Tora Tora Big Band

A Big Band à conversa com a RDB.

Numa entrevista a três vozes, Hugo Menezes, Miguel Gonçalves e Francesco falaram, animadamente, do primeiro álbum dos Tora Tora Big Band, intitulado “Tora Tora”, e de todo percurso do grupo, composto por músicos vindos de projectos paralelos e com diferentes formações musicais.

Ao vivo, os Tora Tora Big Band, recriam uma atmosfera de cabaret com fortes influências jazzisticas e da Música do Mundo. No seu primeiro trabalho demonstram maturidade musical, procurando transportar toda a sua vivacidade para as nossas aparelhagens.

Passados cinco anos da formação inicial o colectivo está certo que veio para ficar, numa altura em que bandas desaparecem com a mesma fugacidade com que surgem. O primeiro trabalho da banda foi lançado no passado dia 24 de Abril e a apresentação decorreu no Maxime quatro dias antes. Com casa cheia, um número considerável de pessoas ficaram à porta. Agora, seguem-se os concertos pelos festivais de Verão.

Os Tora Tora Big Band em discurso directo.

Como surgiram os Tora Tora?

Francesco – A banda surgiu há 4 anos atrás, mais ou menos, eu vivia com Johannes (Krieger) na mesma casa e um dia apareceu o Lars Arens, da Alemanha. Veio por uma semana de férias e apaixonou-se por Lisboa. Voltou para viver e começamos a tocar juntos. Era mais um cabaret de rua, tocávamos na rua.

Eles vinham com uma formação de jazz mais potente e tinham este projecto de um dia fazer uma banda de música potente, dançável e ao longo de dois anos foi-se desenvolvendo. O Lars e o Johannes começaram a conhecer grandes músicos de sopros, trompetistas, saxofonistas aí no meio do jazz e esta ideia começou a concretizar-se. Criou-se a secção ritmíca que tivesse do outro lado.

O Hugo, o David o Júnior, secção de percurssão, tocávamos juntos há alguns anos noutros projectos. O primeiro concerto na ZDB em 2001 foi uma explosão. Temos uma longa série de concertos na ZDB, foi ai que a banda começou a ficar mais unida, a sentirmo-nos com alma e coração. Hoje é aquilo que, é uma grande banda! (risos)

Porquê uma Big Band?

Hugo – É o espírito de uma Big Band, não só no formato de Big Band, porque supostamente teríamos mais elementos. Tora Tora é uma mini Big Band, somos 12 elementos. Mas será um bocado o espírito de Big Band no sentido do som, onde se tenta conciliar o Jazz com a Música do Mundo com a dança, fazer música para as pessoas dançarem.

Como se processa o trabalho criativo?

Hugo – Temos dois compositores que é o Lars Arens e o Johnnes que compõem os temas e depois ensaiamos por secção. Fazemos ensaio de secção rítmica e a de sopros, depois juntamos as duas coisas.

Quando começaram a tocar achavam que iriam gravar algum disco?

Hugo – Começamos com espírito de festa, para curtir. Esta banda quando se junta é festa. É festa!

Miguel – É festa e aí o grande princípio é a música que se faz, no seu conceito é seríssima, mas tocada de uma forma completamente informal, para dançar e nem por isso é uma música menos elaborada. É sobretudo esse o clima de Big Band e dos Tora Tora, com o chamado espírito Rock and Roll (risos dos três).

Quais são as expectativas para o álbum de estreia “Tora Tora”?

Hugo – Queremos rodá-lo o mais possível, em festivais de Jazz, em festivais de Músicas do Mundo e outras coisas. Mas queremos entrar em estúdio já de repente porque temos reportório para mais dois discos (risos).

Como definem o vosso público?

Miguel – O leque é muito grande. Desde malta universitária, a malta septuagenária, é tudo! Basta a malta querer divertir-se.

Francesco – Aparece público que gosta muito de jazz, que está sempre sentado no Hot Club a ver, depois aparece a malta freak, a malta yuppie, depois aparecem as crianças de cinco anos, os velhos de 80. Uma vez não conseguimos levantar o pessoal, (risos), na Praça do Giraldo, em Évora.

Hugo – Não conseguimos, as primeiras filas eram senhoras sentadas.

Francesco – No final apareceram quatro italianos.

Miguel – Era malta bêbada, a cerveja já ia alta.

Franscesco – Já tinham passado 3 horas, no final alguém tinha de aparecer (risos). Foram estes. Mas os senhores de Évora não quiseram saber, não se levantaram.

Hugo – Era um público mais velho. Saímos dos camarins e de facto as primeiras filas da era malta muito mais velha que não se foram embora de todo, mas não se levantaram para dançar.

Depois de passarem pela experiência do estúdio com a gravação do álbum Tora Tora e de já terem dado alguns concertos ao vivo, o que vos agrada mais?

Hugo – Concertos. Os Tora Tora é uma banda para fazer concertos. Claro que os discos são importantes e ficam, mas os Tora Tora têm um espírito live!

Franscesco – A gravação do disco é uma etapa obrigatória numa banda. Quando fazes música tens que ter a certa altura marcar uma etapa, gravar uma parte e seguir, deixar um álbum na história das pessoas que te conhecem. Mas é óbvio que o concerto ao vivo é onde está toda a adrenalina e onde está todo o entusiasmo de estarmos juntos e fazer música.

Como é a adaptação de uma banda que está habituada a tocar ao vivo a um estúdio?

Hugo – Tentamos captar a energia do espectáculo ao vivo e tornar a coisa mais metódica. É um clima de trabalho completamente diferente e às vezes ouvem-se os takes e pensamos “onde estão as pessoas a bater palmas e a dançar?”.

Miguel – Tora Tora é uma alternativa ao que se vê. Quando vivemos numa altura em que quase tudo é uma pastelaria, digamos assim, dezenas e dezenas de pastéis de nata que saem completamente iguais e desaparecem no mesmo dia, acho que Tora Tora é exactamente o oposto. Veio para ficar e sobretudo pela força da música e pela força dos elementos ao vivo. É mais do que música Jazz, Pop, Rock, Samba ou Afro… no fundo Tora Tora é tudo isso, bastante elaborado e sem ser “intelectualóide”, sem ser chato, antes pelo contrário. É música para ouvir, pular e divertir e isso não implica necessariamente ser comercial.

Hugo – Quando estamos a tocar o que nos faz soar melhor é o feedback de quem nos está a ver, de quem nos está a ouvir, de quem está a dançar com a nossa música e isso é muito importante nos nossos espectáculos. Daí Évora ter sido um concerto bastante diferente de todos os outros (risos).

Com é que definem os Tora Tora Big Band numa palavra?

Hugo – Festa.

Miguel – Música.

Franscesco – Pular.



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