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The Technomancer | Análise

Estás pronto para alterar o destino de Marte?

Situado no mesmo universo do quase desconhecido Mars:War Logs, The Technomancer retrata uma guerra entre facções políticas em Marte e a forma como a civilização humana se organiza naquele planeta, onde os recursos são escassos. A vida em Marte está cada vez mais complicada, o contacto directo com o planeta Terra perdeu-se e os grupos organizados estão em conflito pelo pouco que resta do recurso mais precioso – a água. Aqui, jogamos como Zachariah, um aspirante a technomancer. Trata-se de uma classe de “magos-guerreiros”, cujas capacidades, ganhas graças a um implante, lhes permitem controlar energia eléctrica. Encontramo-lo prestes a terminar o seu treino como praticante desta arte.

Este é o contexto de The Technomancer, um título da Spider Studios com largas influências retiradas dos maiores jogos do género RPG sci-fi a sair nos últimos anos pelo ocidente, tais como Mass Effect e Knights of the Old Republic – cujo cunho Bioware é aqui bastante venerado – e, claro, com larga inspiração no mundo de Total Recall, de Paul Verhoeven. Em Marte, Zachariah vai interagir com várias personagens, através de diálogos com várias opções disponíveis e cuja conclusão será diferente consoante as escolhas tomadas pelo jogador. Graças a isso, poderemos ganhar reputação com determinada facção, ganhar novos aliados e, claro, fazer inimigos. O sistema de karma é, aliás, muito semelhante ao de ambos os jogos da saga Knights of the Old Republic.

Como tal, esperam-nos também várias missões principais e secundárias, muito ao estilo old school RPG, através das quais vamos compreendendo o que se passa neste curioso mundo de ficção científica. Os dois tipos de missão são interessantes mas pecam por um pequeno defeito no diálogo das personagens que, por sua vez, podia estar melhor executado. É também durante estas missões que vamos explorar as vastas áreas de Marte que podemos descobrir e onde o design dos níveis é brilhante. Enormes cenários, com uma grande preocupação no detalhe, enriquecem, de uma forma brutal, a experiência de The Technomancer e não faltará motivação para os explorar.

Também ao bom estilo RPG, podemos desenvolver as capacidades de Zachariah. Para isso vamos recorrer aos pontos de skill que vamos ganhando à medida que subimos de nível, aplicando-os às três diferentes stances que podemos usar durante o combate. Da mesma forma, vamos ganhando também pontos de talento que podemos usar noutras características que nos auxiliam durante as missões e diálogos, tais como o carisma ou a capacidade de abrir cofres ou portas. A isto alia-se o facto de os podemos também utilizar para desbloquear a capacidade de usar novas peças de equipamento e upgrades para as armas. Curiosamente, na nossa equipa, os nossos companheiros partilham o inventário connosco e usufruem das capacidades que vamos desbloqueando em Zachariah, numa opção interessante da Spider Studios. Com os seus companheiros de armas vamos ainda construindo relações, mediante as nossas acções de karma e, como também é habitual nos jogos da Bioware nos quais The Technomancer fortemente se inspira, estas podem ganhar contornos de romance.

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O combate é outro dos pontos de destaque em The Technomancer, privilegiando uma abordagem táctica ao invés do clicar desenfreado dos botões do teclado sem pensar nas acções que estamos a tomar quando o fazemos – o bom do button mashing que todos gostamos de odiar mas que, por vezes, damos por nós mesmos a fazer sem querer. O button masher dará por si a odiar The Technomancer com os inimigos do nível de dificuldade Easy a causarem-lhe fortes dores de cabeça. O jogo da Spider Studios baseia-se em três estilos de combate – Warrior, Rogue e Guardian – e a qualquer momento o jogador pode alternar entre eles, mesmo durante uma batalha. Se a stance Warrior permite controlar grandes grupos de inimigos com uso do bastão, já a stance Rogue privilegia o combate à distância com pistola e os movimentos inteligentes durante a batalha. A stance Guardian, por sua vez, beneficia jogadas mais defensivas com escudo e maço. A chave para dominar a jogabilidade de The Technomancer é perceber quando alternar, durante uma batalha, entre cada uma das stances, sendo que também é possível usar o modo stealth para apanhar inimigos desprevenidos.

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A narrativa começa a todo o gás, mas perde alguma aceleração após as primeiras horas. No entanto, o clima de confronto político entre as várias facções consegue prender o jogador na história de Zachariah numa espécie de mundo pós-apocalíptico sci-fi em Marte. The Technomancer não é um título AAA, mas talvez só não o seja por falta de meios financeiros porque o que a Spider Studios aqui conseguiu merece a pena ser jogado. Um bom sistema RPG, com combates tácticos que albergam uma curva de aprendizagem difícil mas que compensa, volta e meia, ao dar origem a confrontos épicos com enormes bosses e cenários sci-fi que não deixarão qualquer fã do género indiferente. Um bom jogo que muito provavelmente ficará escondido entre os grandes lançamentos do ano mas que não passará indiferente aos jogadores mais atentos.



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