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“2 Dias em Nova Iorque”

A sequela, cinco anos depois de Paris

Julie Delpy, actriz de “Antes do Amanhecer” (1995) e “Antes do Anoitecer” (2004), traz-nos agora “2 Dias em Nova Iorque”, a sequela da comédia romântica “2 Dias em Paris” (2007) e aquela que é a sua quinta longa-metragem como realizadora.

Cinco anos depois dos “2 Dias em Paris” encontramos Marion, a personagem interpretada por Julie, em Nova Iorque, já sem o irritante Jack (Adam Goldberg) mas com um filho em comum com este. Logo no início, mesmo quem não viu “2 Dias em Paris” é contextualizado através de um ligeiramente forçado teatro de marionetas: Marion vive agora em Manhattan com o novo companheiro, Mingus (Chris Rock), numa dinâmica familiar que envolve os filhos de ambos, resultantes de relações anteriores.

Claro que não podemos esquecer a família francesa de Marion, que vem perturbar essa dinâmica familiar quando a visitam em Nova Iorque. Com a morte da mãe de Marion, as atenções dividem-se por Jeannot, o pai, interpretado por Albert Delpy, pai da realizadora, e também pela irmã Rose com o seu namorado Manu, ex-namorado de Marion. É graças à família que se procuram desenrolar a maior parte das situações cómicas que resultam do choque cultural e da ilustração das relações franco-americanas. Os estereótipos sobre os franceses sucedem-se (os enchidos, o vinho, a libertação sexual), não ultrapassando muito o senso comum.

No fundo, Julie Delpy repete aqui a mesma fórmula que tinha utilizado (nesse caso, bem) em “2 Dias em Paris”: uma tentativa de dissecar as relações humanas, as relações amorosas em concreto, através de personagens-tipo, caricaturas e a procura de piadas inteligentes e espirituosas. Apesar da consistência de Delpy neste tipo de humor, o que até já lhe valeu comparações a Woody Allen, neste filme nem sempre as piadas são bem aproveitadas ou muitas vezes deixam a desejar.

Por outro lado, um dos pontos fortes do filme é a interpretação de Chris Rock – Mingus é uma personagem essencial no filme, com a qual facilmente simpatizamos, ao contrário do que acontecia com Jack. E dispensava totalmente o Barack Obama de cartão. Outro ponto positivo é a breve aparição de Vincent Gallo, um elemento surpresa que traz algum interesse.

Em conclusão, “2 Dias em Nova Iorque” consegue servir para soltar umas gargalhadas e o pathos do filme funciona em várias situações. O filme mostra, no entanto, as fragilidades de uma sequela cómica e a dificuldade de manter o nível de qualidade que se espera, especialmente quando se trata de Julie Delpy.



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