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Africa Screens

Ciclo de Cinema Africano no São Jorge, nos fins-de-semana de 17 Abril a 17 de Maio.

Começou no fim-de-semana de 27 de Março, no Cinema São Jorge, o ciclo Africa Screens. Com este ciclo inicia-se, simultaneamente, a programação do futuro Africa.cont – Museu africano sediado em Lisboa e com abertura prevista para 2012. African Screens propõem-se a divulgar o cinema africano produzido e realizado por e para africanos, em vários países deste continente.

No total, são cerca de 30 filmes e documentários escolhidos por Manthia Diawara e Lydie Diarkharté acompanhados por painéis de discussão subordinados aos temas que dão o mote aos vários fins-de-semana.

O primeiro do ciclo – de 27 a 29 de Março – foi preenchido por filmes da Guiné-Conacri e Guiné Bissau, Brasil e Camarões entre outros. Muitas desta obras são co-produções com países europeus como França, Portugal ou Alemanha.

O primeiro bloco de filmes esteve enquadrado no tema Cinema Africano, Pós-Colonialisno e Estratégias  Estéticas de Representação que veio, por vontade dos curadores do ciclo, saltar a produção colonial do cinema africano, apontando a direcção do African Screens para o presente e futuro do cinema africano.

Neste ciclo, o objectivo é mostrar o cinema africano que reflicta sobre as realidades dos seus países e que dê a conhecer uma nova geração de realizadores africanos.

Um dos destaques do ciclo vai para a projecção do primeiro filme dirigido em África por um africano de seu nome Ousmane Sembené. O Bom Homem da Charrete é uma película de 1966 e conta a história de um homem que perde o emprego porque atravessa a fronteira de um distrito administrativo moderno. O filme é projectado dia 10 de Maio, pelas 22 horas, no terceiro bloco. O mesmo bloco temático que aborda o fenómeno de Nollywood, a indústria cinematográfica africana que surgiu no fim dos anos 80, em Lagos, capital da Nigéria.

Nollywood é uma das três maiores indústrias cinematográficas do mundo, estatuto que partilha com Hollywood e Bollywood e é a resposta encontrada à insegurança de Lagos e ao facto dos cinemas começarem a fechar por falta de público. Assim, alguns cineastas e produtores decidem começar a realizar filmes e distribuí-los em VHS e mais tarde em VCD.

Ao fim de quase duas décadas de actividade, Nollywood movimenta milhares de dólares e representa para a Nigéria um revitalizador económico. Porém, é comum o pagamento de subornos aos gangues que dominam áreas onde se filma e é frequente que os actores cheguem atrasados às filmagens, já que entram em várias produções ao mesmo tempo.

No African Screens deste fim-de-semana o debate centra-se no tema “O Cinema Africano na Era da Televisão e dos Festivais”, no sentido de que, numa conversa entre produtores, realizadores, directores de festivais e académicos surjam estratégias de promoção das produções africanas, num contexto global.
No que aos filmes toca, na sexta-feira todas as sessões são boas oportunidades para conhecer a história de Nollywood, através do testemunho daqueles que o impulsionaram.

“Missão Nolywood”, filme que segue Peace Aniyam Fibersima, uma das suas principais protagonistas, um curto documentário co-produzido pela Nigéria e EUA que se intitula “Curtíssima História de Nollywood” e “Nollywood, É só Acção”, todos reflectem e abordam o surgimento e crescimento da Hollywood africana.

O ciclo encerra a 17 de Maio com um quarto bloco dedicado à Negritude, apontando o olhar para o Senegal, já que maior parte dos filmes a exibir vêm deste país da África Ocidental, sendo muitos deles co-produções com países europeus. No cardápio servem-se também filmes brasileiros e um outro documentário angolano.

No painel deste fim-de-semana a proposta de debate incide na problemática das identidades representadas no movimento da Negritude, o regresso às raízes e qual o papel do cinema contemporâneo africano e pó-colonial. O debate está por esta altura virado para o futuro e para a redescoberta “de uma certa personalidade africana”.

A discussão está lançada e a entrada para o festival é grátis. Boas viagens!



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