Cartell 70

Com o disco de originais pronto a ser editado, a banda conversa com a RdB.

Calibre-Arte-Ritmo-Tempo-Emoção-Luta e Liberdade. Os Cartell70 vão lançar o primeiro álbum homónimo dia 25 de Janeiro no Lux com direito a convidados especiais. Como aperitivo revelam à RDB o que os faz mexer.

Porque esperaram tanto para lançar o vosso primeiro álbum?

Não esperámos por nada em concreto, as coisas porporcionaram-se para que fosse agora a altura correcta para lançar o disco. O ano passado foi muito importante. Tivemos oportunidade de actuar algumas vezes com os Blasted Mechanism, que nos apoiaram imenso. Isso permitiu-nos o contacto directo com o público e fez-nos acreditar que valia a pena avançar para o disco.

Qual o feedback do lançamento do EP “Fuse with me”?

O “Fuse with me” não teve como objectivo ter um grande impacto, foi um trabalho que tinha que ser feito. Todos nós admiramos imenso o Ithaka e tivemos o prazer de poder fazer música com ele. Não fizemos as músicas com o objectivo de editar, mas, como estávamos a gostar bastante dos temas, achámos que valia a pena. Fizemos questão de o fazer porque foi uma experiência muito gratificante.

Como acham que se reflectiu nas vossas actuações ao vivo, a interacção com o público?

Essa interacção é o mais importante quando se está em cima de um palco. É para isso que uma banda ensaia, para que consiga comunicar com o público. Temos sentido um bom feedback em todos os concertos. Conseguimos transmitir os nossos valores, a nossa mensagem e as pessoas reagem. Acho que quem ouve o disco e depois vai ver um concerto nosso percebe que Cartell70 não se esgota no disco, a energia ao vivo é diferente! Um concerto é um espectáculo que não se repete duas vezes, é único e é mais intenso devido à interacção com o público.

Apesar das muitas influências musicais que se destacam abertamente nos vossos temas, o que procuram quando convidam gente como Blasted Mechanism, Rui Lobato, Nigga Poison ou DJ Nelassassin e todos os outros?

Fazemos música com pessoas de quem gostamos e que gostam de nós. Para nós não faz sentido convidar alguém para participar se não houver empatia. Existe aqui também a necessidade de transmitir uma ideia de união, isso é Cartell70.

Esta partilha faz parte da nossa maneira de estar na música e vamos continuar a colaborar com todos os artistas com quem exista essa empatia. Isso permite-nos diversificar o nosso trabalho, porque se juntam as influências de várias pessoas e dessa forma enriquece-se o trabalho.

Imagino que seja difícil eleger um dos artistas que convosco colaboraram, mas mesmo assim, qual foi, dos que participam no álbum, o que mais gozo vos deu? Qual a colaboração que se manteve mais fiel ao idealizado aquando do convite?

Provavelmente é injusto estar a destacar alguma colaboração porque cada uma tem a sua história.

O resultado final dessas participações foi sempre uma surpresa, pois nunca partimos com uma ideia fixa. O método é aleatório, podemos começar com a ideia de fazer um tema Down-Tempo e de repente aquilo já é um Drum´n’Bass corrosivo e estamos a gravar uma coisa totalmente diferente.

O que está por trás dos vários Cartell70 versus?

É o cruzamento das influências e das personalidades artísticas. Só assim é que se pode inovar realmente e criar um estilo único em cada tema. Os “versus” serão uma saga que continuará porque nos dá muito gozo e porque cada colaboração é uma experiência que nos estimula e inspira a fazer coisas diferentes.

A vossa abertura musical e vontade de colaborar com diversos músicos nas edições do Cartell70 versus pesa de que modo na vossa música, neste produto final que é o álbum?

Analisando o álbum parece que é claro que os “versus” são muito importantes na nossa obra.

Como descrevem a ligação ao Ithaka entre o colectivo e o artista?

Desde que o Ithaka veio para Portugal que temos estado atentos ao seu trabalho. Tínhamos vontade de fazer música com ele há muito tempo, mas não tinha havido oportunidade. Entretanto, ele voltou do Brasil, onde tinha gravado o álbum “Recorded in Rio”, e voltamos a encontrar-nos. Ele gostou imenso do que estávamos a fazer e a colaboração surgiu naturalmente. Artistica e humanamente temos muito em comum e, por isso, a nossa ligação não vai ficar por aqui, vamos continuar a fazer música juntos!

