rdb_diasimprovaveis2_header

Últimos dias improváveis

Epílogo de uma história de três semanas. Para quem não pôde assistir e para quem não pôde perder.

Chegou ao fim o ciclo Dias das Histórias (im)prováveis no Maria Matos. Ao todo foram cerca de 12 espectáculos, espalhados por três semanas, entre teatro, música e performance. Por detrás do pano das histórias que por lá passaram, muitas foram as questões remexidas por entre baús empoeirados e outras simplesmente subvertidas pela ironia, dando invulgarmente tónica ao contexto social actual. O Maria Matos ofereceu, numa grande mostra de criação artística e sem as verbas astronómicas características de outros espectáculos bem mais mediatizados, uma diversidade crítica e ideológica ímpar no panorama cultural do palco lisboeta.

Se o elemento humano é caracterizado pela diversidade que o compõe, não menos poderemos ignorar os efeitos sobre quem por tradição, curiosidade, gosto ou simpatia, se submeteu a tão visceral dissecação da razão e do espírito humano. E é precisamente aqui que se abrem os portões da fantasia, libertando o espectador para uma nova dimensão, a dimensão do conhecimento. É como que um passar de testemunho do palco para a plateia. Neste momento somos nós, eu e o espectador, que temos o dever de acatar e gerir com responsabilidade o novo paradigma de insuspeição criado em torno de uma exposição à manifestação da ordem artística.

Quem conta uma história acrescenta um ponto, permitir-me-á o leitor a derivação por motivos óbvios. Neste antigo provérbio escondem-se razões que vão para além da manietação factual de uma história em tempos. Escondem-se razões como a necessidade. Escondem-se razões como o desejo. Escondem-se razões como a natureza humana. Como se pode pedir a dois seres tão diferentes, diferentes porque são congéneres em raça ou porque coabitam a mesma era, ou tão só porque até frequentam os mesmos espaços, que pronunciem o mesmo veredicto sobre a imaterialidade da substância cinzenta? É por demais óbvio que o Conto terá sempre mais um ponto. Mas também outros a menos. Nesta festa sou eu o Rei.

Durante cerca de três semanas, mais do que o que pelos palcos passou, o que ali ficou efectivamente registado foi que uma história, por vezes a mesma história, pode ser contada, cantada, encantada e novamente contada, desta vez na primeira pessoa, acompanhada pelas mais diversas manifestações do âmago nervoso do seu interlucotor, ou como aqui pretendi demonstrar, do seu autor.

Esta foi a minha história.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This