Wild Nothing | Nocturne

Wild Nothing | Nocturne

Desiludam-se aqueles que pensam que “Nocturne” é um registo taciturno, misantropo ou melancólico

Depois de “Gemini”, Jack Tatum apresentou em Agosto o segundo LP da carreira do projecto Wild Nothing, “Nocturne”: onze faixas e muitas particularidades únicas que fazem com que este álbum se distinga pela maturidade e complexidade em relação ao primeiro.

“Nocturne” precisa de alguns repeats para que se comece a perceber melhor a beleza do trabalho de Tatum. No início ficamos com a sensação de que é mais um LP de indie rock mas, com as várias revisitas ao mesmo, ficamos mais permeáveis e conseguimo-nos afastar daquela que parece ser uma repetição melódica a cada música.

Mais complexo do que “Gemini”, “Nocturne” apresenta maior número de instrumentos electrónicos, sons da natureza e beats. Há mesmo quem defina o estilo como dream-pop, não só pelos ritmos (que as vezes não entram bem à primeira) mas pelas letras que reflectem a sensibilidade dos sentimentos mais sinceros como o amor – ou a desgraça dele mesmo.

As letras ganham uma vida própria dentro de cada música, e este senhor sabe escrever bastante bem. Remete para sentimentalismos mais negativos, como em «Rehya (‘I don’t want to remember this lie’)» ou «Midnight Song». E talvez por estar consciente das letras, a voz de Jack Tatum é bastante presente e sobrepõe-se, destacando-se e tornando-se perceptível.

Recomenda-se a faixa que dá título ao álbum para uma primeira audição, talvez a mais forte e comercial. Mas Wild Nothing não se pretende comercial, antes low profile, para que o possamos descobrir lentamente, sem pressas e pressões.

Desiludam-se aqueles que pensam que “Nocturne” é um registo taciturno, misantropo ou melancólico. Não o é, e até se poderia dizer que é o contrário: humano, vívido e sentimental, mas sem a necessidade de cortar pulsos – ouçam «Through the Grass» e vão perceber.



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