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Suuns @ Musicbox

A minha dor de cabeça ao som dos Suuns.

Porque são indissociáveis, para além de uma crítica ao concerto dos Suuns no Musicbox na passada sexta-feira, 2 de Dezembro, esta será a crónica da minha dor de cabeça nessa noite. Quando escrevo “indissociáveis”, não pretendo afirmar que a música dos Suuns causa dores de cabeça, literais ou metafóricas, antes que o padecimento não permitiu a completa fruição do concerto.

Sem grandes alardes ou loas, os Suuns lançaram um dos melhores álbuns de 2010: “Zeroes QC”. Eu mesmo só lhe dei os devidos atenção e valor já 2011 ia a um quarto, quando todas as listas de melhores do ano que cada um de nós gosta de fazer, nem que seja durante o banho, estavam bem fechadas (esta crítica é uma oportunidade de corrigir essa falta). Portanto, aguardava com a ansiedade que esta idade de poucas euforias permite o concerto dos canadianos em Lisboa.

Dá para perceber que os Suuns, apesar de serem uma banda relativamente recente, têm rodagem: o tipo de coesão que demonstram ao vivo implica muitos concertos, aqui, ali, e acolá. E, no entanto, ainda não apresentam os sinais de desgaste a que essa roda-viva sempre leva. Estão em ponto de rebuçado, como se costuma dizer, no momento ideal para um primeiro contacto. Um ensejo a não ser desaproveitado. Escrito isto, a minha dor de cabeça, as raparigas bêbadas e obnóxias que não se cansaram de gritar junto ao palco (às quais dedico o clássico das minhas novas heroínas Pega Monstro «Gajas que Gostam de Levar na Boca»), o som permanentemente alto de mais do Musicbox, e as luzes impiedosas do espaço iam-me estragando a festa.

Felizmente, a música dos Suuns acabou por levar a melhor sobre as picadas no cerebelo e demais desgostos; uma música que se encontra na dispersão de influências: o stoner rock, o krautrock, os mais aventureiros Liars, as bonitas melodias que surgem de um desejo de simplicidade a princípio inimaginável; uma música presa pela constante motorika, selada na bateria explosiva de Liam O’Neill, no órgão fantasista de Max Henry e nos subtis apontamentos de guitarra de Joseph Yarmusch, e que, apesar dos devaneios de guitarra do vocalista Ben Shemie, raras vezes explode como promete (li algures que a principal qualidade dos Suuns era a sua capacidade de manter a tensão sem a libertar; um prazer quase sádico, escrevo eu). A voz de Shemie, a lembrar as doçuras do shoegaze, é o melhor acompanhamento para aquela música.

Por vezes, parecia que aquele ruído, dissonante, me acalmava as dores de cabeça. «Gaze», a canção que me fez apaixonar pelos Suuns, dissipou-as por minutos. Não que as outras não sejam boas, todas as do álbum (único, por enquanto) são óptimas. E as novas, como «Red Song», que anunciam mais electrónica (houve momentos de quase house), mantêm as mesmas qualidades.

A primeira parte ficou a cargo de IVVVO, músico do Porto que navega nas águas plácidas do dubstep mais ambiental. Obrigado a percorrer caminhos que outros já percorreram antes dele, não acrescenta muito ao que já foi feito no género. Refira-se, contudo, que a hora e as expectativas do concerto que se lhe seguiria não o ajudaram.

Galeria fotográfica por Mafalda Melo aqui.



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