Turbo Trio

O projecto brasileiro protagonizado pelo Mc Bnegão, à conversa com a RDB.

Turbo Trio é um dos muitos projectos do Mc BNegão e dos produtores Tejo Damsceno e Alexandre Basa, que passaram pelo nosso país no passado mês de Junho na Festa de Serralves e, durante uma hora, incendiaram a pista de dança improvisada no Prado dos Jardins de Serralves. Presentemente preparam “Baile Bass”, o primeiro álbum dos Turbo Trio, depois de terem apresentado, no myspace e numa pequena tour, os primeiros temas do projecto.

Não são um projecto de funk carioca, apesar de retirarem dividendos deste último acontecimento da música electrónica ao serem aclamados por onde passam com a sua sonoridade suja e dançante e desta expressão musical sofrerem influências. Mesclam o Miami bass com o Hip-Hop, o Electrofunk e até o Reggae. Além de capricharem nas letras, têm por lema a diversão e o gozo, ao mesmo tempo que passam mensagens recheadas de crítica social e humor.

Este mês falam em discurso directo à RDB.

Qual o percurso dos Turbo Trio?

(Basa) – Do estúdio para o mundo o Turbo Trio teve sua estreia abençoada num dos maiores festivais da Europa, o Eurockeennes 2005, ao lado de Kraftwerk e Sonic Youth. Depois disso, de volta ao Brasil, tivemos mais umas apresentações em clubes como o Lov.e em São Paulo, no Festival RecBeat fechando o carnaval de Recife com a banda local Nação Zumbi para mais de 40 mil pessoas, e no SkolBeats um dos maiores festivais de musica electrónica do mundo, dividindo a noite com Prodigy, Andy C e Dj Mark.

Até então, não sabiamos a proporção que a nossa música podia tomar. Após se apresentar no festival Serralves 2006 na cidade do Porto em Portugal e no lendário festival Dunya na cidade de Roterdão na Holanda, ficou muito claro que, além de estarmos representando a música brasileira de forma muito original, estamos fazendo as pessoas se divertirem. As válvulas estão só esquentando!

Quando vão lançar o álbum?

(Tejo) – Lançaremos o disco primeiro no Brasil e no Japão até o final do ano e estamos em negociação para lançarmos nos Estados Unidos e Europa para o início do ano que vem.

Vai chegar a Portugal?

(Tejo) – Espero que sim! Tudo depende da editora que nos lançar na Europa.

O conteúdo liríco das vossas músicas é sem dúvida um dos aspectos mais interessantes do vosso projecto e bem diferentes das letras do funk “tradicional”. O que têm a dizer sobre isto?

(BNegão) – Bom… em qualquer coisa que eu faça, de uns sete anos para cá, considero esse aspecto fundamental; não abro mão disso. E acho bom o facto de poder entreter, fazer dançar e pensar ao mesmo tempo. Desde James Brown, passando por Gang of Four e Public Enemy, vários exemplos
existem dessa possibilidade.

Consideram importante que a mensagem escrita que passam seja exactamente o oposto do funk carioca?

(BNegão) – Acho que é cada um na sua. Não posso dizer aos outros o que escrever nas suas músicas, o que fazer da sua vida. Eu faço o que eu acho certo. Do the Right Thing!

Qual a vossa opinião sobre o recente fenómeno à volta do Funk carioca?

(Tejo) – Acredito que tudo na arte é cíclico, vai e volta toda hora,  agora está sendo o momento do funk carioca  no mundo, daqui a pouco nao vai ser mais, e depois volta de novo…

Identificam-se com essa “onda”?

(BNegão) – Não levo isso em consideração, pois eu ouço funk carioca há praticamente 20 anos. A maioria dos meus trabalhos mais autorais sempre tiveram alguma influência de funk carioca. Acompanhei todo esse processo desde o início e acho natural o funk tomar de assalto, pois o ritmo é
irresistível mesmo, não tem jeito. E como qualquer outro estilo, tem coisas boas e coisas ruins.

Quem é o responsável pelos instrumentais do projecto TurboTrio?

(TurboTrio) – Os instrumentais são feitos pelos produtores Tejo Damsceno e Alexandre Basa. O Tejo desenvolve as batidas no seu estúdio até que elas estejam batendo bem forte nas caixas de som como se já estivessem prontas para a festa. Por sua vez, Basa preenche seu espaço com muita energia, teclados e sintetizadores. Todo o cuidado é pouco na hora de dar a cara para as músicas, afinal, quando a gente acerta a mão o Bnegão detona e fecha a tampa da panela.

Sei que têm mais projectos além deste…

(Tejo) – Eu faço parte de um colectivo de produção no Brasil chamado Instituto e estamos gravando o disco novo desse projecto que deve ser lançado no início do ano que vem. Agora estou fazendo a trilha sonora do filme novo do Beto Brant ( O Invasor) em parceria com o Renato Ciasca chamado “Cão sem Dono” e depois vou mixar o disco do Bonde do Rolé. Estou lançando pelo meu selo (Instituto) o disco novo do Zafrica Brasil produzido pelo Instituto e pelo Erico Theobaldo.

(BNegao) – Eu tenho uma banda chamada BNegão os Seletores de Frequência (já tocamos 3 vezes no Porto: duas no Maus Hábitos e uma no Palácio de Cristal) que já lançou um álbum, “Enxugando Gelo”. No ano que vem, no primeiro semestre, sai o segundo CD. Pretendo também finalizar um
trabalho que fiz com o Tony Allen (ex- maestro e baterista de Fella Kuti, e actual The Good, The Bad And The Queen, nova banda de Damon Albarn).

(Basa) – No meu estúdio estou sempre gravando com gente que gosto e que gosta do meu trabalho. Quem quiser ver o que acontece pode acessar minha pagina no ( www.myspace.com/basamadhi ). Tem sempre coisa nova lá!

Quando vi a vossa actuação ao vivo, percebi que têm muito gozo em  ser Turbo Trio. É isso que os faz andar e acreditar no projecto?

(Basa) – Com certeza é isso uma das principais motivações do Turbo, o quanto a gente se diverte no palco! São quilos de equipamento analógico e mais o MC BNegão liderando com força máxima. A gente tem o maior prazer em dividir o nosso gozo com quem vai no nosso show. Fica muito claro que o gozo é vida e tem que ser forte, sim!

Quais os próximos passos dos Turbo Trio?

(Tejo) – Estamos lançando o primeiro disco do Turbo Trio chamado “Baile Bass”, fazendo o clipe de Mira Certeira, que podem ouvir no myspace/turbotrio.com e preparando uma tournée pelos E.U.A., Japão e Europa para o ano que vem.



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