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Yo La Tengo @ Aula Magna

Na sombra do mainstream. 14 de Março de 2010.

Vinte minutos depois da hora marcada, o set iluminou-se. Houve uma pequena ovação, mas nada comparado com a devoção que iríamos verificar ao longo do concerto. A Aula Magna – tantas vezes verbalmente maltratada neste tipo de concertos – foi uma sala à altura do acontecimento. O trio entra em palco de forma pouco efusiva e atira-se logo à primeira canção. Só passados mais de trinta minutos haveria de fazer uma pausa.

O motivo principal desta visita dos Yo La Tengo – que já levam uma dúzia de álbuns editados – foi precisamente o último “Popular Songs”. E foi com ele que o espectáculo começou. Logo na primeira investida da noite, Ira Kaplan, a voz na maior parte dos temas, parece atirar-se aos teclados de forma perfeitamente aleatória. À segunda canção é vê-los sonhadores, oníricos e bem épicos num misto de distorção e feedback.

Houve pouca conversa. Só ao fim de mais de meia hora é que Kaplan – só ele – se dirige ao público: “essas cadeiras são tão confortáveis como parecem? Aposto que só vieram para se sentar nelas”, atirou bem disposto. Mais uma canção e voltamos aos assentos: “não consigo parar de pensar nessas cadeiras”. Na canção que se seguiu – mais introspectiva – acabou por se sentar numa das doutorais, provocando James McNew, o baixista, que atirou um pouco traduzível “you bastard!”.

À medida a que o concerto se aproximava do primeiro falso final, a banda deu lugar a derivações mais ambientais e algumas aproximações ao shoegaze dos My Bloody Valentine carregado de feedback. Quase todas as canções começavam onde a última acabava. No final de cada música mais virulenta, Ira Kaplan atirou-se ferozmente à guitarra, abanou-a constantemente, quase a destruiu – só não houve guitarras partidas, porque, para uma banda como os Yo La Tengo, na sombra do mainstream desde o início dos tempos, o material ainda pode sair caro.

A ovação antes do primeiro encore fazia adivinhar que o concerto não se ficaria por aqui. Não fazia era adivinhar um segundo encore, mas foi isso que aconteceu. Kaplan – sempre ele – perguntou se o rapaz que o deixou sentar numa das doutorais tinha algum pedido em especial. O rapaz respondeu que se satisfazia com qualquer coisa. Começaram a chover pedidos, mas a escolha acabou por recair em «Bad Politics». Haveriam de voltar para um segundo encore. Ouviram-se novamente sugestões vindas do anfiteatro. Kaplan brincou com o facto: “não, não é essa” ou “não consigo perceber o que eles dizem” foram algumas das divertidas respostas. Neste ponto, a distância entre a banda e público era já quase nula, o que fez esquecer a forma quase fria como o trio entrou em palco. O regresso dos Yo La Tengo, quatro anos depois da última vez, deu num bom concerto, com alguns momentos de pura classe. Com mais de 25 anos em cima, não pode constituir surpresa.



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