Saint Seiya: Brave Soldiers

Saint Seiya: Brave Soldiers | Análise

Um exclusivo para fãs

Quem é da geração de 80 sem dúvida que se lembra de acordar aos fins-de-semana de manhã e ligar os desenhos animados da RTP. Nessa altura além dos desenhos animados americanos tinhamos os ocasionais Japoneses que representavam na altura tudo o que havia de melhor no mundo da animação e não havia criança que não os mencionasse. Eis que certa manhã algo de muito novo e diferente chegou. Lembro-me de mais uma vez, bem cedinho, ligar a televisão e deparar-me com um torneio. Dois tipos com armadura preparavam para se enfrentar, um personagem de cabelos Louros parecia mais confiante do que o outro. O combate começa. Com loucas gargalhadas o personagem de armadura cinzenta ataca o de cabelos louros, mas em vão. Lembro que nesta altura era praticamente tudo legendado e ao ouvir a troca de palavras entre os personagens apercebi-me que estava perante um novo desenho animado Japonês. Corri a acordar os meus irmãos mais velhos. Quando voltamos à sala já tinha terminado.

Chegou o próximo fim-de-semana e estávamos preparados. Com o vídeo pronto a gravar voltamos ao torneio e desta vez conseguimos ver a apresentação da série. Saint Seiya ou como dizia a tradução, Cavaleiros do Zodíaco. O torneio continuava mas desta vez estavam outros personagens na arena um com uma armadura de um dragão chamado Shiryu e outro com a armadura de Pégaso chamado Seiya. O combate começa. Nunca tinha visto tal coisa. Cada golpe desferido era de uma violência tal que o sangue jorrava como se não houvesse amanhã. Outro golpe, outro, outro e mais outro. Seiya está no chão mas mais uma vez levantava-se. Isto era sem dúvida o desenho animado mais violento que já tinha visto. No entanto, nada disto me chocava, antes pelo contrário, comovia-me. Os dois cavaleiros tinham um enorme objectivo a cumprir. Shyriu (o meu preferido, confesso) queria provar ao mestre que o acolheu que todo o seu treino não foi em vão. Já Seiya queria encontrar a sua irmã perdida e o torneio, de tão mediático que era, era uma óptima forma de o conseguir. Nenhum deles queria perder esta luta onde a honra falava mais alto e ultrapassava de longe o simples objectivo de ganhar o prémio final, uma armadura de ouro.

Várias foram as aventuras e sagas que Seiya e os seus companheiros tiveram de enfrentar. É por isso que Saint Seiya: Brave Soldiers chega às minhas mãos como um dos títulos mais nostálgicos de sempre. A Dimps já tinha sido responsável por trazer dois títulos da série para a Playstation 2. Com uma jogabilidade rápida e intensa e um modo história bastante completo a transição para a Playstation 3 tem tudo para ganhar.

Saint Seiya: Brave Soldiers

O modo história (Saint Chronicle) cobre as três principais sagas, a do Santuário, a de Poseidon e a de Hades. Em cada uma das três campanhas a deusa Atenas está em perigo e os cavaleiros de Bronze têm de ir em seu socorro. Infelizmente, em comparação com os títulos anteriores, o modo história fica aquém das nossas expectativas. Em vez das habituais cutscenes, todas as conversas são feitas em balões e a história é apresentada em slides com o narrador a descrever a situação em questão. Confesso que fiquei desapontado, ainda mais devido à Intro do jogo que oferece uma óptima qualidade de animação. É sem dúvida uma pena que não tenham feito mais para a história do jogo. Mesmo assim, não deixa de ser interessante reviver alguns dos momentos mais emblemáticos da série, só que tornava-se por vezes tão monótono que dáva por mim a interromper o modo história e a explorar os outros modos de jogo.

A jogabilidade é, no entanto, onde este título realmente brilha e a as três sagas do modo história oferecem-nos mais de 52 personagens jogáveis e cerca de 36 cenários. Um leque invejável para qualquer jogo de luta e que nos permite recriar vezes e vezes sem conta os combates que mais nos deixavam empolgados a ver a série, como por exemplo o de Shyriu contra Seiya no cenário do torneio. A mecânica de combate é bastante acessível, fazendo lembrar a de jogos como Naruto e à medida que a vamos explorando vai-se tornando mais complexa. Continuamos com a câmara sobre os ombros do nosso personagem, o que nos permite analisar com melhor precisão o cenário e os movimentos do nosso oponente para que possamos contra-atacar.

Saint Seiya: Brave Soldiers

Cada personagem tem os seus movimentos e estilo de combate. O botão Círculo continua a executar ataques especiais rápidos e, quando conseguirmos concentrar todo o nosso Cosmos, podemos queimá-lo e executar um Big Bang Attack com o R2, um ataque fortíssimo que tem direito a uma animação fantástica. Cada personagem tem o seu estilo de combate e todos estão incrivelmente detalhados.

Quanto melhor o nosso desempenho durante os combates, mais pontos ganhamos. Esses pontos podem ser gastos a comprar Orbs que irão fortalecer os nossos personagens. Existem várias e cada uma delas tem a sua utilidade. Escolham com cuidado e de acordo com o vosso estilo de jogo façam do vosso cavaleiro preferido uma arma imbatível.

Além do modo história Saint  Chronicle temos também o modo Versus, Survival e Galaxy War. No modo versus podemos escolher entre lutar contra o computador ou contra um amigo. Aqui podemos também escolher lutar com orbs equipadas onde podemos fazer testes ou ver simplesmente quem tem o cavaleiro mais bem preparado.  No modo Survival temos de lutar contra uma série de inimigos e, como o nome indica, sobreviver sem perder um único combate. O modo Galaxy War consiste num torneio e é talvez o mais interessante. Este torneio divide-se nas categorias Bronze, Prata, Ouro e Lendário. Uma curiosidade deste modo é que podemos juntar, ao todo, 8 jogadores. Claro que também não nos podemos esquecer da vertente Online que nos permite enfrentar adversários de todo o mundo.

Além de tudo isto temos também uma enorme série de artigos coleccionáveis para descobrir. À medida que vamos cumprindo os objectivos adicionais de cada episódio da história ou vencendo torneios, vamos desbloqueando uma série de artigos que podem ser vistos na secção Collection. Tratam-se de cartas ilustradas e imagens de várias versões em brinquedo dos personagens do jogo. No entanto, isto é algo que só os verdadeiros fãs da série ficarão satisfeitos por desbloquear e apreciar estes artigos.

Saint Seiya: Brave Soldiers apresenta-se assim em exclusivo para a PS3 como um título principalmente para fãs. O modo história, apesar de ter os seus momentos, infelizmente não faz muito para cativar quem é estranho à série. No entanto, se conseguirem deixar isso de lado ou até mesmo se gostarem de jogos de luta com poderes e ataques especiais podem viver grandes momentos, especialmente se partilhados com amigos.



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