto, não posso deixar de referir o principal defeito deste DLC, a longevidade.  2 horas, ou 3 se quiserem descobrir todos os coleccionáveis, ao preço de 14,99€ pode ser um pouco demais. No entanto se conseguirem contornar este facto, podem ter a certeza de que vão encontrar uma experiência incrível que complementa, e muito bem, a história principal.



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