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World of Warcraft: Legion | Análise

ESTÃO PREPARADOS??? (Ah Illidan bem-vindo de volta!)

Apesar de ter tido um começo bem mais intenso, colocando, logo de início, o jogador frente a frente com os vários líderes da Iron Horde, Warlords of Draenor, a expansão que antecedeu Legion, acabou por pecar no mais importante. Profissões demasiado trabalhosas e dependentes de largas horas passadas na Garrison e a ausência de conteúdo renovado, são apenas alguns dos exemplos que levaram a que World of Warcraft viesse a sofrer um declínio considerável em jogadores. A Blizzard, claro, não cruzou os braços. Sempre olhando para a frente, mostrando que aprende com os seus erros e que, sobretudo, sabe ouvir a sua comunidade, eis que chegou Legion. Finalmente os fãs de Burning Crusade (para muitos a melhor expansão alguma vez lançada até hoje) vão novamente ver-se a braços com a Burning Legion. No centro do conflito, uma vez mais vamos encontrar uma das mais emblemáticas personagens da história de Warcraft, Illidan Stormrage.

Já lá vai quase uma semana desde que se abriram as portas para World of Warcraft: Legion e, tal como prometido, finalmente depois de ter alcançado o novo nível máximo de 110, chegou a hora de partilhar convosco as minhas impressões sobre a sexta expansão do MMO da Blizzard.

Quando vos falei sobre o início desta nova expansão indiquei que: “Explorar e completar quests continua a ser o prato do dia” mas a isso juntamos o melhor que tem vindo a ser implementado ao longo dos anos. Desde tesouros a diversas criaturas raras com habilidades únicas para derrotar, existem também novas dungeons para percorrer, repletas de novas interactividades para explorar e loot para recolher. Se iremos cair no aborrecimento com o passar do tempo, é o que vamos ver no nosso caminho até ao novo level cap de 110.” Tendo chegado ao nível máximo, a verdade é que ainda não caí no aborrecimento e o percurso até aqui foi impressionante. Gostava que a Burning Legion tivesse marcado uma ainda maior presença à medida que fui evoluíndo mas ao entrar em contacto com os vários povos que populam as áreas das Broken Isles e conhecer os problemas que os assolam foi fácil colocar esse sentimento de lado.

Stormheim acabou por ser a minha área graças aos Vrykul e à forte inspiração na mitologia nórdica que por lá se faz notar. Já o confronto entre Sylvannas e Graymane que por lá tem lugar, foi a cereja no topo do bolo. Highmountain, por sua vez, foi a que menos apreciei mas lá para o fim, um ponto de interrogação no mapa deixou-me curioso e descobri e dei por mim a completar uma das quests mais divertidas de toda esta expansão e que mais uma vez me transportou para Wrath of the Lich King. Todas as histórias estão muito bem contadas e se a isso aliarmos os cenários incrivelmente detalhados que Legion tem para nos oferecer é fácil perdermos horas a jogar sem darmos pelo tempo passar. Apesar de continuarem a cair na mesma receita do “mata este número de inimigos” ou “vai buscar isto ou aquilo”, cada quest traz consigo uma reviravolta ou uma dinâmica que nos apanha de surpresa e que nos impele a descobrir “onde é que isto vai dar”, sempre com um sorriso no rosto, o que já não acontecia há algumas expansões, pelo menos durante tanto tempo seguido.

Mas e se um amigo estiver a evoluir noutra área? Pior, e se a nossa diferença de níveis for demasiado grande? Não se preocupem, tal como já tinha mencionado no artigo que antecedeu esta análise, em Legion podem escolher a zona onde começam a evoluir mas isso não significa que não possam também partir para as outras. Ou seja, não precisam de completar uma zona de enfiada antes de partir para outra. Sobretudo se tiverem com quem jogar, vão reparar que as criaturas se adaptam para o nível de cada um. Em suma, Legion fez desaparecer o medo de comprometer a experiência de outro jogador devido à disparidade de níveis.

 

Apesar de tudo isto, World of Warcraft continua a ser um MMO, e por muito que as várias dinâmicas e ramificações de quests o tentem disfarçar, o grind é algo que nunca deixa de estar presente. Por isso entre as quests, há momentos em que precisamos de parar um pouco e descansar. É então uma boa altura para visitarem a vossa Class Hall, uma nova área reservada para os membros da vossa classe. Funciona como a Garrison de Warlords of Draenor, só que agora é bem mais “mexida”, pois a partilhá-la convosco estarão todos os outros membros da vossa classe no vosso servidor. Mesmo os da facção contrária e não, não há pancadaria a torto e a direito.

