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…A paixão segundo Inês?

De 14 a 31 de Julho, Coimbra recebe a 3ª edição do Festival das Artes.

Pedro — Inês minha dos 4 costados, que é ora isto?
Inês — São honrosas paixões, Senhor… “de pensamento vil nunca tocadas”! *
Pedro — A ouver vamos…

A Fundação Inês de Castro orgulha-se de apresentar o 3º Festival das Artes, este ano subordinado ao tema Paixões, a decorrer em Coimbra de 14 a 31 de Julho: 40 eventos inseridos em 7 ciclos — Ciclo de Música, Ciclo de Cinema, Ciclo de Artes de Palco, Ciclo de Gastronomia, Ciclo de Artes Plásticas, Ciclo de Conferências e Serviço Educativo, pelo que nem faltará o ciclo preparatório. O certame desenrolar-se-á em alguns locais emblemáticos da cidade: o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Jardim da Sereia, Hotel Astória, Jardins da Quinta das Lágrimas, sem esquecer o Anfiteatro Colina de Camões, ponto nevrálgico da paixão.

Quando a esmola é grande, o pobre desconfia. Num simples relance sobre a constituição do festival — forte e espadaúdo, segundo consta no comunicado de imprensa —, tentemos esboçar a quadratura dos diferentes ciclos, para aferir da qualidade da iniciativa em causa. Ou, então, sejamos bem mais modestos, que o tempo não está para grandes voos (antes cresce um fraquinho por experiências low cost), e assinalemos o que nos caiu logo no go(s)to — esse polegarzito do outro mundo que assombra o festival facebook.

Ciclo de Música: contará, entre outras participações, com a soprano Irene Theorin — renomada intérprete de Wagner, assinou já pelo Festival Bayreuth (clube da Premier League, no que toca a Isoldas) em várias temporadas, e também com o pianista Dang Thai Son, Prémio Chopin de 1980 e membro do Júri do Concurso Chopin de 2010, que se apresentará num programa integralmente dedicado ao compositor polaco — pelo que, mais do que vintage, será Chopin trintage. Acrescente-se ainda Maria Schneider com a Orquestra de Matosinhos, para não falar da Orquestra Gulbenkian no concerto de Irene Theorin (fomos fortes e não falámos, connosco é assim!). Sem secar a fonte deste Ciclo, passemos a outra. (Afinal, havia outra!).

Ciclo de Cinema: “La passion de Jeanne d’ Arc”, de Carl Theodor Dreyer, com acompanhamento ao piano de Bernardo Sassetti. Aqui chegados, apetece dizer “High and stop the ball!” — achado facebookiano, choque tecnológico oblige. Música composta e interpretada por Sassetti para uma obra-prima da 7ª Arte. Quem ouviu Sassetti acompanhar o filme “Maria do Mar”, num TAGV que não nos comprometia com o governo espanhol — que o Poceirão não é para aqui chamado —, sabe que o presente ciclo promete um momento particularmente indizível. E, sem receio que a voz nos doa, passemos de imediato a referir outros títulos a serem exibidos: “Casablanca” e “Det sjunde inseglet” (poderia escrever-se “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman, mas não seria a mesma coisa), só para não dessedentar totalmente a curiosidade. (Poderia magoar).

Ciclo de Conferências: destacamos “A paixão segundo Eduardo Lourenço”, conferência onde encontraremos o (não só mas também) ensaísta entrevistado por Ana Sousa Dias, e, como este momento é bem capaz de não caber no português que conhecemos, apetece simplesmente dizer, com Eugénio de Andrade, “as palavras estão gastas” ou de gatas, completamente banzas com a situação: também ninguém as mandou serem palavras.

Ou seja, é difícil encontrar the heart of the festival, mesmo destacando as aurículas e os ventrículos acima enumerados. Decerto, um crítico mais objectivo diria, relativamente ao festival: onde é que pára o coração do coração? E, porque cada qual se apaixona de acordo com os seus fetiches, vejamos o restante festival em fast forward. É que há ainda um Ciclo de Gastronomia, com chefs que luzem estrelas Michelin directamente importadas da vontade de conquistar o gourmet existente em cada um de nós; um Ciclo de Artes de Palco, com a presença da Companhia de Teatro de Almada, levando à cena a peça “Do Amor”, de Lars Noren, com encenação de Solveig Nordlund, bem como Natália Luiza em (que diabo!) “Em tudo te vejo”; um Ciclo de Artes Plásticas que tornará patente ao público a Colecção Millenium bcp, “A Pulsão do Amor”, exposição que reúne cerca de 20 artistas de várias nacionalidades; e um Serviço Educativo, novidade nesta edição, visando sensibilizar as camadas mais jovens para diversas temáticas. Some-se a tudo isto a derradeira nova desta edição: a criação do passe “Amigos do Festival” que, além de outras vantagens, permite adquirir bilhetes a preços reduzidos. E, se pensarmos que o milagre da multiplicação das paixões se deu de facto, não obstante uma considerável redução nos apoios disponibilizados, fica a conhecida certeza:

Coimbra tem mais encanto

Na hora… da desmedida!

Claro: TAEG… e tal. Não dispensa a leitura do folheto informativo: www.festivaldasartes.com & facebook united.

* Garante o Anfiteatro Colina de Camões.



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