Alexandre Desplat em concerto | Centro Cultural Vila Flor | 26 de Maio de 2012

Alexandre Desplat em concerto | Centro Cultural Vila Flor | 26 de Maio de 2012

A máquina funciona sem o mestre?

O Traffic Quintet, com a direcção artística de Alexandre Desplat, interpreta música cinematográfica com uma formação original – um quinteto de cordas -, combinando as suas performances musicais com criações visuais.

“Medeia”, o nome da produção apresentada no passado sábado na Capital Europeia da Cultura, foi “acompanhada” pelos mais inconfundíveis ícones do feminismo. As já incorporadas no inconsciente colectivo, Marilyn Monroe, Ingrid Bergman ou Maria Callas, sem esquecer Nicole Kidman, Sharon Stone ou Isabelle Adjani, fizeram parte de “Medeia”, a produção. Foi com este impulso que o “eterno feminino” ganhou preponderância na criação da violinista Dominique Lemonnier e da video-maker Ange Leccia.

Em concerto com o seu Traffic Quintet, Alexandre Desplat exibiu ao muito público presente no Grande Auditório do CCVF uma viagem pelas suas composições e também pelas memórias do Cinema Francês. A pretexto de um ciclo de filmes com a sua assinatura musical, a Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012 apresentou um dos indispensáveis compositores de filmes dos últimos tempos.

Ao longo da sua carreira, Desplat compôs as bandas sonoras de mais de cem filmes. Vários assinaláveis. “The Queen”, “The Curious Case of Benjamin Button”, “The Twilight Saga: New Moon”, “Fantastic Mr. Fox”, “The King’s Speech” e ambas as partes de “Harry Potter and the Deathly Hallows”. Começou em 85 e já foi nomeado para quatro Óscares, cinco BAFTAs e cinco Globos de Ouro. Apenas venceu em “The Painted Veil”. Não deixa de ser notável.

Pese embora toda esta legítima expectativa criada em torno do espectáculo, esperava-se ver em acção o artista que detém das maiores capacidades de conexão entre a Europa e a América. Esperava-se que Desplat não se ficasse pelas palavras de abertura e também ele se erguesse e integrasse o conjunto no palco. Deixou-se ficar incorporado na assistência. Não houve a ostentação do francês, pelos menos vinda das suas mãos.

Podia dizer-se que a máquina não trabalha sem o mestre. Não foi inteiramente o caso, mas quase.



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