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“A Árvore da Vida”, de Terrence Mallick

O efeito catártico.

Muito se tem falado sobre “A Árvore da Vida”, o recente filme do realizador Terrence Mallick que ao longo de 40 anos de carreira conta apenas com cinco longas-metragens, entre elas o icónico “A Barreira Invisível” que lhe valeu sete nomeações para os Óscares (decorria o ano de 1999).

Tudo o que se tem escrito e dito acerca do filme, bem ou mal, já faz com que se trate de um filme de culto e mítico. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes no decorrente ano (2011), Mallick viu o seu filme ser vaiado, mas também aclamado e aplaudido.

Devo confessar que, enquanto espectadora, não me é fácil falar do filme. Este filme foi feito essencialmente para ser visto, mas com os olhos bem abertos e com o pensamento vazio. Foi também pensado e concretizado para transmitir sensações ao espectador que nos chegam através do magnífico e brilhante trabalho fotográfico sob direcção de Emmanuel Lubezki.

“A Árvore da Vida” é (no sentido imperativo) um filme que extravasa sentimentos e repleto de símbolos metafísicos. É também uma viagem espiritual, algo único e incomparável.

O filme começa com a seguinte frase: “There are two ways through life: the way of nature, and the way of Grace. You have to choose which one you’ll follow”. E são estes dois estados – de natureza e de graça – que acompanham todo o argumento do filme. O divino e o ser humano tornam-se duas personagens principais, paralelas às personagens interpretadas por Brad Pitt, Sean Penn e Jessica Chastain. O argumento do filme baseia-se numa típica família americana dos anos 50 que recebe uma má notícia: a morte de um filho. A partir daqui, Mallick explora a condição humana, a dor e o sofrimento, a dicotomia entre a vida e a morte (sendo a vida aqui fortemente celebrada) e também o tempo enquanto passado, presente e futuro (sendo Sean Penn uma marca da intemporalidade). Tudo isto desenvolve-se no conceito puro de catarse e de poético.

A banda sonora que acompanha toda a acção é o elemento principal deste filme, pois marca o ritmo das imagens e dá-lhes outra “vida”, ou um outro significado. O ritmo do filme por vezes torna-se lento (o que pode perturbar ainda mais o espectador ou fazer com que ele desista de ver o filme). Tal como referi, o passado e o futuro andam de mãos dadas, igualmente acompanhados das questões filosóficas e teológicas que o filme debate. Se explorarmos o significado do título do filme em correlação com o argumento, não poderia ter sido o mais acertado.

Todo o discurso é dito como um sussurro, como um segredo ao ouvido que nos faz arrepiar.

Não se trata de um filme para todo o tipo de espectador. Esqueça as pipocas, as gomas e as pastilhas elásticas. Desligue realmente o telemóvel e entre nesta experiência em consciência. O filme transforma-se em algo tão pessoal como indescritível; tão incompreensível como emocionante.

“Someday we’ll fall down and weep. And we’ll understand it all, all things.”

The Tree of Life – Official Movie Trailer from Yorie Lim on Vimeo.



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