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“a coming community”

“a coming community”, o imaginário criativo de Pieter Ampe, Guilherme Garrido, Hermann Heisig e Nuno Lucas subiu ao palco do Teatro Municipal S. Luiz, nos dias 7 e 8 de Junho, enquanto parte integrante do evento de artes performativas, alkantara festival 2012

Depois dos duetos de Lucas e Heisig, “Pongo Land”, e de Ampe e Garrido, “Still Difficult Duet” e “Still Standing You”(estes dois integrados no programa da edição anterior), os quatro juntam-se agora, ao fim de 10 anos de encontros que vieram culminar nesta peça conjunta.

A performance, de cerca de 80 minutos, inicia-se com a presença dos quatro homens em cena, aquando a entrada do espectador. O palco encontra-se despido, tendo apenas como elemento uma espécie de biombo que irá cobrir os acessórios e trajes utilizados durante o espectáculo. Mais tarde, este servirá também enquanto parte da criação e reinvenção do espaço cénico.

Inicialmente, os quatro conversam entre si e com a plateia acerca dos seus diferentes antecedentes sociais, das suas alturas distintas e dos desacordos relativamente ao nome da peça. São estas disparidades, e a consequente diversidade que geram, o seu ponto de partida.

Quatro pessoas distintas, com histórias diferentes, convergem num palco para se unirem numa performance extremamente física que explora os limites da criação e da criatividade. O seu propósito será encontrar nessas divergências um espaço comum, através da utilização que fazem do espaço do palco.

Baseando-se sobretudo em elementos de impacto visual, o grupo enceta uma série de acções que passam pela dança, a música, a acrobacia e a representação. Existe um carácter cru e extraordinariamente visceral na forma como usam o corpo para se expressarem individualmente e interagirem uns com os outros; ao mesmo tempo, há algo de indubitavelmente simples e elementar nesse contacto.

São os mais diversos e inesperados usos para acessórios mundanos – como um propulsor de ar ou uma bola insuflável – que vão atribuir a esta performance um lado carismático e humorístico, causando no espectador uma sensação de surpresa e incerteza quanto ao que vai acontecer a seguir. Não é só este recurso visual a objectos como máscaras, casacos de lantejoulas ou esferovite que conferem este carácter cómico, mas sim a forma como cada um deles é utilizado. Assim, expande o comum ao criativo e culmina num espectáculo fora do universo do usual e do expectável.

“a coming community” não pretende ser uma performance convencional, de estrutura narrativa ou uma combinação de momentos executada na perfeição. É aberto um espaço ao erro, ao imprevisível. Não busca uma uniformização da forma de agir em palco mas explora as especificidades de cada um, permitindo que cada indivíduo explore o corpo e o espaço mantendo a sua personalidade. A peça desenvolve-se no sentido de uma união das suas convergências e divergências, focando-se na dinâmica de grupo que esta interacção gera.

É neste encontro entre indivíduos e artes diferentes que Lucas, Heisig, Ampe e Garrido reflectem sobre a noção de comunidade, o que a define, o que a une e o que a separa.



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