Revista online sobre Cultura e Lifestyle
Edição Nº50, Novembro, 2009

Sardinha em Lata

Visita à produtora da Pontinha que quer colocar a animação portuguesa nos ecrãs de todo o mundo.

O realizador/produtor Nuno Beato, juntamente com o realizador José Miguel Ribeiro (vencedor do “Cartoon d’Or” em 2000 com o filme “A Suspeita”) e com “uma não-artista com os pés na terra”, Eva Yébenes, decidiram em 2007 embarcar num novo desafio ao criarem a produtora de animação Sardinha em Lata. Uma produtora cujo objectivo principal é o de contribuir para o aumento da qualidade do cinema de animação em Portugal.

Para isso, esta equipa decidiu apostar em força na realização de séries de grande formato que possam concorrer e entrar no mercado Internacional e, ao mesmo tempo, continuar a criar curtas-metragens onde os autores podem explorar o seu lado mais intimista e experimental.

A fim de enveredar por este novo projecto, Nuno Beato decide terminar a sua antiga produtora a Lampadacesa, que possuía desde 1998, mas não sem antes trazer consigo alguns dos seus projectos, para serem concluídos na Sardinha em Lata. Falo nomeadamente da curta “Mi Vida En Tus Manos” que esteve em exibição na edição de 2009 do festival MONSTRA e da série infantil “Ema & Gui” que se encontra actualmente em fase de pós-produção e cujo término se prevê ser entre Abril e Maio de 2010. Esta última consiste numa série de 52 episódios de 7 minutos cada e é co-produzida por Portugal (ICA, RTP2, FICA e Big Picture) e Espanha (StorFisk e TV3).

Em relação às curtas-metragens nascidas na Sardinha em Lata, existem de momento vários projectos que se encontram em realização, tais como, “Desassossego”, de Lorenzo Degl’Innocenti, “Olhos do Farol”, de Pedro Serrazina co-produzida na Holanda pela Il Luster, e “Viagem a Cabo Verde”, de José Miguel Ribeiro apoiada pelo ICA e pela RTP.

Como referido acima, um dos objectivos principais da empresa consiste na produção de séries de grande qualidade que possam vir a entrar no mercado internacional. E é com esses princípios em mente que nasceu a série infantil “Dodu – O Rapaz de Cartão” realizada por José Miguel Ribeiro e escrita por Virgílio Almeida, a mesma dupla de “A suspeita” e “Um Passeio de Domingo”, e que se encontra actualmente em pré-produção. Segundo Virgílio Almeida, esta é uma série pensada para crianças até aos 5 anos e respectiva família, que conta as histórias de Dodu, um rapaz de cartão, que ao lado da sua amiga, uma joaninha, viajará pelos fantásticos universos da sua imaginação. A série é feita inteiramente com cartão reciclado (excepto a joaninha que é uma carica) e a sua finalidade principal consiste no desenvolvimento da inteligência emocional das crianças. Não recorre a diálogos mas apresenta uma partitura musical muito marcada que se encontra a cargo do compositor Fernando Mota, o qual não só explora instrumentos musicais de vários continentes como cria alguns dos seus instrumentos.

A série foi recentemente seleccionada para o “Fórum Cartoon 2009”, realizado na Noruega, naquele que é um dos mercados mais importantes da indústria de cinema de animação europeia, recebendo críticas muito favoráveis por parte de várias produtoras televisivas entre as quais a Walt Disney, a Nickelodeon e a BBC Children. “Dodu – O Rapaz de Cartão” aparenta ter tudo para singrar não só a nível nacional como internacional no mundo da animação.

Apesar do trabalho da empresa se centrar actualmente em curtas-metragens e séries infantis, existe o intuito e a vontade em realizar longas-metragens e séries dirigidas a um público adulto. Em relação à segunda hipótese existe já um projecto de nome “Vasily e Nadja” a ser realizado por Ricardo Figueira e co-produzido pela “Sardinha em lata”, mas que se encontra ainda numa fase muito embrionária. Quanto ao resto, apenas o futuro o dirá, mas pelas provas que têm dado é caso para dizer que este aparenta ser promissor.

A todos os interessados no mundo da animação é importante salientar que esta empresa está sempre aberta a receber novas ideias e a analisar projectos. Nas palavras de Nuno Beato, “esta renovação do sangue e descoberta de novos talentos é sempre interessante e de manter”.



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