Um dia dancei SÓ dancei um dia
“Quem é que tu mais amas?”
Amor… O incontornável sujeito de inúmeras narrativas e interpretações. Numa abordagem sensível da sua importância no percurso das nossas vidas, as cartas de amor fazem o ponto de partida para uma reflexão sobre a própria existência e o propósito de tudo.
As co-criadoras e intérpretes Katrin Kaasa e Teresa Tavares dão corpo à história que resulta de uma convergência, onde as cartas de amor escritas, lidas e relidas são fonte de inspiração. Apresentadas em formato vídeo documental pela voz de diversas mulheres cujas emoções à flor da pele partilham extractos da sua história.
A busca do amor, as memórias e as expectativas, a urgência de comunicar, de alcançar paz , e sobretudo, a busca da felicidade são retratadas com profundidade. O fio condutor são as cartas lidas por mulheres ainda jovens que contrastam com os depoimentos de mulheres maduras, e que permitem tentar entender o significado dos sentimentos e da vida.
“Quem é que tu mais amas… o teu pai, a tua mãe, o teu irmão?” A meio do espectáculo é lançada a reflexão sobre o porquê do amor. São levantadas questões que residem no modo como a vida é “vivida”. Como amar , a quem, para quê, o porquê de o fazermos, e o que restará no final do amor que foi dado e recebido.
A universalidade do amor é apresentado como forma de expressão do “eu”, como elemento preenchedor do vazio em confronto com a singularidade das palavras e cartas apresentadas pela experiência individual de cada amor, de um lugar que se espera ocupar.
A acção decorre num cenário frio que remete para a ideia contínua de destroços, onde sobressaiam duas estruturas fixas de metal e pedaços de papel espalhados pelo chão. Fica implícita a ideia da extrema cumplicidade e da busca incessante num terreno apenas provisório e fragmentado, onde um dia nada restará.
“Um dia dancei SÓ dancei um dia” é uma co-produção TNDM II e Rosa74 Teatro em co-apresentação com o 27º Festival de Teatro de Almada, com encenação, criação e direcção artística de Daniel Gorjão. O texto venceu o projecto novos emergentes, Ciclo novos criadores do Teatro D. Maria II.
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