Há muito que os fãs pedem missões específicas para a sua classe. Algo que lhes confira uma identidade mais distinta, ou uma presença mais vincada na história que se desenrola. A Blizzard ouviu e para responder a esse apelo não se ficou pela Class Hall. Assim, logo a primeira coisa que recebemos ao fazer parte dos eventos de Legion é um artefacto. Uma poderosa arma que iremos empunhar contra as forças da Burning Legion. Esta arma evoluirá connosco através de itens que vamos recolhendo e que irão aumentar gradualmente o seu poder. A cada especialização de cada classe corresponde um artefacto. Escolham bem o primeiro, mas não se preocupem que mais tarde poderão ir buscar os outros. Notem, no entanto, que o progresso feito num artefacto não é partilhado pelos outros. Mais do que tudo, as quests de cada classe ajudam a que haja um interesse redobrado em conhecer todas elas. Façam-no e descubram as novas animações que acompanham cada uma delas e não deixem de mergulhar na nova classe Demon Hunter, que chegou com esta expansão. Bem vos percebo se não quiserem por de lado a vossa classe principal mas pelo menos a zona inicial têm de a percorrer pois já vos dá uma ideia de porque é que esta é talvez a classe mais bem animada de sempre. Claro que não bate o meu Shaman a destapar trovões sobre tudo o que lhe aparece à frente com o seu Doomhammer, mas isso sou eu!

Como cereja no topo do bolo, cada classe terá ainda uma campanha individual que irá levar o jogador a fazer parte de eventos que terão um enorme peso na luta contra a Burning Legion. Estas quests estão igualmente bem contadas e trazem consigo um sentimento de nostalgia, ao levarem-nos a zonas antigas (ou de outras expansões) que de outra forma não iríamos revisitar. Só é pena que pelo meio tenhamos que interromper o nosso progresso a enviar heróis em missões na Garrison. Aguardar por blocos de 4 ou cinco missões de 12 horas cada uma, é tudo menos heróico, infelizmente.

 

No entanto, não deixem de avançar na vossa campanha “individual”, uma vez que a cada ponto chave desbloqueiam novas formas de jogar World of Warcraft. Uma delas será o acesso às World Quests. Estas funcionam como os bounties de Diablo 3: Reaper of Souls, na medida em que cada área terá uma série de objectivos para cumprir. As recompensas são várias e vão desde dinheiro, a peças de equipamento, ou itens para aumentarem o poder do vosso artefacto. Apesar de haver uma zona restrita para o nível 110, Suramar, o endgame (conteúdo de final de jogo) não vos vai confinar a apenas uma área durante horas a fio. Não, com as World Quests toda a área das Broken Isles será o vosso endgame.

Conteúdo é coisa que não falta. Até ao nível 110 e mesmo depois de o alcançarmos, há que lutar por melhores peças de equipamento. As quests dão boas recompensas mas é nas Dungeons que se vai recolher o “peixe graúdo” que vos irá preparar para os raids mais tarde. Cerca de 10 ao todo, no modo normal, só algumas vos trarão momentos de maior tensão. Já a nível heróico, a 110, o caso muda drasticamente de figura. Uma coisa que vão reparar, mesmo fora das dungeons, é que apesar de terem menos habilidades ao vosso dispor em comparação com as expansões anteriores, controlar as criaturas que estão a enfrentar é imperativo. Sobretudo numa dungeon, há que respeitar as Trash Mobs (criaturas que ocupam os percursos entre um boss e outro). Se virem uma criatura a preparar um feitiço, interrompam-no sem hesitar e grupos há que irão requerer que façam uso das vossas habilidades mais poderosas. Mostrem-se reticentes em fazê-lo e podem comprometer em muito o vosso progresso.

Tal como disse os raids e a dificuldade Mythic+ ainda não estão disponíveis, no entanto há mesmo assim muito para ver e descobrir. As profissões foram todas elas refinadas e receberam quests próprias. Acabou-se o “quem tem mais dinheiro tem acesso a todos os recursos”. O sistema de PVP continua o mesmo mas surge mais refinado, deixando de depender tanto nas peças de equipamento, e fazendo-se acompanhar por um sistema de progressão que irá desbloquear várias habilidades.

Legion é a mais sólida expansão que já chegou a World of Warcraft. Repleta de conteúdo variado para que o jogador tenha sempre algo que fazer dentro do seu próprio estilo de jogo e fazendo-se acompanhar por uma nova classe, não há que enganar. Se estavam à espera que o MMO da Blizzard recuperasse o seu brilho de outrora, não deixem que esta expansão vos passe ao lado, uma vez que combina o melhor que 12 anos de World of Warcraft tem para vos oferecer e promete não ficar por aqui. Que dizem a mais um jogo de xadrez em Kharazan?



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