Broken Flowers

de Jim Jarmusch. Estreia em Dezembro.

Este mês apresentamos o novo filme de Jim Jarmusch, “Broken Flowers” – Flores Partidas – no qual o actor  Bill Murray  resolve fazer  uma “viagem de carro pela  sua vida” a quatro cidades dos Estados Unidos da América com o objectivo  de reencontrar os seus antigos amores.

Depois da brilhante interpretação em “ Lost in Translation” , e de um registo com um tom mais humorístico: “ The Life Aquatic with Steve Zissou” de Wes Anderson, Bill Murray faz o papel de Don Johnston, um eterno mulherengo totalmente avesso ao compromisso, que leva mais uma vez um “chuto” por parte da sua mais recente conquista (Julie Delpy), resolvendo então ficar sozinho para conseguir colocar a sua cabeça em ordem. Mas o seu conturbado passado amoroso começa a atormentá-lo, e Don recebe logo de seguida uma carta anónima, escrita à máquina em papel cor-de-rosa, onde uma antiga amante lhe revela que ele é pai do seu filho, um rapaz de 19 anos, e que este o quer conhecer. Intrigado com tudo isto, ele decide investigar o paradeiro do rapaz, (e do remetente mistério) contando para isso com a preciosa ajuda do seu amigo e vizinho, fanático por policiais, Winston (Jeffrey Wright), rumando em viagem de carro pelos E.U.A..

Será que existe mesmo um filho? E de quem será? São estas questões que motivam Don para a realização desta viagem, pois  amou  quatro mulheres diferentes (Sharon Stone, Frances Conroy, Jessica Lange e Tilda Swinton).

Esta visita repentina aos “amores da sua vida” trazem água no bico. Don acaba por reflectir bastante acerca do seu passado e do seu presente e de fazer suposições sobre como teria sido a sua vida se tivesse optado por ficar com uma destas mulheres. Como já vem sendo hábito nas películas de Jim Jarmusch, dá-se um maior ênfase ao modo como se conta a história, do que propriamente ao seu conteúdo.

Esta pareceria entre Jarmusch e Murray não é nova. Realizador e actor já tinham trabalhado juntos no primeiro episódio de “ Coffee & Cigarrettes”, que deve ter corrido tão bem que Jim convidou Bill para o seu novo filme “ Broken Flowers” integrado nos novos “papéis” de Murray, descoberto há já alguns anos por uma nova geração de jovens realizadores como Sofia Coppola ou Wes Anderson.

“Broken Flowers” recebeu o Grande Prémio do Júri na última edição do Festival de Cannes.

Jim Jarmusch nasceu no Ohio, EUA em 1953. É considerado um dos grandes mestres do cinema independente americano. Iniciou a sua actividade como assistente num filme de Nicholas Ray e Win Wenders (“Lightning Over Water”) e fez o seu debut em 1984 com o filme “Stranger Than Paradise”, que ganhou o Camera D’Or em Cannes no mesmo ano. Neste primeiro filme, que na verdade foi uma extensão do que era para ser uma curta-metragem, já se nota a tónica do que viriam ser os seus filmes: planos de câmara parados, uma excelente fotografia de cenários americanos em preto e branco, um humor subtil e meio bizarro, amigos famosos do cenário underground a contracenarem e um gosto musical igualmente underground e bizarro à mistura.

De seguida realizou “Down By Law” (1986) novamente com John Lurie, Roberto Benigni e Tom Waits. Ainda em 1986 apresenta duas curtas-metragens “Coffee and Cigarettes” e “Coffee and Cigarettes II, Memphis Version”. Em 1989, “Mistery Train”, com Screaming Jay Hawkings como dono de um hotel vagabundo. “Night On Earth” em 1991 novamente com Roberto Benigni.

A 3ª parte de “Coffee and Cigarettes III, Somewhere in California”, chega em 1993, mais uma curta com Iggy Pop e Tom Waits num encontro histórico e brilhante. Em 1995 é a vez de um faroeste bizarro com Johnny Deep em “Dead Man”. “Year of the Horse” de 1997, é um documentário com Neil Young.

Dois anos depois realiza “Ghost Dog” (“O Método Samurai”) com o brilhante Forest Whitaker e John Tormey.

“Ten Minutes Older” (2002), um documentário compartilhado com outros seis realizadores de peso como Bertolucci, Godard, Herzog, Jarmusch, Spike Lee e Win Wenders retrata uma viagem de autocarro feita por músicos de Jazz, sendo o seu último filme de 2003 , uma versão em longa-metragem (96 min) da sua muito aplaudida curta-metragem homónima “Coffee and Cigarettes”.



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