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Anaquim

Música a cru

“Desnecessariamente Complicado” é um disco novo e é dos Anaquim. Se “A Vida dos Outros”, o disco de estreia de 2010, foi considerado um dos melhores dez álbuns nacionais em 2010 pelos leitores da Blitz, para este prevê-se igual sucesso.

Primeiro veio a vontade de uma expressão “muito própria” através da música, uma necessidade quase vital. Depois, a incapacidade de inércia. “As escolhas estéticas e temáticas que pautam este disco partem da nossa incapacidade de atravessarmos este momento difícil de braços cruzados. Escolhemos fazer algo. Escolhemos fazer este disco”, refere-nos José Rebola, letrista e compositor dos Anaquim, em registo de confissão. Os Anaquim estão de regresso com um disco que já anda no ouvido de todos. “Desnecessariamente Complicado” é a música que cantam novos e velhos, em honra do que de bom se faz em Portugal.

O que esteve na base de criação do disco?

Em primeira instância, parte da nossa vontade de nos exprimirmos através da música, numa necessidade quase tão grande como a de respirar. Já as escolhas estéticas e temáticas que pautam este disco partem da nossa incapacidade de atravessarmos este momento difícil de braços cruzados. Escolhemos fazer algo. Escolhemos fazer este disco.

Foi um processo difícil?

Contando com a parte de pré-produção, demorou cerca de sete a oito meses até ao produto final. Alguns períodos foram mesmo de trabalho árduo superior a doze horas por dia. É o preço de se querer fazer as coisas bem feitas. Pelo caminho, ficou a nossa primeira experiência num grande estúdio e o inegável prazer de gravarmos alguns temas com todos os músicos a tocar ao mesmo tempo. Tudo isto, aliado ao facto de podermos usar um hammond e um piano a sério, fazem com que o som saia mais orgânico e autêntico.

“A Vida dos Outros” foi considerado um dos melhores dez álbuns nacionais em 2010 pelos leitores da Blitz. Prevê-se igual sucesso para “Desnecessariamente Complicado”? Como tem sido o feedback do público?

Fica sempre bem no currículo, mas o reconhecimento ou o sucesso apenas nos move pela oportunidade que nos dá de partilhar a nossa música com um grande número de pessoas. Os ecos que temos tido para este álbum é que em nada defrauda a expectativa criada pelo primeiro, superando-o até nalguns aspectos.

Que ganha o panorama de música nacional com o novo disco dos Anaquim?

Ganha uma paixão pelo risco e o desrespeito pelos rótulos. Vamos fazendo a música que nos apetece, e não nos assusta fazer perfilar uma balada valseada lado a lado com um tema com laivos de psychobilly no mesmo CD. Também ganha ao mesmo tempo uma continuidade e uma ruptura na música de intervenção pois não a deixa cair como arma, embora a transporte para os tempos actuais.

Este álbum é mais sarcástico. Porquê?

O sarcasmo traz consigo um risco que é a necessidade de ser interpretado e percebido, tal como a ironia e os eufemismos, ou outra qualquer figura de estilo. Fazem parte deste álbum na mesma, é claro, mas este trabalho é mais directo na sua atitude perante alguns aspectos da sociedade. Reclama mais pela sua mudança e com um tom de voz um pouco mais zangado. Intervenção política? Ora aí estão duas palavras que não vejo juntas numa boa frase há já uns quantos anos…

Existirá também alguma auto-ironia no novo disco?

Sim. Não nos vemos como modelos de comportamento, e por mais vezes do que queríamos caímos no facilitismo e no comodismo. É precisamente por isso acontecer que podemos abordar esse lado de ser português.

Quem é “o” Anaquim?

O Anaquim é uma personagem que pega nas nossas personalidades, as junta e ainda as estende para uma perspectiva ficcional que nós não conseguimos ter. Muito sucintamente, representa o que as coisas são e também aquilo que poderiam ser.

O que querem descomplicar?

O que for possível. Não digo tudo, porque temos a perfeita noção que algumas coisas são necessariamente complicadas. Mas há assuntos que são complicados por incompetência ou por preguiça, e são esses os nossos alvos.

Faziam falta à música portuguesa bandas como os Anaquim: música em estado puro?

Em boa verdade, em Anaquim também existem medos e outras demais barreiras. Diz-se que o que define a bravura não é não ter medo, é sim o ter medo e partir à mesma para a batalha. Quanto ao panorama nacional, acho que cada banda deve procurar ter uma forma de estar que lhes venha de forma natural, seja ela eufórica ou depressiva.

Se o primeiro disco era uma surpreendente viagem por um mundo de ritmos e melodias diferentes, o segundo trabalho parece superar o primeiro a esse nível… Nunca perdem o fôlego?

Não sendo profissionais exclusivos da música, ela é para nós profissão, prazer, escape, fonte de calma e grito de raiva. Vem daí a nossa motivação. Quem corre por gosto não cansa? Cansa… mas cansa menos.

Directamente do disco, as confissões da banda:

Hoje é um bom dia…
“… Para partilhar uma musica nova com alguém”

Se os Anaquim mandassem…
“…As intervenções no parlamento eram em forma de canção. Todo o hemiciclo era obrigado a cantar os refrões”.

Já te disse mais de mil vezes

“…Que amanhã começo a mudar de vida”.

Por aí…

“…Gostávamos de ouvir menos histórias de gente a passar dificuldades.

Nós…

“…um dia, vamos aprender com os nossos erros.”



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