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“A Crítica e o Olhar Livre”

Onde se encontra o lugar público de discussão?

A escola de Artes Visuais, ARTE ILIMITADA, abriu as suas portas à primeira, de um ciclo de quatro conferências, organizado pela crítica, editora e historiadora, Sandra Vieira Jürgens.

Nuno Crespo – curador, crítico e professor na FCSH-UNL -, foi o primeiro a transmitir a sua visão e lançar os dados sobre o papel da crítica de arte na sociedade contemporânea.

Numa conferência de carácter informal, iniciou-se no dia 12 o primeiro painel que integra o Pequeno atlas da arte contemporânea – arte, teoria e geografias num mundo em transformação, o mote deste ciclo, que procura reflectir sobre “pensar e agir globalmente no mundo da arte”, colocando em cima da mesa temas que giram em torno desta problemática.

Nuno Crespo levantou questões que constituíram, mais do que uma apresentação, as bases de uma posterior discussão entre os participantes, pondo em prática uma contradição relativa à realidade actual: a de ausência de discussões sobre arte na esfera pública.

O curador e crítico teceu algumas considerações sobre a ausência de crítica de arte, não somente exclusiva do campo das artes visuais, mas das artes em geral, iniciando o discurso com a projecção de um diagrama de Thomas Hirshhorn. Segundo Nuno Crespo a crítica de arte diferencia-se da história de arte, dos textos descritivos e da curadoria por ser um acto de “olhar e fazer sentido da obra de arte”, levando a reflexão e discussão ao público.

Contudo, assiste-se a uma diminuição deste espaço de discussão, do “pensar alto”, porque, apesar de se continuar a promover e realizar exposições, estas não são lugar de reflexão, mas de apresentação.

Através da evocação de cinco autores (Thomas Hirschhorn, Kant, Goethe, Wittgenstein e Walter Benjamin), Crespo foi “desmontando” o conceito de crítica de arte, ao longo dos tempos, aferindo a sua relação com a obra, bem como a sua importância. A crítica procura encontrar o objecto na sua “singularidade”, diferenciando-se, assim, da teoria e da ciência, na medida em que o seu território é especulativo, uma vez que levanta sempre, para além das questões factuais, questões de valor e, por isso, “nunca é um olhar livre, está sempre implicado”.

Este esforço de construção de uma perspectiva, onde assenta a crítica, implica pensamento e não mera contextualização nem descrição, procurando “cumprir o destino da obra de arte”. Assim, a crítica só é competente quando julga, porque compreende e a sua qualidade está na capacidade de problematização, como afirma Nuno Crespo. No limite, “a obra de arte que não motiva a sua própria crítica não se cumpre”.

Esta questão da necessidade da crítica inerente a uma obra de arte levou a uma reflexão mais alargada, colocando os espectadores num papel de actores.

Problematizou-se a falta de meios onde se possa pensar alto e o modelo educacional que não instiga o espírito crítico. Expressou-se o combate à ideia de que a arte tem em relação à crítica uma certa imunidade, resumindo-se, por vezes, os textos sobre o assunto, a descrições que revelam uma “não relação com a arte”. Enfatizou-se a ideia de que a crítica é necessária, o julgamento, a procura da singularidade, do que cada obra provoca aos indivíduos que com ela se relacionam.

Em último grau, o combate ao silêncio.

Próximas conferências:

03 de Dezembro – 19h00
Algumas histórias da arte omitidas
Pedro Lapa

10 de Dezembro – 19h00
Pode uma obra representar um país? Portugal, política cultural e Bienal de São Paulo
Lígia Afonso



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