A consciência e crítica social estão muito presentes nas vossas músicas e também se reflecte numa rebeldia aparente. Como é que essa consciência e atitude se reflectem no vosso quotidiano?

Na nossa página do MySpace temos como mensagem: “Lisbon´s Underground Resistance”; Neste contexto, o Underground significa independente e livre, a Resistência é a forma de agir; persistente e empenhada. Queremos fazer música alternativa e genuína, sem qualquer tipo de pressão comercial. Gostamos de abordar os tabus e os dogmas, em temas como «Sexo Quente» e «In the name of Religion» isso é bem claro! Achamos que está na hora de encarar com frontalidade os problemas e falar disso. A Arte é veículo de expressão máxima e não permite censuras, portanto temos o direito de fazer a música que quisermos e dizer o que quisermos! Devemos é exercer essa liberdade de forma consciente!

Todos os que acreditam na sua Arte devem empenhar-se, juntar-se em grupos fazer o seu “cartel”!

Qual a vossa opinião sobre o meio musical português, tanto a nível criativo como no que toca ao cenário editorial?

Enquanto os independentes não forem organizados e profissionais ao ponto de conseguirem competir em termos de qualidade com as grandes editoras, vai ser complicado haver mudanças.

É fácil colar os instrumentais de Beat Laden com o trabalho dos dois mc´s? Sentem que existe uma efectiva fusão dos dois elementos?

Achamos que, embora haja diferentes personalidades e abordagens artísticas, há um território comum entre todos, a visão do que é Cartell70. Aquilo que se ouve no álbum é o reflexo de um trabalho feito por todos os elementos da banda, por isso o processo criativo é bastante fácil e a fusão evidente.

Como se divide o vosso processo criativo. O que vos inspira?

Podemos partir de qualquer coisa como uma frase que está escrita numa parede e nos faz pensar, ou podemos estar numa conversa e surge uma ideia para fazer um tema, não há regras. Outras vezes é a música que sugere uma temática e depois trabalhamos em cima disso. Procuramos é imprimir sempre uma certa personalidade e atitude, a nível das letras e da música que marque a diferença. O mais importante é que não temos uma metodologia, fazemos o que nos apetece! A liberdade é a nossa maior inspiração!

Como definem o vosso álbum Cartell70?

CALIBRE – ARTE – RITMO – TEMPO – EMOÇÃO – LUTA – LIBERDADE

Isto sintetiza o trabalho, mas o que faz este disco é o processo desenvolvido desde 2002. O álbum é uma selecção de temas que achamos que é uma boa introdução ao espírito Cartell70.

Procuramos fazer um disco que fosse simultaneamente cerebral e físico, que fizesse as pessoas reflectirem sobre algumas questões sociais e políticas, mas sem esquecer o apelo à dança e à diversão!

As influências musicais existentes são mais que muitas, mas como se definem a nível sonoro. Pertencem ao techno, ao Drum´n´ bass…?

Somos assumidamente um projecto de música electrónica. Dentro desse campo tentamos explorar as várias sonoridades que nos agradam, desde o Drum n’Bass, ao House ou Dancehall, mas mantendo sempre a nossa linha “dark”, que vem do metal e do techno. As atmosferas mais escuras são uma tendência natural quando fazemos música.

Enquanto colectivo qual foi a maior desilusão que tiveram até aqui? E a vossa maior alegria e conquista?

Ainda não tivemos grandes desilusões. A nossa maior alegria é o feedback que temos do público nos concertos e o apoio dos que ouvem a nossa música e se revêem nela. Sem dúvida que as maiores conquistas são para além da edição do álbum, a realização do vídeo “Clandestino“, a concepção do site cartell70.com e de toda a imagem do projecto. Tudo isto foi conseguido com a colaboração de pessoas ligadas a nós: Toolateman, Groundzero, Droid ID, Desorgan entre outros amigos.

Temos orgulho em dizer que, até agora, somos completamente independentes e não andamos ao sabor de editoras que constrangem a liberdade criativa dos artistas. Por isso, temo-nos ocupado de todas as fases do processo de criação do disco, desde a gravação à edição, concepção gráfica… Tudo isto é muito gratificante e construtivo.

De todos os temas do álbum qual é o que espelha mais claramente os Cartell70?

Todos eles têm uma razão de ser e uma importância igual, fazem parte de um todo. É impossível escolher o tema que seja a imagem de marca do projecto. Cabe a cada um fazer a sua interpretação e, eventualmente, identificar esse tema que melhor nos define.



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